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Bagé, uma cidade acostumada com desafios
Publicado em 14/07/2017

Divaldo Lara

Prefeito de Bagé
Divaldo Lara

Divaldo Lara – prefeito de Bagé
 
Por ocasião da semana de aniversário de Bagé, outro dia conversava com alguns amigos sobre o município e os inúmeros desafios que enfrentou ao longo desses 206 anos. O interessante é que várias vezes Bagé teve de se refazer, reestruturar, reconstruir. Mesmo a fundação do povoado, em 17 de julho de 1811, aconteceu com o risco imenso de ser dizimado em pouco tempo pelos conflitos que havia na região, principalmente na fronteira, palco de lutas pela independência dos países vizinhos.
Portanto, surgimos em meio a desafios.
Nos conflitos armados em que nos envolvemos, quando perdemos prédios, documentos, centena de milhares de bois e dezenas de famílias, ainda assim fomos capazes de nos refazer. Em 1827, com a invasão Argentina; em 1845, pós Revolução Farroupilha, e, em 1893, com o cerco de Bagé na Revolução Federalista. Isso só contando os grandes conflitos dos quais nossa cidade foi protagonista. Mas, em tudo isso, o interessante é que ressurgíamos mais fortes.
No decorrer do século passado tivemos outros desafios, principalmente de ordem econômica, com o fim do ciclo das charqueadas e o distanciamento geográfico de onde se concentrava a industrialização do Rio Grande do Sul. Apesar dos pesares, jamais esmorecemos. Lutamos pelo espaço que nos cabia, seja no campo político, elegendo homens que se tornaram grandes nomes da política nacional fazendo por Bagé, seja por nossa própria vocação, firmando o trabalho no campo como a grande força da Rainha da Fronteira.
É bom que essa reflexão seja feita. Somos fortes e teimosos, raiz de uma gente que não desiste da luta.
Depois disso, deixando de lado essa passagem histórica, volto o pensamento para o presente, quando, mais uma vez, somos desafiados, desta vez a acompanhar os novos tempos.
A verdade é que paramos. Infelizmente, Bagé parou.
O mundo vive um momento histórico de mudança de comportamento e Bagé, nesse contexto, é desafiada a ir além. Precisamos estar preparados para a revolução comportamental frente à natureza e às novas tecnologias; revolução que já está aí, por nossas empresas, nossas salas de aula e nossas ruas. Mas, para isso, necessitamos sair da “cômoda estagnação de uma cidade da metade pobre do Rio Grande do Sul”, um discurso que pegou por conveniência, não por verdade absoluta. Deu! Chega! É hora de dizer basta a essa historinha e arregaçar as mangas. O mundo globalizado não permite mais esse tipo de conversa “vitimizada”.
Eu acredito que, com planejamento inteligente e trabalho, muito trabalho, iremos aonde quisermos ir.
Se formos analisar o trabalho realizado por nosso governo em apenas seis meses, principalmente no que diz respeito às obras de infraestrutura e o princípio de um planejamento para desenvolver a cidade, o bageense pode estar certo de que, em quatro anos, teremos oferecido muito para essa revolução comportamental dos novos tempos.   
É um grande desafio, não há dúvida, mas, como frisei no início deste artigo, o município enfrentou e superou inúmeros desafios ao longo de 206 anos. Portanto, acredito que está em nossas mãos - governo, sociedade civil organizada, instituições de ensino, principalmente as universidades e as escolas técnicas -, a responsabilidade de formatar a Bagé do Desenvolvimento. Talvez seja essa reflexão o melhor presente que a cidade pode ganhar em seu aniversário.
Não perderemos nossa vocação agropastoril, mas, irremediavelmente, entraremos na era tecnológica, a começar pela instalação de um Parque Científico e Tecnológico, com iniciativas de incentivos à pesquisa e com a abertura da cidade ao novo. Os primeiros passos no Distrito Industrial, começando por empreendedores locais, é uma mostra desse objetivo. Mais tarde, apresentaremos um projeto para o empreendimento externo.
Ou seja, caminhamos sabendo onde queremos chegar. E compreendemos que o novo necessariamente não apaga o velho e convive em harmonia com a sustentabilidade.

Feliz aniversário, Bagé! 
  
 

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