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Pastores de uma Igreja Sinodal
Publicado em 07/09/2019

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

De 3 a 13 de setembro, em Roma/Itália, acontece o curso de formação para os novos bispos, nomeados pelo papa Francisco, nesse último ano. Somos 105 participantes, vindos de diversas regiões do mundo, desde o Iraque até Bagé, Rio Grande do Sul, Brasil. Nesses dias, formamos uma fraternidade humana na diversidade de culturas, línguas, raças e costumes. O curso tem como foco “o ministério do Bispo para a renovação sinodal da vida e da missão da Igreja”. 
Durante o encontro, o momento mais esperado é a audiência com o papa Francisco, que está agendada para o próximo dia 12. Nosso ministério é exercido sob as orientações e motivações do papa, daí a importância de escutá-lo atentamente. Somos uma Igreja em comunhão, presente nos diversos países. 
Nestes últimos anos, o papa Francisco nos tem ajudado a compreender que a rota sobre a qual o Senhor quer conduzir a sua Igreja se chama sinodalidade. É uma palavra tão antiga quanto à Igreja mesmo e, ainda assim, sempre nova, mesmo que tenha ficado por muito tempo em segundo plano, não só a nível da reflexão teológica, mas também e, sobretudo, na ação pastoral. Recentemente, em um importante discurso, o papa afirmou: “o mundo no qual vivemos, e que estamos chamados a amar e servir, ainda nas suas contradições, exige da Igreja a potencialização das sinergias em todos os âmbitos da sua missão”.
O que é uma Igreja Sinodal? O papa explica: “uma Igreja Sinodal é uma Igreja da escuta, com a consciência de que escutar é mais do que ouvir. É uma escuta recíproca, na qual cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio Episcopal, Bispo de Roma: um na escuta dos outros, e todos na escuta do Espírito Santo, o espírito da verdade”. 
Acredito, contudo, que antes mesmo dos seus documentos magistrais, o papa Francisco nos está mostrando o que significa ser pastores de uma Igreja sinodal com o seu próprio estilo de vida no cotidiano. Colocando-se bem distante da tentação do “homem sozinho no comando”, que já seus predecessores tinham denunciado, ele compreende o Ministério Petrino como serviço à unidade e à comunhão da Igreja; um serviço que pode e deve contar com a colaboração de todos aqueles nos quais opera o Espírito Santo. Nesse sentido, entende-se a maneira do papa animar a Igreja Católica do mundo inteiro valorizando os organismos colegiados: Conselho dos Cardeais, Conferências Episcopais, entre outras. E, ainda, adotou um método comunicativo e participativo, fundamentado na escuta.
Várias vezes, o papa nos tem alertado a evitar as “travessias solitárias e a estar atentos ao modelo do “bispo-lider”, que pede uns aos outros conformar-se profundamente as suas diretrizes. O papa diz: “O Bispo, por isso, é conjuntamente chamado a caminhar à frente, indicando o rumo, apontando a vereda; caminhar no meio, para fortalecer o povo de Deus na unidade; caminhar atrás, não só para que ninguém fique para trás, mas também e sobretudo para seguir a intuição que o povo de Deus tem para encontrar novas sendas”.
Guiados por Cristo, o Bom Pastor, em comunhão com o sucessor de Pedro, e a harmônica e dinâmica ação pastoral dos ministérios e dos carismas que o Espírito Santo faz nascer, acreditamos na renovada comunhão de toda a Igreja. Que o Senhor vos abençoe. Paz e Bem!
 


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