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Matéria especial - Como lidar com o bullying?
Publicado em 13/06/2019

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Antes mesmo de ter um nome, o bullying já existia. As briguinhas entre colegas, implicâncias e brincadeiras de mau gosto, até pouco tempo, eram pouco sistematizadas e estudadas. Hoje, temos mais informações sobre este ato de violência que acaba atingindo muitas crianças, principalmente em ambiente escolar. Para esclarecer mais sobre isso, conversamos com a psicóloga Claudia Corral, que enfatiza a importância de ações preventivas.

Bullying: conscientização e prevenção

A psicóloga Claudia Moscarelli Corral é autora do livro “Bullying: um fenômeno sem rosto”. Para ela, esta atitude de violência acontece entre iguais, sejam crianças ou adultos.
O bullying tem características, segundo ela, próprias que o definem, como a presença de um agressor, de uma vítima e de uma testemunha, por exemplo. Pode ser uma pessoa ou um grupo que age sobre um outro indivíduo ou grupo, de forma violenta, com intimidações, humilhações, sejam verbais, físicas, nas relações interpessoais (exclusão de atividades) ou materiais (quebrando ou tirando pertences).
Para ser considerado bullying, esses atos precisam ser repetidos algumas vezes seguidas, define a psicóloga. Entre os sinais que podem ser identificados em uma criança que sofre essa violência, estão: dificuldades na aprendizagem; fobia escolar; após o problema instalado, aparecem sintomas como ansiedade e depressão; em casos extremos de sofrimento, a vítima de bullying pode vir a cometer suicídio.
Para isso, Claudia afirma que se faz necessário um acompanhamento psicológico, assim que a situação for identificada. Além dos sinais acima citados, uma criança que sofre agressões pode, futuramente, passar de vítima para agressor e reproduzir a violência que sofreu, até mesmo na vida adulta.
“Violência é um ciclo. Aquele que agride, também pode ser vítima”. Claudia chama a atenção para esta afirmação. Quando identificado o agressor, é necessário atentar que a punição não é a solução e, sim, um tratamento para essa criança. “É preciso investigar. Quem comete bullying, também pode estar sendo vítima de algum tipo de violência”, enfatiza.
Nesta perspectiva, ela comenta a frase senso comum: “Se fulaninho te bateu, vai lá e bate de volta”. Para a profissional, isso não resolve o problema. Pelo contrário, está fortalecendo uma atitude desagradável, incentivando mais a violência.
Claudia defende o papel fundamental da presença de profissionais técnicos trabalhando preventivo dentro da escola. “O psicólogo escolar, é visto como mediador nas relações de conflito. Ele auxilia o professor em como lidar com essas crianças. Além disso, ajuda a dar a ele conhecimento suficiente para não tratar a situação com senso comum e incentiva a participação em ações de prevenção”, explica.
Para finalizar, Claudia enfatiza a importância de se trabalhar nas escolas o que ela chama de “educação para os direitos humanos”, desde cedo. “Isso é trabalhar os direitos e os deveres. Ensinar que para cada direito, existe um dever. Por exemplo, se temos o direito de estar em um ambiente agradável, também temos o dever de respeitar’, ressalta.

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável na escola:
• Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões;
• Estimular os estudantes a informar os casos;
• Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema;
• Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar;
• Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
• Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.

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