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O apocalipse instaurado pelas fakes news nas eleições
Publicado em 19/10/2018

Divaldo Lara

Prefeito de Bagé
Divaldo Lara

As fake news ou notícias falsas, em português, é um termo utilizado desde o final do século XIX, mas que, com a internet e o uso das redes sociais, voltou a ser usado em larga escala. Recentemente, o termo se popularizou durante as eleições do presidente norte-americano, Donald Trump, em 2016, e, apesar de não ser uma prática restrita à política, é algo muito utilizado no atual período eleitoral como o que vivemos no Brasil. O curioso é que basta bom senso para analisar algumas destas “verdades” (entre aspas mesmo) e logo perceber que não passam de frases ou histórias sensacionalistas para comover, assustar e convencer quem esteja suscetível a elas.   O que tem me chamado atenção, e falando especificamente nas eleições presidenciais, é que, se essas notícias tivessem um pingo de veracidade, significa que, de repente, uma onda apocalíptica teria passado a fazer parte do dia a dia, sempre com excesso de apelo sentimental. Onde estava todo esse pessoal e essas notícias de atrocidades antes do período eleitoral? Ou ainda, sumirão após este período? Claro que sim, pois como toda fake news, nunca existiram.  Há casos até de denúncias nos órgãos de segurança para tentar oferecer um tom de veracidade aos “fatos” (olha as aspas aí novamente), mas cujas queixas são logo retiradas quando os denunciantes entendem que, se constatadas como falsas, o crime passa a ser de denúncia caluniosa, voltando a flecha contra quem proferiu a mentira. As fake news sempre foram uma prática comum utilizada por grupos políticos e vou me referir à esquerda e logo explicarei o porquê. Os principais motivos são a não aceitação de opiniões contrárias e nunca admitir os próprios erros. Desta forma, a cada dia vivem mais em uma bolha e falando apenas com quem aceita sua ideologia, por mais errada que seja. Ou seja, o mundo se torna pequeno para eles e a cada dia reduz mais. Falta bom senso, falta humildade para lidar com a realidade e qual a saída para tentar convencer mais pessoas a aderir à sua ideologia? Criar mentiras de cunho apelativo sentimental. É uma maneira vergonhosa de fazer oposição, pois estão fadados à descrença, que, mais cedo ou mais tarde, ocorrerá, como já vem ocorrendo em grande escala.  Falando no geral, os motivos para criar uma notícia falsa são inúmeros e incluem desde a  atração de internautas para sites que faturam com publicidade digital ou apenas para fixar um pensamento, ideologia ou até disseminação de ódio. Dessa forma, pessoas e até empresas conhecidas são prejudicadas. No mundo da tecnologia, as notícias falsas são disparadas por robôs criados para disseminar  boatos a cada dois segundos, fazendo-o em proporções gigantescas. Após espalhada, a notícia falsa passa a contar com pessoas reais, que, acreditando na informação, disseminam em postagens e, principalmente, em grupos de WhatsApp. Algumas páginas de internet, direcionada às fake news usam endereços e até design semelhantes com o de grandes portais de notícias. Todo esse esforço para que o internauta acredite que se trata de uma informação verídica.  A receita é duvidar sempre que receber alguma informação sensacionalista e pesquisar. Apesar dos meios serem ardilosos, pois misturam fatos reais com a mentira, hoje existem mecanismos para saber o que é ou não verdade. São as empresas chamadas de fact-checking e temos como exemplos a Agência Lupa, Truco, UOL Confere, Boatos.org, entre outras.  Em tempos eleitorais, é hora de colocar o bom senso acima de tudo e, antes de espalhar qualquer informação, a menos que tenha cunho hilário, a palavra é pesquisar.  

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