Feminicídio: precisamos lutar!
Publicado em 27/02/2020

Airton Lima

Airton Lima

Deputado estadual 

Dez mulheres foram mortas somente em janeiro de 2020 no Estado do Rio Grande do Sul. Em comparação ao ano de 2019, onde três foram assassinadas no mesmo período, afirmou-se o aumento de 233,3% do feminicídio. O percentual alarmante comprova que devemos lutar pela necessidade de conscientização dos gaúchos e também fortalecer as políticas públicas que combatem estes índices.

Enquanto as tentativas de feminicídio no Rio Grande do Sul caíram de 44 para 32, os estupros reduziram de 184 para 134; as ameaças diminuíram de 3 765 para 3 359, e as ocorrências de lesão corporal passaram de 2 116 para 2 083, mulheres continuam sendo mortas em todo o Estado pelo simples fato de serem mulheres.

Desde a criação da figura típica do feminicídio e de sua inclusão no Código Penal, tivemos um aumento desenfreado neste tipo de violência, que aniquila mulheres simplesmente pela razão de gênero. Os índices alarmantes demonstram a realidade que estava oculta há décadas, o do extermínio de mulheres por homens e pessoas preconceituosas, machistas e indiferentes, que não se conformam em reconhecer o apoderamento e a igualdade da mulher na sociedade contemporânea.

Pensando na resolução deste problema, temos investido em audiências públicas sobre feminicídio e violência doméstica pelos municípios do Estado em nome da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, na qual sou vice-presidente. Somente em 2019 fechamos o ano com nove audiências realizadas e para 2020 já temos 11 outras audiências marcadas.

Apesar disto, preciso confessar que o Estado continua pecando na prevenção, pois apesar de cada dia popularizarmos mais este tema, os índices de morte de mulheres continuam a aumentar, fazendo-nos enxergar que o trabalho exercido precisa ser mais intenso. Porém, não vamos perder a esperança, mas vamos juntos levantar a bandeira de combate contra esta covardia insistindo em trazer à tona uma discussão que incentiva a denúncia prévia.


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