Soluções para a perda auditiva
Publicado em 12/12/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Os aparelhos auditivos garantem grandes benefícios, mas muitas pessoas desistem de usá-los, mesmo antes de saber como o item pode mudar a vida dela. Isso acontece porque a adaptação leva um tempo e requer uma dose de dedicação. Para falar sobre verificação e validação desses método, a edição de hoje traz orientações da fonoaudióloga Kátia Scherer.

Desempenho dos aparelhos auditivos
Você deve conhecer ou já ouviu falar de alguma pessoa que adquiriu um aparelho auditivo, mas não usa e o deixa guardado na gaveta, por não ter se adaptado a ele? Essa é uma realidade bem comum, segundo a fonoaudióloga Kátia Scherer.
A profissional, complementa, ainda, que faz parte encontrar pessoas que fazem um alto investimento, pensando em melhorar a qualidade de vida, no entanto, embora os aparelhos apresentem uma alta tecnologia, não funcionam adequadamente nos ambientes frequentados. Esses fatos, segundo ela, são causadores de um desconforto e de um profundo sentimento de desânimo frente a perda auditiva. 
Para a fonoaudióloga, considera-se uma boa adaptação de aparelhos auditivos a combinação de melhor audibilidade dos sons, inteligibilidade máxima de fala sem desconforto, com qualidade sonora boa e consistência de desempenho, independente das condições do ambiente.
Kátia explica que diretrizes de boas práticas para a seleção e adaptação de aparelhos auditivos recomendam que determinadas etapas e práticas sejam seguidas para garantir o uso efetivo da amplificação. Tais etapas incluem:  
- A avaliação do candidato; 
- A seleção das características da amplificação; 
- A verificação do desempenho e a adaptação propriamente dita; 
- Orientação e aconselhamento ao usuário;
- A avaliação dos resultados ou validação do uso da amplificação.

Após a avaliação do candidato ao uso de aparelhos auditivos e da seleção da melhor tecnologia que comporta a perda, Kátia conta que costuma-se partir para o teste domiciliar de alguns dias de duração, momento este em que a pessoa terá oportunidade de experimentar a amplificação em diversos ambientes em que está acostumado a frequentar. Assim, terá como definir se existe o benefício na comunicação. 
A verificação é o próximo passo e pode ser realizada antes ou após a aquisição dos aparelhos. São procedimentos comportamentais (que dependem da resposta objetiva do usuário) e eletrofisiológicos. 
A fonoaudióloga diz que o ganho funcional está na verificação comportamental. Sendo assim, é realizada uma audiometria em campo livre, ou seja, sem o uso de fones, com e sem os aparelhos. Com isso, é possível verificar o ganho que os aparelhos dão a audição da pessoa. 
Outro teste para verificar o desempenho, são os de reconhecimento de fala, também realizados em campo livre, que avaliam a capacidade do usuário reconhecer e identificar a fala. 
Neste mesmo conceito, têm os testes com palavras foneticamente balanceadas, de múltipla escolha e de sentenças. 
Kátia enfatiza que os procedimentos eletrofisiológicos são mais incomuns de poder realizar em clínicas e consultórios particulares, devido ao seu alto custo. Encontra-se com frequência nos serviços públicos de saúde auditiva ou em grandes clínicas. Este procedimento chama-se ganho de inserção e é realizado em um equipamento de mensuração in situ; trata-se de um método objetivo, que não necessita de resposta da pessoa e avalia o ganho real dos aparelhos.
Para ela, a validação dos aparelhos auditivos é a medida do benefício fornecido pela amplificação refletindo em melhorias na qualidade de vida do indivíduo com perda auditiva, quer seja nas atividades de escuta propriamente ditas, quer seja no relacionamento social e estado emocional. 
Para isso, segundo a profissional, aplica-se questionários de autoavaliação, que são muito eficazes para avaliar subjetivamente os resultados do tratamento. Desde 1982 vem-se trabalhando o aprimoramento destes questionários, temos algumas versões em português.
“Esse conjunto de etapa deve ser seguido sempre que possível para que o usuário possa usufruir o melhor que os aparelhos podem oferecer. A tecnologia trabalha a favor, mas a capacidade de interpretar o real sentimento que carrega a pessoa, reflete no desempenho deste frente à comunicação que necessita”, enfatiza a fonoaudióloga.  

Os benefícios de usar aparelhos auditivos
Maior longevidade
Diversos estudos na área mostram que idosos com perda auditiva têm uma taxa de mortalidade mais elevada do que aqueles que aproveitam os benefícios de usar aparelhos auditivos.
Sentir-se menos cansado e exausto
Nosso dia a dia já é cansativo, imagina com algum tipo de perda auditiva? Exige muito mais da gente, temos que estar alerta e sempre forçando a ouvir e compreender mais. Pedir para repetir muitas vezes as mesmas coisas pode tornar-se muito cansativo no fim do dia.
Voltar a ouvir
O uso de aparelho auditivo apresenta muitas vantagens para quem tem perda auditiva, primeiramente a pessoa passa a ouvir melhor. O aparelho não restaura a audição, mas oferece uma tecnologia que torna mais fácil ouvir o que outros falam.

Os sons que o usuário não tem escutado por um longo tempo, como o canto dos pássaros, o toque da campainha da porta, o uivo dos ventos e o som do mover das águas passam a ser audíveis.
Melhor qualidade de vida
Com o tempo a perda auditiva vai levando as pessoas para o isolamento, fazendo com que não vá mais aos eventos, encontros e reuniões. Por causa de uma audição prejudicada, podemos perder e deixar de vivermos bons momentos. Os aparelhos auditivos geram ganhos muito positivos para o usuário, aumenta a autoestima e confiança, melhorando intensamente o convívio social e o próprio bem-estar.
Conforto e tecnologia
Pequenos, confortáveis, discretos e potentes, os aparelhos auditivos modernos usam a alta tecnologia para se adaptar às suas necessidades. Aliada à orientação profissional, eles têm tudo para serem grandes parceiros de vários momentos da vida.

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