A diferença entre os números e a realidade
Publicado em 06/02/2020

Edgar Muza

Cidade: Bagé / RS
Radialista, comentarista de política e de notícias de geral. Liderança reconhecida nas áreas de saúde e de Carnaval.
Edgar Muza

Há um ditado popular que sempre é lembrado: “O papel aceita tudo”. Cada declaração que os governos fazem sobre a melhora da economia, é contestada pela realidade de nosso dia a dia. Agora, foi publicada uma matéria que os ‘economistas de plantão’ admitem que o Brasil pode crescer menos que o projetado. Se chegar a 2% é levantar as mãos para cima e agradecer. Mas essa é nossa realidade. Sem ser economista, tenho afirmado que a inflação está contida porque o consumidor passou a buscar o menor preço em cada produto que consome. E isso você sente andando nas ruas da cidade, vendo o movimento de público, as pessoas que entram no comércio e os ‘pacotes’ que carregam após as compras. Não que o tamanho do pacote seja base para saber se o gasto foi alto ou baixo. Nossa base são as ofertas do dia que variam de comércio para comércio. Muitas vezes, tem diferença de 20 a 25%, do preço que era vendido antigamente. Isso é uma constatação que o mercado é que determina o custo. Para vender tem que apresentar ofertas que condigam com a realidade do poder de compra do cidadão. E isso vem baixando dia a dia. No outro lado da moeda, os governos continuam gastando ‘muito e mal’, embora a arrecadação tenha baixado por força do consumo em queda. O tema volta a ser abordado pela coluna, após ler matéria publicada pelo CB (Correio Brasiliense) na terça- feira, (4), às 19h. A manchete ‘cutuca’ a realidade. Leia:

Economistas admitem que brasil pode crescer menos que o esperado

“A euforia demonstrada pelo governo em relação ao crescimento econômico, já não contamina mais os economistas do setor privado. Diante dos sinais evidentes de fragilidade da atividade, muitos passaram a prever que, na melhor das hipóteses, o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano crescerá 2%. Essa estimativa está virando teto”. Aliás, se diga de passagem que qualquer cidadão, sente no bolso a dificuldade de consumo. Ele aplica seu dinheiro exclusivamente para manter sua sobrevivência. Então, ai está a razão pelas quais o setor de alimentos não tem sofrido tanto quanto os demais segmentos econômicos. O cidadão tem que se alimentar. E, mesmo assim, procura os alimentos mais baratos e isso faz com que o comércio baixe os preços e pressionem os fornecedores, e estes, aos produtores, a se enquadrarem na realidade. Aí está a causa do controle da inflação. Não tem nada a ver com decisões governamentais. O mercado se regula. Se dependesse do governo o combustível não seria aumentado. E não me venha dizer que combustível não entra no preço final de cada produto que se consome. Aliás, o cidadão que não tem carro costuma afirmar: “Eu não uso gasolina ou óleo diesel”. Mas paga porque toda a mercadoria é transportada por veículo que consome combustível e isso é agregado ao preço final. A liberação do fundo de garantia deu um alento temporário às vendas. Primeiro porque muitos usaram o dinheiro para pagar contas atrasadas. O comércio teve um desafogo temporário. O cidadão voltou a abrir seu crédito, incentivando às vendas. Porém, isso foi um paliativo, porque a realidade voltou a bater à porta do cidadão. Não se pode esperar aumento da produção quando o desemprego continua em alta. Um exemplo prático disso é que a indústria fechou 2019 em queda. Ora bolas, só teria uma maneira de combater o descrédito do consumidor. Os governos diminuírem a máquina e o gasto público. Mas isso teria que ter o esforço dos três poderes. Que não se baixe o percentual que cada poder tem direito, porém que ele incida sobre o bolo da arrecadação. Então, o que os economistas estão afirmando, o cidadão que ganha salário, sabe há muito tempo. Concordam ou não?

Brasília é campeã de irregularidades

Tem um programa intitulado CB Poder na TV Brasília, em combinação com o Correio Brasiliense, que entrevistou no dia 4, terça-feira, o presidente do Sindicato dos combustíveis, Paulo Tavares. Irregularidades e adulteração nos combustíveis. "A cidade ficou em primeiro em fraude fiscal e em adulteração de produto. Nunca vi tantos casos denunciados desta forma." Nada mais é do que a realidade. Para vender mais barato, ou muito mais barato, precisa algo mais do que somente criticar. A qualidade do produto e a seriedade no pagamento dos tributos também entram no cálculo do preço final. Tem novidade?


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