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Somos seres em construção
Publicado em 06/07/2019

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Somos obra do Criador. Ele nos fez à sua imagem: “somos criados à imagem e semelhança d’Ele”. Porém, não somos obra acabada. Somos seres em construção. Há uma vida inteira para implementar essa construção. Uma vida para realizar, a partir de dentro de nós, aquilo que Deus espera. E Deus espera que a vocação seja a maior realização. Que eu cumpra meu caminho, que eu não passe inutilmente sobre esta terra.
Fala a história que Michelangelo, o grande pintor e escultor italiano, dando uma explicação sobre a arte de esculpir falou: “a imagem que eu quero esculpir desta pedra ou desta madeira, já está ali. Todo trabalho meu é tirar as sobras, é eliminar o que esconde a imagem”. Para um materialista uma pedra é uma simples pedra. Para um escultor, a pedra guarda no seu interior o segredo de um trabalho a ser esculpido.
Mas, além da criatura humana ser uma escultora da natureza, tem a missão de ser escultora de si mesmo. Há um ideal dentro de cada ser humano, que aspira pela perfeição e pela realização. Ninguém nasceu para ser alguém frustrado. Todos nascem e crescem e vivem seus anos para realizar esse trabalho de esculpir-se e descobrir a grandiosidade do existir, de tornar-se aquilo que o ‘idealizador’ do plano prospectou.
Esculpir-se é ter um objetivo e querer chegar lá. É cultivar as virtudes que estão em nosso interior.  As virtudes são como um rosto lindo dentro nós. É o rosto da paz e da beleza. É a possibilidade da fé e da esperança.
Os defeitos são o lado ainda bruto da pedra e da madeira. Os defeitos são o lado a ser trabalhado, para que desapareçam esses excessos que impedem de ver e apreciar o segredo escondido.
Neste trabalho de artistas de si mesmos, podemos contar com pessoas que nos ajudem. Podemos organizar um atelier. Podemos nos ajudar, pois a cooperação sempre enriquece nossa construção. Muito mais felizes e eficazes seríamos se permitíssemos que outros escultores nos ajudassem e fizessem parte de nossa vida. Tudo seria diferente se a família conseguisse ser um atelier, onde pais e filhos pudessem esculpir verdadeiras obras primas; que a vida em comunidade possibilitasse colaboração um com o outro. De dentro de cada pessoa iria aparecendo, então, a riqueza da personalidade, variedade dos rostos e de personalidades felizes.
Acima de tudo há uma missão em toda criatura. Missão de fazer aparecer o rosto do Criador, origem de todos os rostos. Porém, como fazer aparecer o rosto do artista-Deus, no rosto de cada irmão que me relaciono? Em cada rosto de minha família? É mais fácil esculpir o rosto de Deus numa tela de uma criança, de um idoso, de um santo que cumpriu sua missão.
Mas, acima de tudo, sou construtor de minha vida e missão. Tenho que ser um espelho de mim mesmo e olhar-me, ver-me a cada dia mais esculpido e feliz por me sentir parecido com o rosto do Criador, que se concretiza no rosto do Cristo. Nele estão todos os rostos. Rostos que encontraram o caminho da realização e outros que estão em busca desse caminho. Paz e Bem!

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