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Estímulo da linguagem na infância
Publicado em 22/08/2019

Folhinha

Foto: Reprodução/FS

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Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento pleno das potencialidades de toda a criança. Na edição de hoje, a fonoaudióloga Francine Coelho explica como entender e estimular a linguagem na infância com jogos educativos, considerada uma das principais formas para o desenvolvimento pleno.


Desenvolvimento infantil: interatividade e comunicação

Antes mesmo de começar a falar efetivamente, a criança já apresenta maneiras de se comunicar, pois já está habilitada desde o nascimento a usar o olhar, a expressão facial e o gesto para comunicar-se com os outros.
Por isso, segundo a fonoaudióloga Francine Coelho, é importante que pais e cuidadores estabeleçam os vínculos afetivos e comunicativos com a criança, enfatizando o tom de voz e as expressões faciais. Quando a voz, as palavras e as expressões faciais do adulto comunicam conjuntamente a mesma mensagem, o significado compreendido pela criança é mais consistente. 
Para a profissional, é essencial que esse estímulo seja feito com frequência durante os três primeiros anos do bebê, já que, até esta idade, acontece o amadurecimento do maior número de conexões das vias neurais.
Francine explica que nessa fase os pequenos gostam de usar fantasias, brincar de serem outras pessoas, de serem heróis. Os jogos de faz de conta, teatro de fantoches, atividades de simulação/imitação podem favorecer o desenvolvimento. “Uma ação simples, como dar um telefone de brinquedo, para simular ligações, também pode ajudar a gerar resultados positivos para a comunicação da criança”, comenta.
A fonoaudióloga diz que a principal maneira de estímulo é por meio da interatividade. Conversar, cantar, brincar, desenvolver atividades que façam com que as áreas do lobo frontal associadas à linguagem, ao movimento, à cognição social, à autorregulação e à solução de problemas sejam ativadas, o que gera benefícios para toda a vida.
Para manter esse estímulo, Francine afirma que é importante repetir atividades, utilizar jogos educativos, além de realizar ações que auxiliem no aprimoramento das habilidades que a criança não atingiu, mas que já seriam esperadas para a idade dela. Entre as opções recomendadas, está buscar brincadeiras em grupo para que uns possam auxiliar aos outros.
“Brincadeiras aparentemente simples como as de esconder/achar ou de cheirar o chulé, podem ser ricas para estimular o reconhecimento de expressões faciais, do tom de voz e dos significados das palavras”, descreve a fonoaudióloga. 
Essas brincadeiras possibilitam ao adulto utilizar diferentes expressões e tons de voz, por exemplo, para demonstrar alegria, tristeza, seriedade, braveza, etc. A criança, aos poucos, associará as palavras utilizadas na situação à voz de alegre, por exemplo, com as expressões faciais e corporais desse sentimento.
Jogos como de memória, completar sílabas e que incentivem a identificação de onde vem determinado som são fundamentais nesta fase do aprendizado, por serem formas de estimular o sistema neurológico que está em desenvolvimento. Jogos de tabuleiro, podem ajudar a criança a entender o significado de regras e a lidar com a competição, além de aprimorar a capacidade de atenção e de manter o foco em uma atividade.
Nesse contexto, o fonoaudiólogo, explica Francine, é o profissional responsável pela avaliação e estimulação da linguagem e da fala dos pequenos. 
Caso haja alguma dúvida se o desenvolvimento da criança está dentro do esperado, ou se alguma intervenção deve ser realizada, é este profissional que saberá como conduzir, auxiliando pais, cuidadores e professores nesse processo.
Segundo ela, quanto mais cedo for estimulada a compreensão e a expressão da linguagem, melhor será a comunicação e o aprendizado escolar. “Toda criança tem o direito de receber o melhor estímulo para se desenvolver de modo saudável e feliz”, ressalta.
 

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