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Vacinação depois dos 60 anos: o que é preciso saber
Publicado em 04/07/2019

Folha Saúde

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Com a expectativa de vida mais elevada, nos últimos anos, se acompanha um movimento de maior promoção de qualidade de vida para o idoso. É comum surgirem muitas dúvidas sobre, por exemplo, quais os benefícios e os riscos da imunização, quem deve recebê-la, quais as vacinas oferecidas, entre outras. Na edição de hoje, a médica geriatra Alice Fernandes esclarece diversos pontos a respeito deste assunto.

Vacina para idosos: qualidade vida aliada à prevenção

Devido às alterações imunológicas ocorridas ao longo do processo natural de envelhecimento, os idosos são mais suscetíveis ao surgimento de algumas doenças.
Os objetivos da vacinação na faixa etária após 60 anos, segundo a médica Alice Fernandes, também responsável pelo centro clínico e de vacinação Clinipampa, são a prevenção e a promoção da saúde. Como principais benefícios pode-se ressaltar a diminuição no número de hospitalizações e mortes de quem se vacinou, com melhoria na qualidade de vida.
De acordo com Alice, o Programa Nacional de Imunizações e Sociedade Brasileira de Imunizações disponibiliza doses contra influenza, tétano e difteria, além da vacina contra pneumococo, entre outras.
“Estas vacinas são recomendadas aos idosos porque estes são mais susceptíveis às doenças pulmonares agudas e suas complicações em consequência da gripe. Também porque muitos idosos nunca foram vacinados contra o tétano, pois a vacinação de rotina só foi introduzida na década de 70 (mais direcionada à população infantil)”, explica. Além disso, é importante salientar que a proteção contra o tétano e a difteria, mesmo para os vacinados, declina com a idade.
A vacina contra o pneumococo é indicada para pessoas com 60 anos ou mais, em grupos específicos (o médico deve ser consultado para saber se há indicação de receber a vacina) e é aplicada em dose única.
A vacina dupla tipo adulto (dT = difteria e tétano) é aplicada via intramuscular. Se a pessoa já estiver vacinada com três doses, receberá apenas uma dose de reforço a cada 10 anos. Para os que nunca foram vacinados ou não sabem se receberam a vacina, será necessário fazer todo o esquema vacinal, conforme orientado pelo médico, com reforços também a cada 10 anos.

Imunização contra gripe

A vacina contra o vírus da gripe, de nome Influenza, como esclarece a médica geriatra, é o meio de realizar a prevenção da doença, com o objetivo de reduzir sua severidade e evitar complicações, como a pneumonia e até a morte.
Este vírus é transmitido de pessoa para pessoa, através das vias aéreas superiores (tosse, espirros) e pode causar dor de garganta, dor de cabeça, tosse, dor no corpo, secreção nasal, lacrimejamento e febre. Entretanto, esta última pode estar ausente no idoso, fato este de fundamental importância clínica para evitar fatais erros de diagnóstico.
O nome do vírus da gripe – Influenza - tem origem na palavra influencia. Ou seja, a influência da estação fria, acreditando-se na contribuição das condições climáticas no surgimento das epidemias da doença.
O vírus da gripe frequentemente sofre alterações em sua estrutura. Por isso, a cada ano a vacina poderá necessitar sofrer alterações na composição para manter a eficácia.
A imunização funciona no organismo por estimular a produção de anticorpos contra aqueles tipos de partículas do vírus contidos na dose. Caso a pessoa entre em contato com um vírus diferente do da vacina, terá gripe, como se não tivesse sido imunizada. Se a exposição ao agente infeccioso for muito intensa, mesmo que a vacina tenha estimulado a produção de anticorpos contra este, poderemos apresentar gripe. Além disso, os idosos, as pessoas com doenças crônicas graves e aquelas com a imunidade comprometida têm menor resposta a vacina.
Alice conta que a vacina contra a gripe deve promover, atualmente, uma proteção de 70 a 90% em adultos saudáveis e de 60% em idosos. Neste ponto, ela chama a atenção: “Não protege 100%! Para evitar falsas conclusões como: ‘tomei a vacina e me gripei, que absurdo!’ Isso, na realidade, pode acontecer, sim”, enfatiza.
Nos idosos, ela reduz em 40% a mortalidade e de 30 a 40% as internações por pneumonia e outras complicações da gripe. “Sabe-se que a vacina da gripe é mais eficaz em reduzir os sintomas mais graves da doença do que a infecção propriamente dita”, declara Alice.
A resposta imunológica do organismo à vacina ocorre em média duas semanas após a imunização, atingindo o efeito máximo em quatro a seis semanas, mantendo-se por até quatro meses e caindo após o sexto mês. Entretanto, são mantidos anticorpos na circulação sanguínea até um ano após a vacinação. A revacinação deve ocorrer anualmente e, preferencialmente, na época que antecedem os meses de frio mais intenso, pois nesta estação ocorre o maior número de casos de gripe e a ação da vacina tem o efeito máximo após um mês da aplicação.

Dúvida frequentes

A vacina pode provocar gripe?
Não. Porque ela é composta de pequenos pedaços de vírus mortos e, assim, não existe risco de produzir gripe.
Posso ficar gripado mesmo tendo tomado a vacina?
Sim. Por dois motivos: a pessoa já estava contaminada previamente à vacina, ou porque não deu tempo de a vacina produzir anticorpos no organismo contra o vírus, pois ela precisa de, pelo menos, duas semanas para ter o efeito desejado.
Que reações posso apresentar após tomar a vacina?
A vacina é muito segura, mas poderá ocorrer vermelhidão no local da aplicação e dor leve. Raramente poderá ocorrer mal-estar, febre baixa e dor no corpo, mas, quando aparecem devem desaparecer em até dois dias.
Quantas vezes terei que tomar a vacina?
Uma vez por ano, todos os anos, pois o vírus da gripe se modifica muito rapidamente. Provavelmente, o vírus “da moda” do próximo ano será diferente do vírus deste ano. Assim, a vacina a ser aplicada no próximo ano será baseada nas características do vírus esperado.

A médica deixa o recado: “Lembre-se sempre de que curar é caro e doloroso e que prevenir é mais barato e confortável. Vacine-se”.
                                                                            

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