Os males da síndrome do respirador bucal
Publicado em 04/06/2013

Folha Saúde

Foto: Fernanda Mendonça

Aparelhos coloridos atraem as crianças

Você sabia que a respiração também pode influenciar na formação da arcada dentária? O fato se dá, pois o desenvolvimento ósseo da face é prejudicado quando a criança respira pela boca, já que nessa fase a arcada ainda está em formação. Sendo assim, é possível que o crescimento aconteça de maneira errônea, ocasionando no desenvolvimento de dentes desalinhados, apinhamento dentário, aprofundamento e/ou estreitamento do céu da boca.
"Os pacientes com a síndrome do respirador bucal (SRB) podem sofrer, ainda, com inúmeros problemas, como deformidades na face, alterações na fala, deglutição, mastigação, além de aumentar a incidência de doenças respiratórias", explica a odontóloga e diretora clínica e administrativa da Clínica Sharing Ortodontia Especializada Bagé, Aline Calvete Barbosa.

Causas
As causas da respiração bucal podem ser as condições alérgicas (rinites), anatômicas, como alterações de septo, hipertrofias de tecidos e, ainda, condições funcionais, falta de aleitamento materno, sucção de chupeta, dedo, postura errada da mamadeira.
Para reconhecer a síndrome, alguns sinais podem ser observados a partir dos dois anos de idade.
- Ronco noturno, apneia (falta de ar);
- Rinites, sinusites, bronquites;
- Problemas dentários como mordida aberta e cruzada, céu da boca alto;
- Face longa e entristecida, olhos caídos, olheiras profundas, lábios entreabertos, hipotônicos (flácidos) e ressecados, narinas estreitas, bochechas com musculatura hipotônica e má oclusão;
- Alterações de postura, de voz e na fala, comprometendo a qualidade de vida da criança e seu desenvolvimento.
A odontóloga acrescenta que o stress durante o processo de respiração bucal é alto, até o ponto da criança ter o sono perturbado. O que resulta em ansiedade, sonolência, déficit físico e mental. “Quando se respira pela boca, há uma menor oxigenação cerebral, o que prejudica o aprendizado”, argumenta.

Opções de tratamento
Tratamento multidisciplinar
Aline ressalta que o tratamento pode ser clínico e/ou cirúrgico, dependendo de cada caso. “O tratamento do respirador bucal é multidisciplinar, podendo envolver otorrinolaringologista, pediatra, alergista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogo”, diz. A profissional acredita que, envolvendo mais áreas, os resultados podem ser melhores  e mais rápidos. A indicação é um diferencial na cidade: “nós encaminhamos o paciente para outros profissionais quando necessário, e os pais acham a ideia positiva, pois entendem que queremos dar um tratamento adequado aos seus filhos”, explica.
A especialista comenta que o tratamento precoce é o mais é indicado, pois toda alteração que envolve o desenvolvimento dos ossos maxilares e arcada dentária tende a se tornar mais difícil com o passar do tempo.

Tratamento odontológico
A odontóloga relata que o tratamento para adequar a respiração é feito com a utilização de aparelho que corrige a arcada dentária, provocando a expansão da parte superior e a remodelagem óssea da maxila, que, por sua vez, promove o aumento da capacidade das vias aéreas superiores.
Além de um melhor posicionamento da mandíbula, ocasionada pela correção postural dos músculos faciais e, consequentemente, da língua dentro da cavidade oral, abrindo espaço nasofaringeano, que liga nariz, faringe e pulmão. “O aparelho ortopédico força a respiração nasal em decorrência da correção postural dos músculos faciais”, conta. Ainda para complementar as ações, a dentista pode optar por encaminhar o paciente ao fonoaudiólogo para reeducação muscular e respiratória, ou ainda para o otorrinolaringologista ou alergista, para tratar possíveis alergias ou obstruções mecânicas à respiração nasal.
Para finalizar, a especialista acrescenta que por ser um problema detectado ainda em idade precoce, o tratamento pode ser preventivo: “podemos fazer um tratamento precoce em crianças ainda com os dentes de leite, de duração média de 48 meses”, frisa.


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