VALORES A PRESERVAR
Publicado em 15/02/2020

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Diariamente somos surpreendidos com notícias que envolvem roubos, assassinatos e comportamentos imorais, a ponto de nos perguntarmos: será que não aprendemos com a História? Será que vamos continuar repetindo os erros de sempre? Ou teria razão o filósofo Hobbes, quando afirma que “O homem é o lobo do próprio homem”?  
Nota-se, contudo, aqui e ali, uma reação, fruto da convicção de que há inúmeros vínculos que nos unem a todos.  Estamos em um mesmo barco. Os problemas de cada pessoa são os nossos problemas, na linha do que o apóstolo Paulo escreveu: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram” (Rm 12,15).  
Um critério ético imprescindível na vida social é o compromisso de andar na verdade. É necessário buscá-la incessantemente. É bom o que é verdadeiro, e não simplesmente o de que eu gosto. Um outro critério diz respeito à abertura ao transcendente. Deus, nos lembra Santo Agostinho, nos criou para Ele, e inquieto está o nosso coração enquanto nele não repousa. Um comportamento ético supõe também um grande respeito por tudo aquilo que é público. Supera-se, então, uma triste mentalidade, que poderia ser assim formulada: se um bem é público, não é de ninguém; melhor: é de quem dele souber tirar proveito em benefício próprio. Outros princípios fundamentais: a política é a arte de se procurar o bem da comunidade, não de si próprio; a transparência e a honestidade nos negócios opõem-se à mentalidade de que “é preciso levar vantagem em tudo”;  a economia deve estar subordinada à ética – portanto, nem tudo o que dá maior lucro é melhor; melhor é o que favorece o bem-estar de todos. Enfim, tudo na sociedade deve guiar-se por normas éticas, cujo fundamento é a busca do bem comum – tudo, inclusive os meios de comunicação, que devem oferecer espaço não ao que lhes dá “ibope”, mas ao que consagra valores como família, vida, fraternidade etc. Utopia? Se não sonharmos alto, nada alcançaremos!  
Aceitam essas ideias os que estão convictos de que ou nos dirigimos pela ética, ou o homem se tornará – volto a Hobbes – o lobo do próprio homem. Quando o homem-lobo domina, nascem as guerras entre países, crescem os desentendimentos dentro de um mesmo país e multiplicam-se as grades de proteção por toda a parte. Sempre que cada qual faz o de que gosta, não é de se admirar que falte a paz e se multipliquem as injustiças e as desigualdades.  
Não seria a hora de nos voltarmos para os dez mandamentos? Eles não são uma simples lista de proibições: são setas que nos indicam quais os caminhos são mais adequados para a boa convivência com nosso Deus e os irmãos. Resumo da ópera: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Jesus Cristo – Mt 7,12).
“Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares (Cf. Eclesiástico 15,16-21). Que o Senhor vos abençoe! Paz e Bem!


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