Chamados, escolhidos e enviados
Publicado em 01/08/2020

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Iniciamos o mês de agosto e, com ele, temos todos os anos um permanente convite à reflexão sobre a importância do tema “vocação”. Trata-se de um assunto de fundamental importância; mas para que alguém o reconheça se pressupõe que tenha fé em Deus. Acreditamos que todas as pessoas são chamadas e escolhidas por Deus: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).
Agosto, como mês vocacional, foi instituído na 19ª Assembleia Geral da CNBB, em 1981. Refletimos sobre a nossa vocação primeira de batizados, que é a busca constante da construção e da vivência da santidade de estado e de vida. Uma santidade alegre, aberta à verdade que é Jesus Cristo. 
Como bem advertiu São Paulo em sua carta aos Efésios (4,17.20-24), o cristão vive a alegria sempre renovada da presença permanente de Jesus em nosso meio, que nos ensina a abandonar o que é velho, o que é pecado, o que nos afasta de construir a vontade de Deus em nossa vida, para configurar nossa vida nos mesmos sentimentos de Cristo e da Igreja. Somos chamados a fazer um mutirão de orações em favor de todas as vocações.
Neste tempo da pandemia, que nos obriga ao distanciamento social, estamos redescobrindo e valorizando nossas casas como ‘nossa Igreja doméstica’, um espaço do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs. É, sobretudo, nesse ambiente que deve brilhar a luz do Evangelho que nos faz ouvir, compreender e seguir o chamado de Deus. 
Somos chamados a nos educar para o sentido da vida, por isso, nos perguntamos: “o que fazer?”, “como viver?”, “para onde ir?” Falar de vocação é admitir a necessidade de viver a própria vida como um projeto que nos foi confiado e que exige resposta livre e responsável.
Esse senso de responsabilidade vocacional se manifesta em nós através da justiça, da solidariedade, do amor ao próximo, da prática do bem. A valorização da vida, como dom de Deus, proporciona ao ser humano a abertura de novos horizontes e novas possibilidades. A compreensão da própria existência e a necessidade de viver bem, isto é, com entusiasmo, alegria, liberdade, ousadia, coragem, generosidade, explorando os próprios talentos, dará um novo sentido e uma nova compreensão para o ser humano (cf. Mt 25, 14-30).
A vocação caracteriza o nosso ser. É um projeto que começa desde o despertar vocacional até o declínio natural; estimula-nos ao exercício cotidiano dos valores e princípios fundamentais para a realização humana; convida-nos a dar respostas às necessidades e urgências de cada época e circunstância. 
Neste mês vocacional, deixo um recado especial aos adolescentes e jovens da nossa Diocese: A empolgação e a animação, em relação ao amanhã, são necessárias, mas não pode ficar só nisso. A vida é por demais preciosa para ser direcionada para escolhas, que não alegram o coração. A vida precisa ser cuidadosamente pensada e amada. Pense nisso!


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