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Saúde mental infantil
Publicado em 05/09/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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A edição do Saúde, desta semana, traz uma entrevista com o psicólogo Vanderlei Simões, que detalha alguns problemas e os cuidados necessários para manter o bem-estar emocional das crianças.

Crianças mais saudáveis e felizes

Quando falamos em saúde infantil, é comum, em um primeiro momento, deixar de lado questões de saúde mental ou bem-estar emocional das crianças. No entanto, estes são assuntos que estão cada vez mais em destaque, acompanhando a consciência, cada vez maior, de que estas são habilidades fundamentais para o desenvolvimento de uma pessoa saudável.
Para falar mais sobre o tema, entrevistamos o psicólogo Vanderlei Simões, que explica os transtornos que podem surgir na infância e de que forma os pais devem agir para ajudar no desenvolvimento saudável dos pequenos.

Reportagem FS - Que problemas são mais comuns em diferentes faixas etárias, desde a primeira infância a adolescência? 

Vanderlei Simões - A infância é um período crítico, em que ocorre a formação da personalidade. Tudo o que a criança aprende na infância será utilizado para a construção de um futuro adulto. É esperado, no comportamento infantil, uma certa agitação: o correr, o falar alto, o brincar são comportamentos naturais nesta idade.
O que se avalia, para classificar como problemas na primeira ou segunda infância, seriam os excessos, inquietação exacerbada, ausência total de limites até comportamentos característicos de transtornos graves como a depressão que, segundo estudos, têm se manifestado em crianças a partir de 8 anos, autismo e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade); estes dois últimos são transtornos que se manifestam na infância.
A adolescência é o momento de transformações na vida global dos jovens, por isso é uma fase que demanda atenção e acolhimento, de um modo geral.

Reportagem FS – O que causa, por exemplo, problemas como estresse e ansiedade na infância?

Vanderlei Simões – Os casos de estresse e ansiedade mais comuns em crianças se dão por altos níveis de exigência no desempenho escolar, algumas vezes, por parte das próprias crianças, que se cobram muito, outras vezes por excesso de exigência dos pais.

Reportagem FS - Que efeitos os transtornos citados podem ter na vida das crianças?

Vanderlei Simões - Tudo o que acontece e se aprende na infância, um dia, irá refletir no comportamento de um futuro adulto, que a criança irá se tornar. Desenvolvimentos infantis muito instáveis, conturbados ou os casos de déficits, sem o necessário apoio psicológico, podem gerar os mais diversos prejuízos futuros.

Reportagem FS - Que sinais precisam ser observados pelos pais? 

Vanderlei Simões - Na verdade, a indicação é que os pais fiquem atentos sempre em relação ao comportamento dos filhos, mas tem uma frase muito defendida por um psicanalista brasileiro chamado Ivan Capelatto que é a seguinte: “A criança mais perigosa é a criança silenciosa”. A ausência de comportamentos infantis, crianças muito quietas, muito tímidas sempre precisam de ajuda e devem ser encaradas com a mesma atenção das crianças muito agitadas.

Reportagem FS - Quando procurar ajuda profissional?

Vanderlei Simões - Receber ajuda profissional é importante nos mais diversos casos. Tem uma frase, que eu gosto muito, que é assim: “O próprio Freud fazia terapia, então quem somos nós para questionar a importância dela”. Seria interessante que as pessoas procurassem mais os psicólogos, seja para encontrar apoio e orientação nos momentos difíceis de vida, bem como aumentar o nível de autoconhecimento ou descobrir novas habilidades. A ajuda é sempre bem-vinda em todas as fases da vida.

Reportagem FS - Qual a relação do excesso de uso de tecnologias (celular, computador, videogame) nos problemas de saúde mental apresentados por crianças e adolescentes?

Vanderlei Simões - Esse é um ponto delicado. Por um lado, a tecnologia auxilia nos processos de aprendizagem, comunicação e entretenimento. Se bem utilizada, é útil nas mais diversas atividades. 
No entanto, o excesso do uso de tecnologia gera empobrecimento nas relações. A tela de um tablet ou celular não pode substituir a conversa com os pais e as brincadeiras entre amigos. Temos que ser muito conscientes no fato de que o início dos anos 2000 houve uma explosão no avanço tecnológico e também houve uma explosão no número de transtornos mentais. 

Reportagem FS - Que cuidados se deve seguir para promover uma boa saúde mental infantil? 

Vanderlei Simões - Os pais e responsáveis devem ter em mente que nada substitui almoçar junto, ajudar a fazer a lição de casa, contar uma boa história antes de dormir ou um domingo à tarde brincando em algum lugar. O contato das crianças com o real deve ser maior que o virtual. É importante ressaltar também que a educação e colocação de limites por parte dos pais para os filhos contribui diretamente para a saúde mental.

Sinais de problemas na saúde mental da criança
— Problemas para dormir
— Agressividade
— Irritabilidade
— Apatia
— Falta de prazer em brincar
— Excesso ou falta de fome
— Recusa em interagir
— Atraso na comunicação (verbal ou mesmo por olhar)
— Pesadelos recorrentes
— Problemas repetidos de escape de xixi ou cocô após já ter aprendido

Cuidados para uma boa saúde mental infantil

Tempo de tela
Estudos mostram que o excesso de tempo de tela prejudica o sono, altera o humor, reduz a capacidade cognitiva e contribui para o sedentarismo. Entram aqui celular, televisão, tablet e computador. 
Rotina
Crianças precisam de rotina para aprender a colocar ordem no mundo. Instaure hora certa para acordar, comer, tomar banho e dormir.

Sono
Dormir é essencial na primeira infância. Durante o sono, o cérebro concretiza as memórias do dia.
— De 4 a 12 meses: de 12 a 16 horas, incluindo sonecas
— De 1 a 2 anos: de 11 a 14 horas, incluindo sonecas
— De 3 a 5 anos: de 10 a 13 horas, incluindo sonecas

Leitura
Leia para os filhos. O hábito fortalece o vínculo afetivo, ajuda a lidar com as emoções e colabora para o raciocínio e o aprendizado da linguagem, além de estímular atenção, concentração e  memória.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria
 

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