Crianças e a ansiedade
Publicado em 28/11/2019

Folhinha

Foto: Reprodução/FS

capakids

Como seu filho se comporta com a chegada do fim do ano? Neste período, a preocupação com as notas da escola costuma aparecer junto à empolgação das férias. Para lidar com esse comportamento, é preciso observar se crianças e adolescentes estão apresentando ansiedade ou se apenas têm grandes expectativas. A psicóloga Milena Leal dá dicas, nesta edição, de como conduzir essas situações.

Como lidar com a ansiedade nas crianças?

Todos nós experimentamos ansiedade. inclusive, ela pode ser útil em determinados momentos. Por exemplo, ficar ansioso antes de fazer um teste ou entrevista ou de falar em público pode servir como estímulo para nos preparamos melhor para essas ocasiões.
Com as crianças não é diferente: elas têm medo e ansiedade com frequência. Contudo, a maioria dos medos e ansiedades infantis são normais – muitas vezes decorrentes do processo de aprendizagem em cada fase – e é comum que desapareçam naturalmente. 
A ansiedade passa a ser um problema quando se torna disfuncional e impede a criança de realizar tarefas simples, como dormir, brincar com outra criança ou ir à escola. 
Para a psicóloga Milena Leal, o fim de ano, por cultura, já tem um ar de encerramento e recomeços. Para ela, os adultos ficam ansiosos esperando por isso e, desde sempre, passam essa sensação para as crianças. 
A profissional diz que crianças precisam de rotina, porque isso as ajuda a se organizarem emocionalmente. E quando existe alguma mudança nessa rotina, isso pode deixá-las ansiosas e sem conseguir interpretar sentimentos e pensamentos. Isso acontece muito, explicita a psicóloga, quando é necessária alguma mudança de escola ou até mesmo com relação às apresentações de fim de ano.
Na escola, também começa a ansiedade pelas tão esperadas férias. Para alguns, afirma Milena, também tem a ansiedade de atingir as notas necessárias para passar de ano. 
A psicóloga explica que, ao atingir as metas, as crianças projetam como será o novo ano que as espera. Isso quer dizer, o que irão fazer nas férias, quais os lugares irão conhecer. 
“Adultos costumam ficar ansiosos quando se sentem incapazes de controlar o que está acontecendo ao seu redor. Não conseguimos controlar nossas reações e sentimentos de imediato. Nas crianças esse mesmo fator é mais intenso, pois possuem ainda menos recursos emocionais para lidar com isso”, explica Milena.
Para a psicóloga, nem toda a ansiedade é ruim. Às vezes, a expectativa é significativa e, para a criança, as projeções que acontecem na sua cabeça são maiores do que realmente parece ser. “Para lidarmos com isso, precisamos lembrar que um dia também fomos crianças e que, aos poucos, fomos aprendendo a lidar com nossas ânsias”, diz Milena. 
“A melhor maneira é ouvir o filho. É dialogar sobre as sensações dele. Rompantes emocionais são avisos que algo está errado, mas que não pode ser verbalizado. Portanto, acredito que a melhor maneira de lidar com as ansiedades que nossos filhos apresentam é ouvi-los e conduzi-los a criar recursos para solucionar dentro deles o que os incomoda”, declara a psicóloga. 
Para ela, os pais são catalisadores. Já as crianças, anseiam em descobrir, em saber. A melhor maneira de lidar com isso é ajudando a entender seus sentimentos.

 

Deixe sua opinião