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Relação entre irmãos
Publicado em 15/08/2019

Folhinha

Foto: Reprodução/FS

Estudo da Universidade de Calgary, no Canadá, mostra que conviver com irmãos pode contribuir para que crianças sejam pessoas melhores, mais empáticas, gentis e compreensivas. Com base nessa pesquisa, na edição de hoje do Folhinha, a psicóloga Milena Leal explica o porquê desta relação ser tão benéfica para o desenvolvimento infantil.

A influência da convivência com irmãos no desenvolvimento infantil

Mesmo com momentos de tapas e beijos, conviver com irmão pode tornar a criança mais empática. Foi o que mostrou um estudo realizado pela Universidade de Calgary, no Canadá, publicado no periódico Child Development, divulgado pela revista Crescer. 
Os pesquisadores observaram a rotina de mais de 450 irmãos, com idades entre 1 ano e 6 meses e 4 anos, por meio de filmadoras instaladas em casa, além de questionários sobre o comportamento das crianças, respondido pelos pais. As gravações analisaram a reação dos irmãos quando os pais fingiam estar bravos ou chateados. No resultado, ficou claro que, quando as crianças se mostraram gentis, solidárias e compreensivas, influenciavam os irmãos a se comportarem de forma semelhante. 
No estudo, também foi levado em consideração a condição socioeconômica e os valores de cada família. No entanto, nenhum desses dois fatores interferiram no resultado da pesquisa. Já na questão de gênero e idade, foi observado que os irmãos mais novos não influenciam na empatia das irmãs mais velhas. E quanto maior a diferença de idade entre os irmãos, maior a influência que eles têm uns nos outros. 
Um dos autores da pesquisa, Marc Jambom, afirma que apesar de presumirmos que os irmãos mais velhos e os pais são as principais influências de socialização no desenvolvimento dos mais novos, foi descoberto que tanto os irmãos mais velhos quanto os mais novos podem contribuir para a empatia um do outro.
Para a psicóloga Milena Leal, ter irmãos é a melhor forma dos pais presentearem os filhos, na vida. São essenciais na adaptação psicossocial durante a primeira infância e refletem no desenvolvimento da criança.
Ela explica que, na infância, a relação é sempre mais difícil, pois é quando acontece o reconhecimento de si mesmo e de quem nos rodeia. “Ter alguém ali, diferente de nós recebendo de nossos pais a mesma atenção e importância é essencial para construção do ego. As brigas que acontecem se dão por uma espécie de disputa, o que também faz parte de se reconhecer no mundo”, enfatiza.
A psicóloga diz que irmãos são aqueles que despertam o amor e a ira na mesma intensidade, pois são quem nos ensinam a dividir. Dividir atenção, amor, espaço, brinquedos e a vida. “São parte de nós como se fossem extensão do nosso corpo, por isso é tão confuso entender alguém tão diferente de nós”, afirma.
Milena esclarece que é de extrema importância que os pais tenham a noção de que é nessa relação que a criança vai aprender sobre o outro, suas necessidades e peculiaridades. É nessa relação que se aprende o compartilhar e a empatia.
As relações entre irmãos oferecem um contexto importante para o desenvolvimento da compreensão da criança sobre seu mundo social, emocional, moral e cognitivo. “Acredito que crianças que têm irmãos, se tornam, com mais rapidez, seres empáticos, por conseguirem ver mais cedo a existência do outro e suas necessidades. Irmão é amigo. Mesmo longe, mesmo brigando, mesmo diferente. Fazem parte de nós”, declara a psicóloga.
Quanto aos pais, ela diz, se faz necessário que compreendam que, apesar de querer tratar igualmente os filhos, eles têm necessidades diferentes. E conversar sobre isso ajuda ainda mais a ensinar empatia. É importante entender que, por mais que a educação seja a mesma, as pessoas se constroem diferentes na mesma realidade. “Com paciência e amor, conseguimos ver essas necessidades e dar nosso melhor para suprir isso em cada um e tornar, ainda mais significativa, a relação entre os filhos”, ressalta.
 

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