Quem educa? Quem ensina?
Publicado em 25/06/2013

Folha Saúde

Foto: Divulgação/FS

Família educa, escola ensina

Nos dias de hoje, muitos desafios permeiam o cotidiano da escola, tanto no que se refere aos desafios pedagógicos e administrativos como também e, principalmente, a relação escola - família. Levantar a discussão inicial, o título deste texto, é quase como “mexer em um vespeiro”. Porém, cabe a todos nós, professores, pais, responsáveis, gestores, alunos e demais profissionais da educação “cutucar” essa ferida.
Pensar a escola como mera ponte entre o conhecimento comum e o dito científico, parece um tanto minimizador no processo de construção de um futuro cidadão. Atribuir à escola responsabilidades exacerbadas pode refletir nessa minimização do trabalho escolar. A busca constante pela qualidade do processo traz questões relevantes não apenas no que tange o conhecimento, o processo de ensino, mas, também, no contexto como um todo.
Defender uma escola meramente “formadora”, cai no discurso de uma educação clássica que, hoje, aponta uma frustração por vários pensadores e pesquisadores, até mesmo por quem a vive diariamente. Entender a escola como um meio de construção, troca e colaboração mútua entre sua comunidade e seus profissionais traz a todos não a receita, mas, pelo menos, a “esperança” de um caminho de sucesso. Perceber a mudança radical de nosso “combustível”, aqui me refiro a nossos alunos, é tão crucial quanto uma aula bem planejada, até mesmo porque esses dois fatores vêm associados de forma indissociável.
A reflexão aqui não busca apontar culpados nem se quer vítimas de um sistema ainda não bem definido, mas sim desafiá-lo a quem devemos ser. Que profissional, seja qual a função exercida, estamos sendo dentro desse ambiente tão significativo para uma sociedade ainda desacreditada de mudanças?
A escola busca apenas o conhecimento formal, sem nem se quer olhar para sua vizinhança, a fim de saber se é essa, realmente, a contribuição que tanto reclamamos que está faltando nos dias de hoje. Isso é ensinar.
Analisar nossa vizinhança é perceber atualmente o modo de vida, os fatores imediatos que vão intervir diretamente na nossa tão almejada sociedade bem sucedida. É preciso, sim, em uma escola cuja vizinhança ainda parece desacreditada, buscar ali, o que, a nosso ver, é o básico, o simples, o comum. Educar, então, seria o papel dessa vizinhança tão “perdida”, desvalorizada e que talvez tenha perdido o seu “básico”, transmitir a culpa de um fracasso coletivo a quem atribuímos todos os males de nossos resultados educacionais.
É, caro colega, hoje, nosso ofício requer mais, não vale mais os discursos clichês, a transmissão de uma “culpa” mútua, sequer que essa culpa exista. Hoje, nossa escola nos quer com a intensidade de um furacão, que não atribui às mudanças climáticas o caos que causa, então deixemos de ser a brisa confortável que nada causa e passemos a ser esse furacão. Mas com um detalhe, deixemos um rastro de construção, de consolidação do que acreditamos ser pertinente a nosso papel de educador. Anderson de Almeida
Professor de Matemática - Equipe de Apoio Escolar da SOMA

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