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Aprendendo a se virar sozinho
Publicado em 13/02/2020

Folhinha

Foto: Divulgação/FS

FOTO 1 - Aprendendo a se virar sozinho

Nesta edição, vamos falar sobre o começo da introdução alimentar, etapa importante para o desenvolvimento infantil.


Introdução alimentar: um processo de aprendizado
Segundo o Ministério da Saúde, a partir dos 6 meses de idade, o organismo da criança já está preparado para absorver alimentos diferentes do leite materno, que são chamados de complementares.
A introdução alimentar é um processo de aprendizagem, pois o bebê viveu os últimos 6 meses só se alimentando de leite materno ou fórmula. Depois, ele  começa a conhecer a colher, novos sabores, texturas e consistência. Assim, como todo o começo de qualquer atividade é sempre de descoberta, a experimentação alimentar não é diferente.
É preciso entender que se o pequeno fechar a boca e não quiser comer, a mãe não deve obrigá-lo. O forçar pode gerar a seletividade e o bloqueio, inclusive, a criança pode começar a se negar a comer. A apresentação começa com a papinha, porém, até um 1 ano, a criança tem que estar comendo na consistência igual a do adulto. Contudo, o leito materno, nessa idade, é o alimento principal. O ideal é amamentar até os 2 anos.

FOTO 2 - A introdução alimentar dos bebês precisa ser algo prazeroso


Mas por que começar a alimentação complementar somente aos 6 meses?  Para começar a introdução é preciso observar o estado de prontidão fisiológica, que é quando a criança já consegue sentar sozinha; se movimentar para pegar e levar objetos até a boca; fica de olho na comida do adulto e parece pedir e, sobretudo, já brinca com os alimentos. Esses são sinais que o bebê está pronto, mas eles só aparecem entre 5 e 9 meses. Assim, a criança pode se virar sozinha. Antes dos 6 meses, ela não tem tônus e postura; não consegue coordenar o alimento na boca e nem fazer todo o movimento da língua. 
O Folhinha conversou com a fonoaudióloga, Ana Constantino Sousa, que estuda esse tema. A prossifional ressalta algumas dicas que vão fazer a diferença nessa etapa.

“A criança podendo pegar o alimento vai entender o que é, através da textura, da cor, da temperatura e da forma. Assim, ela vai saber que se fazer muita força vai acabar esmagando, então da próxima vez, aos poucos, ela vai moderando na força, mexendo de forma diferente para levar até a boca. Assim, é melhor do que a pessoa coloca na boca dela, através de uma colher, pois o bebê não sabe o que tem ali”, explica Ana. 
De acordo com a fonoaudióloga, com isso o tão temido engasgo fica mais difícil de acontecer, porque quando a criança já conhece o alimento, ela pega e entende a força que precisa fazer. Segundo a profissional, por isso é fundamental o “se virar sozinha”, assim ela vai aprendendo, vai ser melhor e mais rápido.  Pode não comer muito, mas o resultado vai ser mais positivo a longo prazo. “Vai ser uma criança que lá pelos 2 anos, quando acontece o período de seletividade, vai participar mais, se alimentar melhor, pois tem uma relação mais prazerosa com o alimento”, complementa a profissional.
No início é uma questão de aprendizado, até que seja realmente um aporte nutricional. Se for uma criança que ainda está molinha e não tem coordenação, não vai conseguir dar conta dos pedaços, pois será preciso amassar mais e ajudar um pouco mais.

 
FOTO 3 - Um processo que envolve o "brincar"


Alguns cuidados na hora de preparar o alimento
Para que essa criança pegue o alimento e coma sozinha é preciso que ele esteja preparado para esse fim. Deve ser alimento que não tenha risco de engasgo. Primeiro, a fruta tem que ser cortada em tirinhas, nunca em formato cilíndrico. Evite cortes transversais pequenos, pois estes correm o risco de serem engolidos inteiros. Cozinhe os alimentos mais duros ao ponto de desmanchar quando o bebê apertar com a gengiva. Os pais podem testar a consistência, colocando na boca e tentar amassá-lo com os lábios, se conseguir desmanchar, é o ponto ideal. 


FOTO 4 - Alimentos cortados em tirinhas para que não tenha nenhum perigo de engasgue


Modelos de introdução alimentar
Tradicional –  mantendo a atenção da criança “aviãozinho”, oferecida por colheradas, alimento esmagado ou triturado. 
Responsiva – tanto a mãe quanto a criança prestam atenção no que estão fazendo, continua sendo alimento esmagado, mas a mãe está esperando e respeitando os sinais da criança. É nesse momento que o pequeno mostra que quer, então a mãe oferece.
Participativa – após observar os sinais de prontidão da criança, o horário da refeição é o mesmo dos adultos, pois participam juntos do processo. Os alimentos são apresentados de forma que a criança possa pegá-los e guiar a própria alimentação, permitindo o auxílio do adulto, que espera as respostas do pequeno e respeita os sinais de fome e saciedade. “Na alimentação participativa, os alimentos são separados, para a criança ver o que está comendo, pegar o que quiser e, inclusive, brincar. O poder brincar é muito importante nesse primeiro momento, ela vai pegar, soltar e isso leva a ter uma relação mais afetiva com a comida, diferente dela só ter alguma coisa que nem sabe o que é, que vem direto do prato e entra na boca”, orienta, Ana.


Engasgue x reflexo de gag


É mais comum que a criança engasgue com líquido do que com o sólido, porque o líquido tem um fluxo mais rápido. As pessoas confundem um pouco porque logo no início seja com pedaço ou papa, tem o reflexo de gag que são tipo as arcadas que o bebê faz após ingerir, porém esse reflexo é normal porque é protetor e todos os bebês têm. “Quando tu ofereces um alimento para uma criança que só se alimentou de líquido, ela vai desencadear o reflexo de gag, por isso as pessoas confundem com o engasgue. É normal, vai ter o reflexo, o alimento vai voltar, a criança vai colocar de volta, manusear e engolir normal. Mas isso desaparece nas primeiras semanas, assim que ela aprender a movimentar o alimento”, explica.
Não alimentar a criança enquanto ela estiver correndo, brincando, olhando desenho, justamente por não estar prestando atenção na comida.  O engasgo é muito mais frequente em uma criança que está desatenta, pois está fazendo outras coisas, menos prestando atenção na comida, do que naquela que está ali brincando com o alimento. Tem que estar sentada na cadeirinha e participar, para que esteja preparada para aquilo. 
Caso sinta necessidade de tirar um pedaço de alimento da boca do bebê: coloque seu dedo indicador entre a gengiva e a bochecha deslizando até o fundo da boca, traga o pedaço para frente, fazendo uma varredura no céu da boca, de trás para frente.

FOTO 5 - A criança precisa estar atenta ao que está fazendo


O que a fonoaudiologia tem a ver com isso?
A forma como a criança está começando a comer influencia na maneira como vai desenvolver os músculos da fala. “Isso é um pacote não adianta a gente olhar só um ângulo; só o que a criança está falando, se a gente não presenciar o pacote inteiro, observando como que ela está usando todos os músculos, bochecha, lábios, língua, enfim,” complementa Ana. O fonoaudiólogo habilita/reabilita funções relacionadas à respiração, sucção, mastigação, deglutição, expressão facial e articulação da fala, propiciando melhores condições de vida e de comunicação.

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