No Ar
Folha do Sul
Web Rádio

Sinal vermelho para a aids
Publicado em 05/12/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

página 2. detalhe

Nova campanha contra HIV/aids estimula público jovem a realizar a testagem. O dezembro vermelho tem relação com o Dia Mundial de Luta Contra a aids, assinalado em 1º de dezembro.


Pela prevenção ao HIV/aids

O Brasil conseguiu evitar 2,5 mil mortes por aids entre os anos de 2014 e 2018. Nos últimos cinco anos, o número de mortes pela doença caiu 22,8%, de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018. Os dados são positivos, no entanto, o Ministério da Saúde acredita que 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e não sabem. 
Essas informações são utilizadas na Campanha 2019 de Prevenção ao HIV/aids. O foco é incentivar pessoas que não se preveniram em algum momento da vida a procurar uma unidade de saúde e realizar o teste rápido. Com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável. Ou seja, não pode ser transmitido por relação sexual, e a pessoa não irá desenvolver aids.
Segundo informações do Boletim Epidemiológico HIV/aids, do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (DCCI/SVS/MS), a infecção por HIV cresce mais entre os jovens. A maioria dos casos de infecção no país é registrada na faixa etária de 20 a 34 anos, com 18,2 mil notificações (57,5%). Em 2018, 43,9 mil casos novos de HIV foram registrados no país.
O boletim é publicado anualmente e apresenta informações sobre os casos de HIV e de aids no Brasil, regiões, estados e capitais. A notificação para infecção pelo HIV passou a ser obrigatória em 2014; assim como o tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independente do comprometimento imunológico. A medida trouxe mais acesso ao tratamento e aumento de diagnósticos. Com isso, nos últimos cinco anos, a tendência de queda na taxa de aids foi maior.
Em relação aos casos de aids, quando a pessoa desenvolve a doença, o Ministério da Saúde estima que 12,3 mil casos foram evitados no país, no período de 2014 a 2018. O dado foi calculado com base na taxa de casos de aids em 2014, caso ela se mantivesse ao longo desse período até 2018. Nesse mesmo período houve queda de 13,6% na taxa de detecção de casos de aids, sendo 37 mil casos registrados em 2018 e 41,7 mil em 2014. Em toda série histórica, a maior concentração de casos de aids também está entre os jovens, em pessoas de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.

Camisinha

O uso da camisinha nas relações sexuais é a forma mais eficaz de prevenção à infecção pelo HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), como a sífilis, a gonorreia e também alguns tipos de hepatites. Mas, infelizmente, nem todos se preocupam com a saúde sexual.
O Ministério da Saúde tem ampliado as possibilidades de prevenção ao HIV/aids. Até o fim deste ano, a previsão é distribuir 462 milhões de preservativos masculinos, o que representa aumento de 38% em relação ao ano passado, quando foram distribuídos 333,7 milhões de unidades. O número de preservativos femininos distribuídos pode chegar a 7,3 milhões de unidades, aumento ainda mais significativo em relação ao ano passado, 351,5% (1,6 milhões). Ainda em 2019, está prevista a finalização da entrega de 12,1 milhões de testes rápidos de HIV, fundamentais para o diagnóstico e futuro tratamento das pessoas infectadas.

Transmissão vertical do HIV

O maior número de gestantes infectadas com HIV (27,8%) está entre jovens de 20 a 24 anos. O fator foi resultado da ampliação do diagnóstico no pré-natal e, consequentemente, a prevenção da transmissão vertical do HIV se tornou mais eficaz. Três municípios brasileiros receberam Certificação de Eliminação da Transmissão Vertical de HIV, quando o vírus é transmitido durante a gestação, o parto e a amamentação. No Paraná, Curitiba e Umuarama receberam a certificação em 2017 e 2019, respectivamente; e, mais recentemente, São Paulo. A capital paulista, com 12,1 milhões de habitantes, é a cidade com maior população no mundo a receber o título.
O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar a transmissão vertical do HIV e optou por adotar uma estratégia gradativa de certificação de municípios. A eliminação da transmissão vertical do HIV, assim como a redução da sífilis e da hepatite B, é uma das seis prioridades do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A certificação possibilita a verificação da qualidade da assistência ao pré-natal, do parto, puerpério e acompanhamento da criança e do fortalecimento das intervenções preventivas.

Detecção em menores de 5 anos

De 2014 a 2018, houve redução de 26,9% na taxa de detecção de aids em menores de 5 anos. Passando de 2,6 em 2014 (386 casos) para 1,9 casos (265 casos) por 100 mil habitantes em 2018. A taxa de detecção de aids em menores de 5 anos tem sido utilizada como indicador para o monitoramento da transmissão vertical do HIV, quando a transmissão acontece durante a gestação, o parto ou amamentação. Além disso, em 5 anos, foram evitadas cerca de 350 infecções em crianças. O dado foi calculado com base na taxa de casos de aids em 2014, caso ela se mantivesse ao longo desse período até 2018.

Campanha 2019

A campanha lançada pelo Ministério da Saúde neste ano celebra as conquistas nos 31 anos do Dia Mundial de Luta contra a Aids. Com o conceito “HIV/Aids. Se a dúvida acaba, a vida continua”, a ação tem objetivo de mudar, na população jovem brasileira, a atitude e a percepção da importância da prevenção, teste e tratamento do HIV para evitar a aids. A comunicação ressalta que, caso o teste de HIV der positivo, com o tratamento adequado, o HIV pode ficar indetectável e a pessoa não desenvolve a aids. Todo o tratamento é oferecido pelo SUS, gratuito, seguro e eficaz. 

Serviço do Sais em Bagé

O Serviço de Atendimento Integral à Sexualidade (Sais), integrante da Secretaria de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência, além de realizar frequentes ações de prevenção e informação sobre a transmissão do HIV, oferece atendimento psicológico e nutricional, serviço médico e entrega de remédios antirretroviral. O Sais atende mais de mil pessoas por mês, entre serviços relacionados a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), aids e hepatites.
Com equipe multiprofissional, disponibiliza o suporte necessário para que os pacientes recebam o atendimento e a garantia do tratamento, a melhora do diagnóstico, a ampliação do acesso à testagem e a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento. Atende também os municípios de Aceguá, Hulha Negra, Candiota, Dom Pedrito, Lavras do Sul, Santa Maria, Uruguaiana, Rio Grande, Pelotas, Santana do Livramento, Porto Alegre e até do Uruguai. 
No último final de semana, a equipe do Sais realizou uma ação itinerante pelos principais pontos da cidade em alusão Dia Mundial de Luta Contra Aids. A equipe do Sais distribuiu preservativos e materiais com informações sobre prevenção e tratamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Não só durante a campanha Dezembro Vermelho, mas em todos os meses do ano as unidades de saúde do município e o Sais ofertam testes rápidos. 
O Sais está localizado na rua Bento Gonçalves, 430. A unidade disponibiliza gratuitamente preservativos masculino e feminino, sem restrições de quantidade e sem necessidade de identificação do usuário, que podem ser retirados em todas as unidades de saúde. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h.

Deixe sua opinião