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​​​​​​​Tratamento para obesidade
Publicado em 29/08/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Considerada, atualmente, como um grave problema de saúde pública, a obesidade, por se tratar de uma doença crônica, atinge proporções epidêmicas nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, associada às altas taxas de mortalidade. Nesta edição do caderno Saúde, o médico gastroenterologista Jorge Kaé Filho fala dos tratamentos e indicações em cada caso.

Alternativas para o combate do excesso de peso

A obesidade é um dos problemas de saúde mais enfrentandos nos dias de hoje. Tem como características o excesso de gordura corporal, compactando algumas doenças como: diabetes, sedentarismo, depressão.
De acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada Ministério da Saúde, a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018. O sobrepeso atinge mais da metade da população (54%). 
Quando a dieta, o exercício e a medicação não demonstram ser eficazes para reverter alguns quadros, as pessoas costumam buscar uma solução eficaz e mais imediata para o problema. O médico gastroenterologista Jorge Kaé Filho explica, nesta edição, quais procedimentos se tem à disposição para tratar a obesidade e o sobrepeso.
 

Balão intragástrico
Indicado para pessoas que apresentam sobrepeso, o balão intragástrico é uma bola de silicone, extremamente resistente, que pode ficar no ambiente estomacal de seis meses a um ano. É maleável, preenchido por um conteúdo liquido, projetado para ser inflado dentro da câmara gástrica, através de endoscopia, em questão de minutos.
O principal efeito do balão vem da alteração da saciedade sentido pelo usuário, durante a estadia, especialmente nos três primeiros meses, onde mais de 70 % do efeito ocorre. A partir daí, o efeito mecânico, ou seja, a obstrução espacial começa a ser mais importante do que os outros efeitos.
Entre as vantagens está o fato de ser transitório e completamente reversível. O tratamento pode ser interrompido a qualquer momento se for vontade da pessoa ou se o caso assim pedir. É repetível. Diferentemente da cirurgia, esse tratamento pode ser realizado mais de uma vez, quantas vezes for necessário. Tem uma perda média, no Brasil, em torno de 20% do peso total da pessoa.
 

Gastrectomia vertical
Indicada para casos de sobrepeso e de obesidade moderada. Também conhecida como gastrectomia tubular ou cirurgia da manga gástrica, tem ganho muitos adeptos entre médicos e pacientes por ser uma cirurgia menos radical que as bariátricas consagradas e que pode oferecer ótimos resultados em termos de perda de peso. 
Entre as vantagens, estão o fato de não interferir na absorção de ferro, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B, diminuindo as necessidades do uso de vitaminas em longo prazo e pode ser transformada, em caso de insucesso, em qualquer outra técnica bariátrica regulamentada.
 

Cirurgia bariátrica 
Conhecida como gastroplastia e cirurgia de redução de estômago, é uma opção para pessoas com obesidade severa que não conseguem perder peso pelos métodos tradicionais. A principal vantagem é a perda de peso adequada e duradoura em quase todos as pessoas que mantêm mudança de hábito alimentar e práticas de atividades físicas regulares.
Algumas complicações podem ocorrer como infecção, hérnia, fístula, dando atenção para a carência de macro e micronutrientes, que precisam ser repostos por suplementação, pelo resto da vida. 

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Kaé frisa que, em todos os casos, é preciso cuidado com a dieta. Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, se reduz a ingestão calórica total e o ganho calórico decorrente. 
O médico alerta que os procedimentos podem necessitar de suporte emocional ou social, por meio de tratamentos específicos, para se obter melhores resultados. Portanto, é essencial que a pessoa tenha acompanhamento de equipe multidisciplinar, como a do cirurgião, clínico geral, psicólogo, nutricionista, educador físico, etc.
Infelizmente, nenhum tratamento para a obesidade é 100% garantido. Qualquer tratamento pode levar a recorrência da doença, mesmo porque se trata de uma doença crônica, multifatorial que têm aspectos comportamentais (dieta e atividade física), genéticos, hormonais, psicológicos, entre outros.

Saiba mais sobre a doença

A definição da obesidade é realizada de acordo com o índice de massa corpórea (IMC), calculado através do peso dividido pela altura ao quadrado e classificada da seguinte maneira:
IMC entre 25,0 e 29,9 Kg/m2: sobrepeso
IMC entre 30,0 e 34,9 Kg/m2: obesidade grau I
IMC entre 35,0 e 39,9 Kg/m2: obesidade grau II
IMC maior do que 40,0 Kg/m2: obesidade grau III
O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos. Pessoas obesos apresentam limitações de movimento; tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam a coluna e membros inferiores, apresentando, em longo prazo, degenerações (artroses) de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela.
A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios, por exemplo, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer, osteoartrite, apneia do sono, entre outras, o que faz com que tenham uma diminuição muito importante da expectativa de vida, principalmente quando são portadores de obesidade mórbida.
A prevenção da obesidade deve ser iniciada desde a infância, adotando hábitos saudáveis pela família e incentivando a prática de atividade física, pois a construção de tais hábitos ocorre nesta fase. A mudança do estilo de vida, que compreende reeducação alimentar e atividade física, é a base do tratamento clínico da obesidade. Sem ela, dificilmente se atingirá uma perda de peso necessária para melhorar a saúde.


 

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