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Um alerta para o sarampo no Brasil
Publicado em 15/08/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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O sarampo voltou a circular no país. Três estados estão registrando casos ativos da doença. O estado de São Paulo concentra 90% dos casos. Para prevenir o aparecimento de novos casos, o Ministério da Saúde está recomendando a vacinação de reforço para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, que moram ou vão viajar para locais onde há surto da doença. 

Fique atento ao sarampo

Segundo informações do Ministério da Saúde, o sarampo é uma doença respiratória grave, causada por um vírus, que pode ser fatal. A transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo a outras pessoas. A única maneira de evitar o sarampo é pela vacina. 
O doente apresenta febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Em torno de três a cinco dias, podem aparecer outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos.
Os critérios de indicação da vacina são revisados periodicamente pelo Ministério da Saúde e levam em conta: características clínicas da doença, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida, ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.
A vacina deve acontecer aos 12 meses de idade (1 ano), a primeira dose e aos 15 meses de idade, a segunda e última dose. Se você tem entre 1 e 29 anos e recebeu apenas uma dose, recomenda-se completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina. 
A profilaxia (prevenção) do sarampo está disponível em apresentações diferentes. Todas previnem o sarampo e cabe ao profissional de saúde aplicar a vacina adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica. 
Os tipos de vacinas são: Dupla viral - protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto; Tríplice viral - protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola; Tetra viral - protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).
As vacinas são ofertadas em unidades públicas e privadas de vacinação. No SUS, as vacinas são gratuitas, seguras e estão disponíveis nas mais de 36 mil salas de vacinação em postos de saúde em todo o Brasil.
O sarampo é uma doença grave que pode deixar sequelas ou causar o óbito. Algumas das complicações podem ocorrer em determinadas fases da vida:

Crianças: pneumonia - Cerca de uma em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas; otite média aguda (infecções de ouvido) - Ocorre em cerca de uma em 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente; encefalite aguda - uma em cada mil crianças podem desenvolver essa complicação e 10% destas podem morrer; morte - uma a três a cada mil crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações da doença.
Adultos: pneumonia.

Gestantes: mulher em idade fértil (10 a 49 anos) não vacinada antes da gravidez pode apresentar parto prematuro e o bebê pode nascer com baixo peso;
É importante se vacinar antes da gestação, pois a vacina é contraindicada durante a gestação. Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas da doença. 

Saiba quem deve se vacinar

A orientação é para crianças de 6 meses a menores de 1 ano que forem para municípios que apresentam surto ativo de sarampo. Atualmente, 43 municípios estão nessa situação. Essa vacinação deve ser feita pelo menos 15 dias antes da data prevista para a viagem. 
É importante ressaltar que essa é uma dose extra da vacina, portanto, não deve interferir na rotina prevista no calendário nacional de vacinação. Todas as crianças do país devem continuar seguindo a orientação do calendário nacional de vacinação: tomar a tríplice viral (D1) aos 12 meses de idade (1ª dose); e aos 15 meses (2ª dose), tomar a vacina tetra viral ou a tríplice viral + varicela. Todos as pessoas de 1 a 49 anos devem estar vacinadas contra sarampo. O esquema de vacinação é diferente de acordo com a idade.

Vacinação sem fake news

Para combater as fake news, o Ministério da Saúde, de forma inovadora, está disponibilizando um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. O canal não será um SAC ou tira dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira.
Qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61)99289 4640.

Panorama do Sarampo

O Ministério da Saúde registrou, nos últimos 90 dias, entre 5 de maio a 3 de agosto de 2019, 907 casos confirmados de sarampo no Brasil, em três estados: São Paulo (901), Rio de Janeiro (cinco) e Bahia (um). O coeficiente de incidência da doença foi de 0,4 por 100 mil habitantes.
O país vinha de um histórico de não registrar casos autóctones desde o ano 2000. Entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos da doença a partir de casos importados, nos estados do Ceará e Pernambuco, com 1 310 casos. Os surtos foram controlados com as medidas de bloqueio vacinal e, em 2016, o Brasil recebeu o Certificado de Eliminação do Sarampo, emitido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O Brasil perdeu o certificado em fevereiro deste ano e, atualmente, empreende todos os esforços para eliminar novamente a transmissão do vírus no país, com reforço da vacinação contra o sarampo. Manter altas e homogêneas coberturas vacinais na população é a única forma de evitar a transmissão da doença.
Até o momento, diante do atual cenário epidemiológico do sarampo, não está prevista a realização de campanhas adicionais de vacinação contra a doença, em outros locais, considerando que esta ação já está sendo realizada nas áreas onde há circulação do vírus atualmente. Ressalta-se, no entanto, que mesmo em situações de surto, a vacinação de rotina está mantida na rede de serviço do SUS, conforme as indicações do calendário nacional de vacinação e que os serviços de vacinação são estimulados a buscar a sua população não vacinada para a devida atualização.
Para saber quais municípios brasileiros estão com surto ativo de sarampo, acesse o portal www.saude.gov.br.
 

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