Fraternidade e vida: dom e compromisso
Publicado em 04/04/2020

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Considerando o tempo difícil que estamos vivendo, devido à pandemia do Covid-19, convidamos todos os cristãos para celebrar a Semana Santa e a Páscoa em família, nossa igreja doméstica. Se houver a colaboração de todos, em pouco tempo, tudo voltará à normalidade. Então, orientamos para continuarem rezando em família e na família, usem os meios de comunicação: TV, rádio, internet para acompanhar as missas diárias e as mais diversas orações. 
Com serenidade e amor, vamos acolher a Semana Santa. Esse ano, diferente de todos os outros anos. Ela não é e nem deve ser como as outras. Será especial para pensar na vida. “Portanto, de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida” (Mc 8,36). 
Vivamos intensamente cada dia desta semana, em sintonia com os passos de Jesus. Cada dia da Semana Santa possui uma mística própria:
Domingo de Ramos: o primeiro dia da Semana Santa. É um dia festivo, pois Jesus entra em Jerusalém e o povo o aclama: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Pedimos que as famílias coloquem ramos em suas portas, janelas. Vamos passar nas ruas da cidade abençoando. 
Segunda-feira: o segundo dia da Semana Santa. Jesus passou a noite na casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos. Durante o dia, permanece em Jerusalém (Mt 21, Mc 11, Lc 19). Lá, expulsa os vendilhões do templo e repreende a incredulidade das multidões. 
Terça-feira: Jesus retorna para Jerusalém, passa pelo templo e chega ao Monte das Oliveiras. Os líderes judeus montam armadilhas. Sete vezes Jesus pronuncia a sentença: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”. Foi na terça-feira que os líderes judeus se reuniram para conspirar a morte de Jesus.
Quarta-feira: Judas, em segredo, concretiza seu plano e entregar Jesus por trinta moedas de prata (Mt 26,14). Jesus percebe que Judas muda de comportamento. Pensemos na decepção de Cristo e nas traições que sofremos e naquelas que protagonizamos. A traição exclui a confiança e a gratuidade, o amor cede lugar para o ódio. 
Quinta-feira: Jesus está em Betânia: pede aos discípulos que encontrem um lugar para celebrar a Páscoa (Mt 26,17). É um dia extremamente difícil: Jesus vive suas últimas horas de liberdade. E é nesta liberdade que Ele decide celebrar a ceia com seus discípulos. A partir desse momento, a ceia eucarística torna-se alimento para o fortalecimento da fé e da vida. 
Sexta-feira. À noite Jesus foi preso e é pregado à cruz. Sexta-feira Santa, dia de silêncio e de solidariedade com o Cristo de ontem e com os irmãos e irmãs de hoje, que continuam sendo pregados na cruz da miséria, da violência, dos vícios, das doenças, da exploração. 
Sábado. O silêncio se faz esperança e fé. Ao cair da noite, um novo capítulo se iniciará: assim cremos! A morte será vencida, a   ressurreição transformará a história da humanidade. Paz e Bem!


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