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TOC: Doença que requer atenção e tratamento
Publicado em 14/03/2019

Folha Saúde

Foto: Alicia Ibañes/Especial FS

Preocupação excessiva com limpeza

Uma rotina em que a pessoa começa a adotar comportamentos repetitivos, como comer apenas um grupo de alimento; repetir roupas de uma mesma cor; ordenar por diversas vezes objetos; lavar as mãos seguidamente; ligar e desligar a luz em uma determinada ordem; preocupar-se, de forma excessiva, se a porta está fechada ou se não há vazamento de gás. Esse são apenas alguns dos comportamentos que podem indicar que a pessoa está com obsessões ou compulsões decorrentes do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).  O transtorno é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais -DSM.IV” da Associação de Psiquiatria Americana e se caracteriza pelo estímulo gerado por pensamentos obsessivos. Dessa forma, ideias e imagens passam a ocorrer na mente do ser humano, que para se livrar desses fatores, realiza "rituais compulsórios". Ou seja, desenvolve determinadas ações que darão uma sensação maior de alívio e segurança, tais como: checagem e conferência; contagem e recontagem; organização de objetos; colecionismo; entre outros. Esse comportamento que faz com que a pessoa passe a adotar ações para aliviar ou amenizar  essa sensação desconfortável, consumindo mais de uma hora por dia do tempo. Ocasionando um maior sofrimento, interferindo na própria rotina, no trabalho e nas relações pessoais. É o que ressaltam os psicólogos Andressa Severo dos Reis e Diego Rodrigues Gonçalves. Eles reiteram que no TOC, a pessoa descobre que certas manobras eliminam ou reduzem o desconforto, como: realizar rituais (lavar, verificar, repetir),  evitar, afastar e anular pensamentos ruins, evitar ou se afastar de lugares ou objetos contaminados. "Nos homens é mais comum verificações, tiques, o curso é crônico, sem estressores no início; enquanto que nas mulheres é mais comuns rituais de lavagens, o curso é episódico, estressores no início, começo mais tardio", explica Andressa.

Diferenciações Questionado de que forma uma pessoa pode diferenciar se o que tem é uma "mania" ou está sofrendo de TOC, Gonçalves aponta que o  diagnóstico de qualquer transtorno leva em consideração a intensidade, duração e frequência dos sintomas. "As manias têm a tendência de serem transitórias e acabam não afetando a saúde mental das pessoas. O TOC interfere na vida pessoal, social e no desempenho escolar", explica. Os psicólogos enfatizam que o distúrbio é produto da interação de vários componentes: genética, influências ambientais e estruturas cerebrais. Conforme os profissionais, a falta de serotonina, um mensageiro químico das células nervosas, nessas regiões cerebrais estaria associado a origem do problema. O aprendizado e o estresse podem influenciar no desenvolvimento do transtorno, existe também probabilidade genética de uma pessoa desenvolver o TOC. 

Diagnóstico Os psicólogos destacam à reportagem do Folha Saúde que as indicações são para que a pessoa busque um profissional capacitado para realizar o diagnóstico do transtorno. "A terapia é uma alternativa de tratamento para o TOC, pois por meio da mesma é possível reduzir ou aliviar os sintomas que causam ansiedade nos portadores do transtorno.  Nós costumamos trabalhar com a terapia cognitiva comportamental, essa linha busca uma psicoeducação do paciente e um tratamento elaborado e determinado de acordo com as suas necessidades", informa Gonçalves. Andressa enfatiza que, atualmente, está mais fácil de identificar e tratar o TOC, pois existem muitos estudos e pesquisas que abordam o tema, com uma evolução considerável por parte da ciência para analisar de que forma pode ser tratado o distúrbio.  "Ressaltamos que o TOC é uma doença mental grave, com uma prevalência de 3% a 4% da população mundial, sendo a 10º causa de afastamento no trabalho. A família é muito importante na identificação dos sintomas, bem  no auxílio na busca de um acompanhamento profissional", frisa Andressa.    Obsessões  As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, vividos como intrusivos e indesejáveis que invadem a consciência contra a vontade da pessoa. Eles geram muita ansiedade, medo ou desconforto e acabam interferindo nas atividades diárias e na própria relação com os outros. Conforme o texto divulgado pela Ufrgs, as obsessões também podem ser cenas, palavras, frases, números, músicas que o pessoa não consegue afastar ou suprimir. No Transtorno Obsessivo Compulsivo, as obsessões são atividades na mente do pessoa em situações rotineiras, como: chegar ou sair de casa (dúvidas e verificações); usar um banheiro público; tocar em objetos, como torneiras; maçanetas, dinheiro (medo de contaminação) ou passar perto de uma lixeira. Essas situações são avaliadas como representando uma ameaça ou como possibilidade de que ocorra alguma falha ou desastre (contaminar-se, a casa inundar ou incendiar). Dessa forma, a pessoa busca afastar essa "ameaça" ou reduzindo os "riscos" de sofrer com ela, evitando o contato com tal tipo de situação.  As obsessões mais comuns são os medos de contaminação e a preocupação com germes/sujeira, as dúvidas sobre a possibilidade de falhas e a necessidade de ter certeza. Também são comuns pensamentos, impulsos ou imagens indesejáveis e perturbadores de conteúdo violento ou agressivo, sexual ou blasfemo; pensamentos supersticiosos relacionados a números, cores, datas ou horários; preocupação em que as coisas estejam alinhadas e simétricas ou no lugar "certo" e preocupações excessivas por armazenar, poupar ou guardar coisas inúteis (colecionamento).
  Em outros transtornos mentais As obsessões não podem ser definidas como sintomas apenas do TOC. Tais características de podem estar presentes numa variedade de outros transtornos mentais, como, por exemplo, nas depressões (ruminações de culpa, desvalia ou desamparo); nos transtornos alimentares (preocupação persistente com o peso ou com as calorias dos alimentos); nos transtornos de impulsos (com aquisições, no comprar compulsivo ou com o jogo).

Compulsões Em relação às compulsões ou rituais compulsivos são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente compelida a executar para diminuir ou eliminar a ansiedade ou o desconforto associado às obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente (DSM V). São atos voluntários realizados em resposta às obsessões, com a intenção de afastar ameaças (contaminação, a casa incendiar), prevenir possíveis falhas ou simplesmente aliviar um desconforto físico. São comportamentos claramente excessivos aos quais a pessoa não consegue na maioria das vezes resistir.
  Exemplos  Lavar as mãos repetidas vezes para proteger-se de germes ou contaminação; verificar repetidamente a porta, as janelas, gás, fogão para eliminar dúvidas e ter certeza; alinhar os objetos para que fiquem simétricos ou na posição exata; acumular ou armazenar objetos sem utilidade e não conseguir descarta-los; repetições diversas: tocar, olhar fixamente, bater de leve, raspar, estalar os dedos ou as articulações, sentar e levantar, entrar e sair de uma peça, que nem sempre são precedidos por uma obsessão.
  Atos  As compulsões também podem ser representadas por atos mentais, tais como: contar, rezar, repetir palavras, frases em silêncio, repassar argumentos mentalmente, substituir imagens ou pensamentos "ruins" por imagens ou pensamentos "bons". 
  Outras ocorrências Compulsões podem ainda fazer parte do quadro clínico de outros transtornos psiquiátricos, como comer compulsivo, transtornos do controle de impulsos (compulsão por arrancar cabelos, roer unhas, beliscar-se); compulsões por comprar; adição a drogas ou álcool; jogo patológico. Nesses casos, são realizadas para obter prazer ou satisfação.  

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