TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
Publicado em 14/03/2020

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Jesus se apresenta para nós como Aquele que é enviado pelo Pai para dar-nos a vida, e comunica essa vida nova dando-nos a si mesmo, a palavra, o verbo mediante o qual Deus cria e redime. A história da salvação pode ser vista como o encontro de dois sedentos: Deus que busca o homem, e o homem que, muitas vezes, inconscientemente, busca a Deus.
    Enquanto amor infinito, Deus tem sede de doar-se, e o homem, na sua pobreza, experimenta o desejo de ser preenchido. É então indispensável que nós desejemos aquela água viva espiritual, que é a graça que o Senhor quer nos dar abundantemente, por isso, nos coloquemos na atitude de quem tem sede de Deus.
    Por meio do diálogo com Jesus, a Samaritana chega a reconhecer os seus pecados e pedir a água viva que pode regenerá-la (Mt, 4, 5-42). A cada dia, Deus nos espera e nos interpela, apresenta-se como mendicante e como seden­to para suscitar em nós a sede e o desejo dele, porque Ele vem para restaurar-nos e renovar-nos, e faz isso por meio da sua palavra de amor, dando-nos a sua graça.
        A mulher, que tinha sede e foi buscar uma água que se esgotava e que deveria ser renovada para satisfazer a sede do corpo, encontra-se com Aquele que é a vida e que sacia as exigências mais profundas do coração humano, podendo, assim, tornar-se um instrumento para atrair outros a conhecê-lo.
    Se vivemos em comunhão profunda com o Senhor e crescemos no amor por Ele, cresce também o amor pelos irmãos; não podemos reter egoisticamente um amor tão grande e assim querer nos tornarmos nós mesmos canais para que o dom da vida se comunique a muitos. O anúncio mais eficaz que chega mais longe é exatamente o testemunho de uma vida de fé, de pessoas que encontraram o Senhor, que se deixaram transformar e se deixam continuamente transformar por Ele, alcançando a sua fonte, a água viva da graça.
        A liturgia deste domingo nos faz compreender e nos doa, em abundância, aquilo de que verdadeiramente temos necessidade: se nos deixamos alcançar por Jesus no íntimo do coração, onde estão os nossos desejos mais secretos, podemos compreender quais são os nossos males, quais são os impedimentos que nos deixam ainda insatisfeitos, cansados e entediados, duros de coração. Então, começamos a nos alegrar por tê-lo encontrado e continuamos a buscá-lo para encontrá-lo sempre mais e para saciar-nos novamente na sua fonte. 
        Todo o mundo tem sede hoje, mas do quê? Muitas pessoas - talvez também nós, às vezes,  têm sede de muitas coisas e a buscam com afã e com prepotência, às vezes, também roubando dos outros e usando de violência.
    Se conhecemos o Senhor, todo o resto é visto na sua luz, também o universo se revela para nós e todas as coisas se tornam um meio para ir até Ele e para crescer no seu amor. Assim, não nos contentemos mais com as cisternas de água suja, mas peçamos ao Senhor para nos doar um coração novo, para colocar em nosso coração a fonte da água viva, que é pura e que nos purifica. Que Deus vos abençoe! Paz e bem!


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