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Quando meu filho vai falar?
Publicado em 20/02/2020

Folhinha

Meu filho vai falar?

Nesta edição vamos explicar para os pais de plantão como funciona o início da fala e quando devem se preocupar.

 

Início da fala: quando devo me preocupar?

O início da fala é um processo gradativo, até que atinja a maturidade. Com variações individuais entre cada criança, onde cada uma tem o seu tempo, mas é preciso observar se ela está dentro da margem estabelecida. O Folhinha conversou com a fonoaudióloga Ana Constantino, que na edição passada  falou um pouco sobre a introdução alimentar, agora, a profissional aborda o desenvolvimento da fala.

 “Não adianta ter apenas uma das coisas, a criança precisa ter o estímulo, que vem do meio onde ela está inserida e também ter uma musculatura apropriada”, enfatiza Ana.

A comunicação, antes do início da fala, acontece pelo olhar, gesto, expressões faciais e corporal. “Eu preciso enxergar que aquele outro é uma pessoa diferente de mim, eu preciso fazer essas trocas, entender que dependo daquele outro”, observa a fonoaudióloga.

Essas considerações são observadas na fase pré-linguística, que é quando a criança vai desenvolver a intenção comunicativa, a partir dos 6 meses de vida. Essa fase acontece quando o bebê já está interagindo, sorrindo, olhando, brincando do jeito dele. Por volta dos 9 meses de idade ele entende o outro. E aí começa com a atenção compartilhada. “Já vejo o outro, já vejo eu e já vejo que pode ter mais alguma outra coisa; já estou brincando com uma outra coisa; tem uma bolinha ali no meio, que eu estou jogando e interagindo”, discorre Ana.

Antes de 1 ano a criança está compartilhando, está pedindo e mostrando que quer algo.

A profissional explica que é do  jeitinho dela, mas pede alguma coisa. “ Vai usar, por exemplo, em vez de água, 'ada, aga', depende de cada criança, mas, com certeza, vai pedir de alguma forma, com uma palavrinha”, explica.

O primeiro ano de vida é o período crítico para o inicio da fala, chamado período ouro, porque é um ano de experiência auditiva em que a criança começa a reconhecer os sons específicos da língua e começa a devolver o que ouviu. Ana comenta sobre a importância do teste da orelhinha que é feito logo após o nascimento do bebê, “para que possa descobrir se a criança tem algum problema auditivo e que possa de imediato ser tratado até os 6 meses, para que não seja perdido esse período ouro”.

Importante ressaltar que se essa criança está em um meio que tem uma estimulação adequada, não tem ninguém cobrando que ela fale, que está com a musculatura certinha, então ela vai se desenvolver naturalmente e gradativamente. “Se estiver dentro de um meio que tem linguagem, que está cantando, brincando, contando histórias para aquela criança,  naturalmente, ela vai se desenvolvendo”, comenta. Também é necessário que não seja reforçada a palavra errada nem estar toda hora corrigindo a criança. A profissional diz que é preciso que o adulto dê o modelo da palavra certa e não repita o que a criança falou. “Não reforça para ela que aquilo que ela falou está certo, porque não está e ela vai entender que aquilo é o certo. Então, de uma forma lúdica, brincando, passa para ela a palavra correta”, elucida.

Degrau por degrau a criança vai aprendendo, em um processo de troca das palavras, vai perceber que não está falando que nem o adulto, então, aos poucos, ela vai trocando, até chegar na forma como escuta, então, ela produz. A expectativa é que esteja tudo perfeito até os 5 anos de idade. “A ordem da aquisição da fala é fisiológica, onde o início vem da boca, vem da frente para trás, da ponta da língua. Até chegar por volta dos 4 anos e meio para adquirir todo o resto. Não dá para esperar que com 5 anos ela esteja ainda errando o que poderia ter aprendido com 1 ano”, ressalta.

É preciso estar atento a cada mudança, se é uma criança que por volta dos 3 anos, ela tem muita dificuldade em se comunicar, não fala nada que se entenda, então é preciso que algo seja feito, porque nessa idade, ela já teria que estar com metade do fonológico adquirido. “Quando ela está trocando por coisa que não tem nada a ver, então é uma criança que tem uma maior dificuldade, tem um atraso e que tem que levar em uma fonodióloga para ser observado e avaliado, se está dentro do padrão ou não”, complementa a profissional.

Existem sinais de risco, por isso não é preciso esperar para procurar ajuda. São eles: dificuldades na gestação/parto; prematuridade; baixo peso ao nascer; deficiência auditiva; lesões neurológicas; distúrbios cardiovasculares; respiratórios; síndromes; desnutrição; e privação sensorial. “O bebê que não te olha e não interage tem algum risco para o desenvolvimento. Os pais tem que levar o quanto antes no especialista ou uma avaliação pediatra. Essa é uma criança que tem que ter um outro olhar, porque ela pode ter um mau desenvolvimento”, argumenta.

 

É tempo de recreação na escolinha O Gato Xadrez: mãos que criam
Mãos que aprendem enquanto modelam!
A massinha de modelar é um recurso simples e não pode faltar nas aulas de Educação Infantil.
Além de ser uma brincadeira, ela possibilita desenvolver nas crianças a coordenação motora, a criatividade, concentração e oralidade. Descobrem novas formas, cores e texturas, além de outros benefícios para o desenvolvimento infantil, por exemplo, a socialização dos pequenos.
Nessa atividade foi disponibilizado para os alunos  do Maternal I, massinha de modelar e forminhas com diferentes tamanhos e formas para que as crianças pudessem explorar e criar livremente suas obras de artes. Para mais informações entre em contato com a escola pelo telefone (53) 3312 0301. O Gato Xadrez fica na rua Bento Gonçalves, 226, em Bagé.

 

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