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Obesidade infantil: mudanças de hábito
Publicado em 28/03/2019

Folha Saúde

Foto: Alina Souza / Especial FS

Profissional argumenta que orientação nutricional tem que ser diferenciada

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade infantil é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Nesta edição, a nutricionista Luíse Nogueira fala sobre os perigos do sedentarismo, alimentação inadequada e hábitos alimentares equivocados. Segundo a profissional, esses são alguns dos fatores responsáveis pelo aumento da incidência da obesidade em menores de idade. A nutricionista chama atenção dos pais para a importância da mudança de hábitos.

Nutricionista chama atenção para os perigos da obesidade infantil 
A obesidade é definida quando a criança está acima do peso normal para sua idade e altura, é um excesso de gordura corporal. A afirmação é da nutricionista, Luíse Nogueira.
De acordo com a profissional, o sedentarismo, alimentação inadequada, hábitos alimentares equivocados dos pais, por exemplo, são alguns dos fatores responsáveis pelo aumento na incidência da obesidade nesta fase da vida. "Cerca de 10% da obesidade infantil é causada por distúrbios endócrino metabólicos.  Nestes casos, o diagnóstico e tratamento imediatos são ainda mais necessários”, enfatiza.
Luíse comenta que a obesidade infantil é considerada uma forte indicação de permanência na fase adulta, - que tem como consequências, riscos de doenças cardiovasculares e diabetes. Segundo ela, pode acarretar também, distúrbios psicológicos, isolamento, depressão e baixa autoestima.
Conforme a nutricionista, para prevenir a obesidade é necessário ter uma atenção maior na alimentação da criança, cuidando a qualidade nutricional do alimento que ela ingere, evitar com que consuma alimentos ricos em sódio, gordura e açúcares.  Também incentivar a prática de atividade física, diminuindo o tempo gasto na frente do computador e televisão.
Segundo ela, no tratamento da obesidade,  a orientação nutricional deve ser diferenciada. “O ideal é que seja prazerosa. É interessante, também, que vá sendo implantada aos poucos, sem ser radical. O importante é que, tanto os pais quanto o nutricionista, trabalhem para que a criança não se torne um adulto obeso”, diz.
A profissional chama atenção para que os pais fiquem atentos à merenda do filho -  se ele leva lanche de casa para a escola, cuidar para que o alimento seja o mais natural possível, como  bolos caseiros, com farinha integral e pouco açúcar, suco de fruta natural ou água. A nutricionista alerta para que sejam evitados bolos industrializados, bolachas recheadas, salgadinhos e gelatinas, por exemplo. “É de suma importância que a escola tenha um nutricionista para preparar o cardápio da merenda, dessa forma facilita a rotina corrida dos pais que, muitas vezes, não têm tempo para preparar um lanche mais elaborado. Além disso, também ensina a criança a como se alimentar corretamente, tornando a hora do lanche na escola um momento mais saudável e colorido”, aconselha.

Dicas para uma boa alimentação
- Incentive a criança a mastigar devagar e a prestar atenção no alimento que ela esta comendo. O ideal é que as principais refeições sejam feitas na mesa, longe da televisão, tablet, celular e música;
- Nas refeições metade do prato deve conter vegetais, legumes e frutas. Quanto mais colorido for esse prato, melhor. A dica é sempre cuidar para que o prato tenha no mínimo quatro cores diferentes;
- Não esqueça de incentivar a criança a comer leguminosas: feijão, grão de bico e lentilha;
- Reduza os alimentos gordurosos;
- Não acrescente muito sal a comida do seu filho;
- Dê preferência aos alimentos integrais. As fibras aumentam a sensação de saciedade e ajudam no funcionamento do intestino, tente trocar o pão, as massas e o arroz branco por versões integrais desses alimentos, mais saudáveis e que proporcionam maior período de saciedade;
- Não exagere no açúcar;
- Beba água.

Começa estudo sobre alimentação de crianças de até 5 anos
O Ministério da Saúde iniciou a coleta de dados sobre alimentação dos brasileiros menores de 5 anos para o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani).  Pais e responsáveis contribuirão com informações de alimentação sobre aleitamento materno e alimentação infantil, além de dados que vão permitir avaliar o crescimento e deficiências de nutrientes nesse público. A participação é voluntária e os dados são sigilosos.
“Conhecer a situação alimentar e nutricional dessas crianças é fundamental para a elaboração, monitoramento e aperfeiçoamento das políticas públicas e estratégias de promoção da saúde”, afirma a coordenadora-geral de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa.
A pesquisa sobre alimentação das crianças tem a parceria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ao todo, 60 pesquisadores são parceiros deste levantamento, que terá início no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, com um cronograma a cumprir até abril.
Os pesquisadores estarão devidamente identificados com camisas e crachás com o nome e a fotografia, além do logotipo do Ministério da Saúde. Assim que chegar no local, será explicado os procedimentos e entregue um termo de consentimento livre e esclarecido, com detalhes da pesquisa e orientações de como entrar em contato com a coordenação para tirar dúvidas, incluindo a opção gratuita de ligar para o número 0800 808 0990.

Como é a alimentação dos menores
A pesquisa possibilitará obter informações detalhadas sobre hábitos alimentares, peso e altura de crianças de até 5 anos. A novidade é a coleta de sangue em participantes com mais de 6 meses de vida, que possibilitará dados sobre o crescimento e desenvolvimento, além do mapeamento sanguíneo de 14 micronutrientes, como os minerais zinco e selênio e vitaminas do complexo B.
Também trará informações sobre amamentação, doação de leite humano, consumo de suplementos de vitaminas e minerais, habilidades culinárias, ambiente alimentar e condições sociais da família.

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