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“O Direção”
Publicado em 27/08/2018

Cid M. Marinho

Cidade: Bagé / RS
Cid M. Marinho

ANTIGOS POPULARES DE BAGÉ.

Era um negro de estatura média, não tinha profissão nem residência fixa. Vivia às custas dos que o ajudavam, por ser pessoa com problemas mentais leves, mas também por se tratar de um individuo muito afável e comunicativo. Costumava praticar alguns trabalhos simples, como, por exemplo, limpeza ou capina, nos pátios das casas da comunidade. Mas, o que ele mais gostava, era de ser reconhecido como motorista de primeira categoria. Na sua imaginação, ele tinha um automóvel de uso exclusivo, como qual viajava por onde quer que ele andasse, inclusive, pela campanha do município. Por ser muito pobre, vestia-se com fardamento militar, que conseguia de segunda ou terceira mão. Usava também um capacete, um cinturão e um borzeguim surrado. Quando ele começava a sua viagem, pegava o automóvel, que se resumia num “guidon”, sem mais nada, e girando-o com as duas mãos, saía pelo meio das ruas em frenéticos ziguezagues. Daí nasceu o apelido “Direção”, e a figura tornou-se popular por toda a cidade e região. Certa ocasião, o Direção apareceu numa propriedade rural, todo embarrado, com as calças enroladas até os joelhos, dizendo que havia atolado seu carro num barreal próximo dali. Ele solicitou ao proprietário que lhe emprestasse um trator ou uma junta de bois, para desatolar o seu veículo que estava quase submerso. O bom homem, mandou seus empregados com uma junta de bois para socorrer o desesperado motorista. Os homens chegaram no local indicado e não conseguiram localizar o automóvel atolado. Então, o Direção esclarece mostrando parte do guidon enterrado no barro, dizendo que aquele era o seu veículo de trabalho. O Direção desapareceu, o guidon dele também teve seu fim. Essa peça no entanto, serviu para satisfazê-lo no seu desejo de ter uma condução própria, que só a sua mente desequilibrada lhe poderia proporcionar. Ele viveu guiando seu carro imaginário. E o que restou de tudo, foi o seu apelido de Direção, que ficou na memória dos que o conheceram.   Fonte de consulta: Tipos Populares de Bagé – João Coronel Sais – FAT /FUNBA (1984).  

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