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Caminhos e Caminhos
Publicado em 27/07/2019

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

E-mail: cleonir@ascap.org.br
Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco (bispo de Bagé)

Todo aquele que se coloca a caminho vai aprendendo a contemplar a globalidade da criação, a partir olhar de fé e, aos poucos, torna-se realista e esperançoso diante de tudo o que encontra. O saudoso frei Wilson João Sperandio, frade capuchinho, compôs uma canção muito sugestiva e condizente com o presente assunto: "Em meu caminho percebo as belezas que vêm da terra, do céu e do mar. Tudo me fala do amor do Criador. Oh, meu irmão, para ver basta querer. Que lindo é sentir a Deus em cada rosto do universo! A criação sempre dirá: 'Obra de amor tu verás em mim'. Em meu caminho encontro a verdade que Deus semeou quando aqui passou. Tudo é caminho, tudo é janela aberta. Oh, meu irmão, para ver basta querer".

Existem caminhos e caminhos: poderíamos dizer, também, que o atalho é sempre mais fácil, talvez o mais procurado, neste tempo que estamos vivendo. Porém, nem sempre é o mais eficaz. Atalho supõe facilidade, significa comodismo, menor esforço. Nossa sociedade vive a busca por atalhos, tanto na vida pessoal e familiar, no mundo do trabalho e na convivência cotidiana. As maiores evidências estão nos relacionamentos. As relações mudam como se muda de roupa. Os adolescentes são capazes de alternar e modificar diariamente os relacionamentos. Os adultos mudam conforme as oportunidades e interesses. Normalmente, busca-se uma vida de facilidades e de instantaneidade.

Nestes tempos de constantes mutações, muitas pessoas enfrentam um vazio existencial. Estão à procura de respostas e, se não encontram respostas que satisfazem, buscam atalhos através das drogas e do alcoolismo, entre outros. Esse pode ser um caminho perigoso, uma opção sem volta.

Surgem muitas perguntas: Como enfrentar o vazio? Vazio pessoal e social? Vazio familiar? Vazio espiritual e religioso? O vazio mais desafiador, que é difícil de preencher, é a perda de si mesmo. É esquecer-se como criatura de Deus e viver apenas materialmente ou como um pequeno deus. É esquecer-se do sentido da existência. O ideal é saber questionar-se: olhando para trás, perguntar-se de onde veio. Olhando para o futuro ver com maior clareza o caminho a percorrer.  Vivendo o presente, sentir segurança de que a vida tem realmente um propósito e que é possível preencher o vazio, fazendo a experiência do humano e do divino que está em nosso coração.

Contemplar a criação é um apelo urgente para todos, especialmente para as novas gerações expostas ao risco de abstrair-se do mundo real para o mundo virtual. Continua tão importante aprender a pisar na terra, a tocar nas plantas, atravessar um riacho e ver os animais e aves dos campos. Não há como não se encantar com a semente germinando, com os botões se abrindo e com o milagre da vida nas crianças que nascem. Ao mesmo tempo, não tem como ficar insensível diante dos pobres, que se unem em mutirão para construir suas esperanças.

O mestre Jesus, em sua sabedoria e estratégia de satisfazer o coração humano, testemunhou para a humanidade, de todos os tempos e raças, o mandamento do amor. É no cumprimento deste mandamento que as pessoas vivem verdadeiramente e se realizam. Eis o caminho! "Para ver basta querer!" Que Deus vos abençoe! Paz e bem!

 


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