No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

A retomada dos grandes desfiles farroupilhas
Publicado em 22/09/2017

Divaldo Lara

Prefeito de Bagé
Divaldo Lara

Realizamos, no dia 20 de setembro de 2017, um grande desfile de homenagem à tradição gaúcha. Atrevo-me a dizer o melhor dos últimos anos. Mil e duzentos cavalos desceram a avenida Sete de Setembro. E, para que isso acontecesse, a prefeitura tomou as providências necessárias com antecedência, disponibilizando exames de mormo (doença debilitante dos equinos) com 56% de desconto. Ou seja, o exame que custava 140 reais passou para 61 reais. O que só se tornou possível pelo diálogo e a parceria realizada com a Inspetoria Veterinária e o laboratório Pró-Turfe, responsável pela coleta. Para isso, dois veterinários da prefeitura trabalharam na análise das amostras.
A união de trabalho entre as secretarias de Cultura e Turismo, de Desenvolvimento Rural e Coordenadoria do Parque do Gaúcho viabilizou um desfile para orgulhar os bageenses. Trinta e cinco entidades tradicionalistas participaram. O resultado contou com mais de 15 mil pessoas assistindo e aplaudindo homens e mulheres que mantêm viva a chama da tradição rio-grandense.
Desfilei como em todos os anos. Agora que sou prefeito, a satisfação de desfilar ao lado de minha família fez-se maior ainda, é muito bom ser acolhido pelos meus conterrâneos, viver a emoção de cada bageense que preza pelo que há de melhor na cultura gaúcha. Gosto de ver a reação de quem está assistindo, é como descobrir o sentido do 20 de setembro na emoção de cada um. Estar junto às entidades e seus integrantes me faz bem, principalmente por saber que a ideia desse tipo de desfile começou em abril de 1949, quando ocorreu um grande evento de hábitos e costumes do gaúcho no estádio do Guarany, como tiro de laço, pealo e gineteada. Vieram a Bagé ginetes até da Argentina e do Uruguai. Naquele ano, surgiu a ideia de cavalarianos saírem em passeio cívico pelas ruas da cidade. Para isso, estavam todos bem paramentados com o que havia de mais autêntico ou luxuoso nos trajes gaúchos. Prepararam-se para desfilar mais ou menos 500 cavalarianos, mas choveu nos dias 24 e 25 de abril daquele ano. E o desfile se reduziu a uma apresentação no campo do Guarany, dali não saiu para as ruas como era intenção.
Mas, três anos depois, com a fundação do Centro de Tradições Gaúchas, que ainda não levara o nome de 93, aconteceu o primeiro desfile-cavalgada, que saiu do Parque da Rural, continuou por várias ruas de Bagé, até subir a avenida 7 de Setembro. Estavam, nesse ato, que chamou muita atenção, ilustres tradicionalistas como Jaime da Silva Tavares, Orsay Azambuja e Fausto Teixeira, entre tantos que ajudaram a organizar esse primeiro desfile oficial, em 12 de outubro de 1952, pouco mais de 20 dias após a inauguração do centro de tradições.
Sou muito grato e feliz por ter ajudado em 2017 a manter grandioso esse gesto de homenagem cívica à data mais significativa do Rio Grande do Sul. Sinto-me emocionado de poder continuar uma tradição que completa 65 anos. Não entregamos nossa cultura ao esquecimento. Pelo contrário, preservamos e dignificamos.
Neste ano, a organização contou com o coordenador Xiru Pereira, os secretários Cléber Carvalho e Fabiano Marimon, além de Geraldo Saliba, responsável pelo Parque do Gaúcho.
Parabéns a todos eles pela grande festa do tradicionalismo ter sido tão bem organizada.
Se foi bom em 2017, será melhor ainda em 2018, se Deus quiser.
As entidades que cultuam a tradição em Bagé sabem que podem contar com um prefeito que é atento às ações que surgem para enaltecer nossa história, hábitos e costumes; um prefeito que vive no seu dia a dia o amor pelo Rio Grande e por esta terra Bagé, a maior de todas as tradicionalistas deste sul brasileiro.
E viva o gaúcho! 
(Agradeço pelas informações históricas a Diogo Madruga Duarte e Cláudio Lemieszek)
     

Deixe sua opinião