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Pentecostes: O grande começo da igreja
Publicado em 08/06/2019

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Passaram-se 50 dias desde que celebramos o Domingo da Ressurreição do Senhor, centro de nossa fé. No domingo, 9 de junho, Festa do Espírito Santo, encerramos o ciclo da Páscoa. Pentecostes, como fim de todo esse processo de alegria no ressuscitado, é, na verdade, um grande começo. O começo da Igreja de Cristo. Os discípulos, reunidos com Maria no Cenáculo, em oração, receberam a promessa do Pai: “ Permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,49).
A força que falou Jesus aos 11, antes de ser elevado ao céu, é a ação do Espírito Santo, acontecimento indispensável para a Igreja se tornar pública e sacramento universal da salvação, sal da terra e luz do mundo. Com Pentecostes, a igreja sai do isolamento em que estavam os discípulos, com medo e sem acreditar (Lc 24,11). O Espírito Santo, nesse momento, age como instrumento de Deus para reunir o povo ao redor de Jesus. Por isso, Pentecostes também é chamada festa da unidade, capaz até mesmo de fazer diferentes raças ouvirem a sua língua de origem pela boca dos discípulos que eram todos galileus (At 2, 7). É o próprio entendimento do Pai e do Filho, que se manifesta pelo Espírito Santo.
Naquele momento extraordinário para a igreja, brilha o novo começo. Cada pessoa recebe o dom de manifestar o Espírito, que gera um corpo uno em Cristo. Os sinais do Espírito são essenciais para a Igreja se formar como a conhecemos hoje. No cenáculo, ele ilumina os discípulos, fortalece-os para a missão e leva-os a superar os medos e as dúvidas que angustiavam seus corações até aquele momento. Une todos, fazendo-os compreender a mensagem da salvação para edificar a igreja. A festa da unidade faz-se também festa dos discípulos missionários, porque nos anima a sermos protagonistas da missão, corresponsáveis pela evangelização dos homens e das mulheres em cada ambiente a partir da vida do ressuscitado.
A ação do Espírito Santo cria em todos os povos a unidade, soprando onde quer, de maneira que não sou mais eu, mas é Cristo que vive em mim (Gl 2,20). Portanto, Pentecostes é especial para todos os cristãos, porque recebemos, pela força do Espírito, a tarefa missionária de evangelizar. Sua ação é tão importante que o próprio Cristo, no início de sua vida pública, depois de seu batismo, foi conduzido pelo Espírito ao deserto para se preparar para a sua missão, discernindo assim a vontade do Pai.
O documento de Aparecida, como luz do magistério da igreja, interpreta o resultado dessa ação, que nos leva a ser ‘um’ em Cristo, por meio da diversidade de dons. “A partir de Pentecostes, a igreja experimenta, de imediato, fecundas irrupções do Espírito, vitalidade divina que se expressa em diversos dons e carismas. Através desses dons, a igreja propaga o mistério salvífico do Senhor, até que ele de novo se manifeste no final dos tempos” (DAp, n.150). Qual é o papel, então, desse novo Pentecostes em nossas vidas? Para além da liturgia, forjar missionários decididos e corajosos, como Pedro e Paulo, que evangelizem incansavelmente para que o Reino de Deus seja pregado e estabelecido em toda terra. Que o Espírito Santo habite em vossos corações. Paz e Bem!

Email: cleonir@ascap.org.br
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