FRATERNIDADE, QUAL SEU FUNDAMENTO?
Publicado em 08/02/2020

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

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Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Para a coluna de hoje, aproveito um artigo de dom Adelar Baruffi, bispo de Cruz Alta, publicado no site da CNBB:
“Deus escreve com cada um de nós, uma história única. Para quem crê, somos frutos de uma história do amor de Deus em cada um de nós. No Concílio Vaticano II (Constituição Pastoral Gaudium et Spes), a Igreja Católica falou sobre uma antropologia cristã. O primeiro elemento fundamental da compreensão do ser humano é que foi criado. É fruto de alguém que o precede, que o pensa. O mundo não inicia a partir de cada um. Na primeira página, a Bíblia fala não somente de que o homem foi criado, mas que Deus colocou nele “a imagem de Deus” (Gn 1,26). Este princípio nos diz que Deus nos constituiu como aqueles com quem ele dirige sua palavra: “e lhes disse” (Gn 1, 28). A nenhuma outra criatura Deus lhes dirigiu a palavra, somente ao homem e à mulher. Em cada ser humano, de todos os tempos, está a imagem de Deus. Isto significa que não há uma raça ou classe que traz a imagem de Deus e outra não. Também significa que a bondade de Deus reside na vida e nas ações de todos. A todos Deus convida à comunhão consigo e à vida fraterna. Esta dimensão vertical é constitutiva de todo ser humano. 
Ligado à primeira dimensão está a compreensão de nossa fraternidade. De fato, se somos todos imagens de Deus, por que não fundamentar nossa comunhão exatamente nele? As sociedades modernas foram organizando as relações a partir de um consenso de todos os membros. Isto não está errado. Vivemos num mundo plural e, nós cristão, somos chamados a ir além dos consensos reconhecidos socialmente. Disto se compreende que todas as pessoas têm a dignidade de “imagem de Deus”. A ruptura do tecido social tem sua origem na ruptura da relação com Deus. Fica muito difícil reconhecer a dignidade humana, com todos os seus direitos e deveres, se tirarmos das pessoas a sua relação com Deus. Como poderemos ver no semelhante um irmão, se me falta a ligação primeira da qual parte toda a dimensão social? Não poucas vezes, o semelhante é coisificado, descartado de sua dignidade, sobretudo, as crianças, os idosos e os pobres. A “família humana” (Francisco) tem sua base na paternidade comum, em Deus, nosso Criador e Pai. A falta de misericórdia, neste sentido, é um grande pecado.  
Claro, sabemos que o pecado habita no ser humano. Ele desconstrói o ser humano e sua relação com os semelhantes. “Recusando muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo mesmo, com os outros homens e as criaturas” (GS, n. 13). Nossa caminhada humana é um “combate espiritual” (São Paulo) na superação do pecado, constantemente presente em cada um de nós. Apoiemo-nos na graça de Deus. Para os que creem, nossa comunhão fraterna tem sua base em Deus, pois a partir Dele somos irmãos e irmãs.” Que Deus vos abençoe! Paz e Bem! 


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