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O cavalo crioulo, o Freio de Ouro e a nossa tradição
Publicado em 01/09/2017

Divaldo Lara

Prefeito de Bagé
Divaldo Lara

O cavalo faz parte da vida do homem do campo e o Rio Grande do Sul tem uma história muito bonita nesse sentido, em que o homem e o cavalo são personagens centrais. Porém, uma espécie em especial tem o carinho do gaúcho e, em sua trajetória de povoação desses campos do sul, fez com que ganhasse lugar na memória afetiva de criadores e conquistou famílias inteiras. Trata-se do cavalo crioulo. É impressionante e emocionante o apego pela raça Crioula.
Acompanhando a mais importante prova da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), o Freio de Ouro, conheci a sua relevância. Mais que o valor global de R$ 1,28 bilhão que movimenta, o crioulo é o símbolo da mais pura demonstração afetiva do homem do campo.
O Freio de Ouro existe há 35 anos. Embora na segunda metade da década de 70, em Jaguarão, já houvesse a Exposição Funcional do Crioulo. Em 1982, a ABCCC completou 50 anos e comemorou oficializando a competição em Esteio durante a Expointer, mas as primeiras etapas de provas classificatórias foram em Jaguarão, Pelotas e Bagé. A grande final é em Esteio.
O sucesso foi tão grande, o público gostou tanto, que os remates que ocorriam ao mesmo tempo das provas, foram interrompidos, já que esvaziaram, porque as pessoas queriam ver as provas funcionais dos cavalos crioulos.
Os animais fazem um grande espetáculo ao mostrarem suas habilidades  e desenvoltura.
Com 12 classificatórias, duas internacionais, das quais participam mais de mil cavalos crioulos, o Freio de Ouro é uma competição exclusiva da raça, onde podem ser comprovadas as habilidades de cavalo e ginete, reproduzindo nas pistas o trabalho do dia a dia no campo. É um conjunto de provas que testa a doma, a resistência, a docilidade, a aptidão e a coragem. Tudo isso forma a funcionalidade do cavalo crioulo. O Freio de Ouro é o principal indicador de aperfeiçoamento e seleção da raça.
Para mim, indo além de toda a importância das provas, vejo esse conjunto de expressões como aquilo que torna o Rio Grande do Sul um Estado único, de pessoas que compreendem o significado das tradições demonstradas no afeto pelo cavalo e suas habilidades, no orgulho por vestir a indumentária típica, nos hábitos e costumes que espalham pelo mundo através dos Centros de Tradições Gaúchas (os CTGs), na força com que canta o Hino Rio-grandense colocando o coração na boca, entre tantas expressões que nos tornam diferentes no amor ao nosso chão.
Aqui em Bagé temos nossas histórias especiais de aproximação e amizade com o cavalo. A família Sarmento, da Estância São Francisco, representa um dos melhores exemplos. A paixão pelo cavalo remonta ao início do século passado, até antes, pelos avós de Belisário Sarmento, pai de Manuel Rossell Sarmento, em outra estância da família, a São Francisco Velho. Lá começou todo o conhecimento que culmina, nos anos 80, com a criação das regras de uma das mais importantes e difíceis provas funcionais do Freio de Ouro, que ganhou o nome Prova Bayard/Sarmento. Bayard Bretanhas Jaques era amigo de Manoel, ambos foram parceiros na criação da prova, que é realizada na última fase da competição, junto à repetição das provas de mangueira e campo, que acabam sendo decisivas na escolha do grande campeão.
Dedico esta coluna às pessoas de Bagé que fazem nas suas trajetórias de vida o que de melhor temos em tradição, através da figura do cavalo crioulo, à afetividade e compreensão de que somos fortes como nação pelo sentimento de devoção ao que o campo proporciona e produz.

(Algumas fontes utilizadas neste artigo: sites da ABCCC, Canal Rural, Expointer e São Francisco Bagé) 

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