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As lições ao lidar com o excesso e a falta de água
Publicado em 17/05/2019

Divaldo Lara

Prefeito de Bagé
Divaldo Lara

Frequentemente vivemos dois paralelos com relação à água em Bagé. Ao mesmo tempo em que lutamos para a construção da nossa barragem e de já termos inaugurado um novo reservatório para armazenar água à população, devido ao histórico que já tivemos de racionamento por falta de chuvas, também trabalhamos para quando há o excesso delas.
Desde os primeiros dias do nosso governo, na verdade, desde a segunda semana de 2017, temos trabalhado pela retomada da obra da nossa barragem da Arvorezinha. Hoje, entre os muitos entraves de uma obra que foi embargada no passado e com muitos erros, tanto na execução quanto na prestação de contas, vejo que se não iniciássemos logo nos primeiros dias de governo, não estaríamos no estágio que hoje nos encontramos.
Em Brasília, temos periodicamente visitado os órgãos competentes que tratam desta questão. Esta semana, nos foi apresentada uma publicação do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), onde nossa barragem consta como uma das prioridades para o governo federal. O atual entrave é que deveremos devolver o valor de R$ 4 milhões, que após a correção poderá chegar a R$ 7 milhões, devido à obra mal executada pelo governo passado e, portanto, não declarada corretamente na prestação de contas.
Sem realizar esta negociação de parcelamento, não há como retomar a obra que, segundo nossos planos, deveria estar sendo licitada. Apenas mais um entrave, mas que estamos visitando órgãos para reorganizar tudo e seguirmos em frente neste, que é o grande sonho de todos nós.
De outra parte, também temos sentido o efeito do excesso de chuvas, o que nesta questão do armazenamento de água é positivo, mas também faz com que algumas comunidades sofram com os alagamentos. Neste ponto, estamos trabalhando em um bairro que, historicamente, sofre cada vez que as nuvens escuras se foram e a previsão do tempo anuncia bastante chuva. É o caso do bairro Bonito, em ruas como a Dr. Mário Araújo que visitei pessoalmente em um dia de forte tempestade e levamos nossas equipes para ajudar a amenizar a situação.
Ainda no ano passado, iniciamos uma obra no local para resolver em definitivo esta questão, contudo, a surpresa de encontrarmos uma rocha impossível de perfurarmos com os equipamentos que dispúnhamos, atrasou o processo. Fomos atrás de parcerias para que o trabalho fosse realizado e hoje estamos com uma perfuratriz no local, avançando metro a metro, na desobstrução do caminho para realizar o correto escoamento das águas que se acumulam no local. Um depoimento da moradora e amiga, Zoilamara Duarte me chamou atenção. Ela, que reside há mais de 40 anos no bairro, luta por esta questão em sequência do pai,  fez um paralelo entre o tempo que a comunidade aguarda esse trabalho ser realizado e minha idade cronológica, me dizendo: “Foi preciso nascer um prefeito para vir resolver nosso problema”. E assim estamos fazendo, junto com uma excelente e empenhada equipe do Daeb, da Seinfra, que não medem esforços para ver os problemas da cidade sendo resolvidos.
Em sequência a este trabalho, a autarquia também passará a trabalhar em dois locais que têm o trajeto interrompido em dias de excesso de chuvas. São eles, as pontes baixas do Passo do Onze e da rua Ernesto Médici, no bairro Presidente Vargas, onde serão erguidas estruturas de dois metros de altura e dois de largura.
Tendo que trabalhar por estes dois extremos, o excesso e a falta, tiramos muitas lições para nosso dia a dia, principalmente de que, mesmo sem as condições ideais, temos que continuar trabalhando, buscando as soluções para cada momento oportuno e acima de tudo, tentar resolver, seja de forma temporária ou definitiva, os problemas da nossa cidade. O aprendizado disto é que não se deve esperar pelas condições ideais para agir.


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