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Matéria especial - Crianças inseguras
Publicado em 09/05/2019

Folhinha

Foto: Alina Souza / Especial FS

O que é a insegurança infantil? Como é a criança insegura? Quais os principais motivos que podem gerar sentimentos de insegurança? Como lidar com uma criança insegura? A psicóloga Joice Boemo explica essas questões e como podemos ajudar a superar isso.

Você tem medo de quê?

O desenvolvimento do sistema emocional humano envolve uma complexa interação entre fatores biológicos e experiências vividas pelas pessoas. A psicóloga Joice Boemo explica que as sensações de segurança e insegurança fazem parte da formação do psiquismo e estão relacionadas com as satisfações e frustrações vividas ao longo da vida.
Segundo ela, a insegurança infantil é caracterizada pelo sentimento de incapacidade diante de uma situação desconhecida ou ameaçadora. A criança pode manifestar através do medo, da angústia e da preocupação ou expectativa apreensiva, dificuldades em lidar com situações diárias.
É importante, para Joice, ser observador e tratar as emoções da criança com empatia, afeto e auxiliar na resolução dos problemas que originaram emoções negativas, diminuindo a ocorrência futura de tais emoções.
Estilos excessivamente protetores estão relacionados com o desenvolvimento e personalidade mais insegura, a falta de promoção de autonomia na infância está vinculada ao comportamento de dependência, fracasso e vulnerabilidade.
“O modo como os cuidadores reagem às emoções da criança é um fator importante. Ignorar ou minimizar constantemente o sentimento da criança resulta em aumento de insegurança e ansiedade, reagir com raiva ou criticar a expressão da criança afeta negativamente toda a regulação emocional”, enfatiza a profissional.
Joice define: Uma vez que temos o diagnóstico e detectamos uma criança insegura, é hora de entendê-la e poder reconduzir pouco a pouco o comportamento. Os feedbacks positivos, individuais e não comparativos são efetivos, auxiliam na motivação e autoestima, enquanto a maior quantidade de toque entre uma criança e os cuidadores gera maior segurança e melhores índices de bem-estar físico e psicológico, promovendo resiliência para situações futuras.
A correria do dia a dia, o pouco tempo passado com os filhos, as relações interpessoais mais escassas e o aumento das relações virtuais podem sim dificultar que as crianças atravessem os conflitos inerentes ao desenvolvimento, e precisem de algum tipo de apoio. Nestes casos, os pais devem procuram orientação profissional.

Como é a criança insegura
A criança insegura não confia em si mesma, nem nas habilidades, nem qualidades. Trata-se de uma criança com baixa autoestima e pouca tolerância à frustração, muito sensível a qualquer crítica e que pode se render ao primeiro contratempo. É uma criança que:
- Duvida muito diante de qualquer decisão que deva tomar;
- Apaga ou risca muito os desenhos ou exercícios escolares;
- Mostra temor diante do erro e prefere se inibir antes de fracassar;
- Frustra-se facilmente;
- Obtém um baixo rendimento escolar;
- É altamente dependente, pouco autônoma, que sempre pede ajuda a um adulto;
- Custa fazer amigos e quando o faz são crianças de menos idade do que ela, com quem se sente mais confortável;
- É possível que expresse a insegurança mediante a desobediência e a agressividade ou totalmente o contrário, sendo vergonhosa, passiva ou submissa;
- Avalia-se negativamente e não acredita em si mesmo. Pode verbalizar sempre que não pode;
- É uma criança com muitos medos, impróprios para a idade ou muito mais intensos do que era de se esperar;
- Tem pesadelos ou problemas para conciliar o sono.

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