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Medicina preventiva: os cuidados com a saúde feminina ao longo da vida
Publicado em 30/01/2020

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Atenção à saúde da mulher
Os cuidados com a saúde ao longo da vida e a prevenção são a melhor forma de obter uma vida longa e saudável. As mulheres apresentam peculiaridades relacionadas a vários âmbitos da saúde e atravessam períodos diferentes ao longo da vida, o que exige a necessidade e o hábito de realizar avaliações preventivas periódicas. 
A visita ao ginecologista, por exemplo, é uma rotina primordial nesta questão, principalmente quando se pensa em prevenção do câncer, seja de mama, de colo do útero, de ovário ou de vulva. 
Para a médica Júlia Castilho, especialista em ginecologia e obstetrícia, quando se fala em prevenção do câncer de mama, por exemplo, estamos falando em mudança de estilo de vida. A preferência por uma dieta balanceada; a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas e de carnes gordas; a fuga do tabagismo e a prática de atividades físicas fazem parte do protocolo para se evitar este tipo de câncer.
Já quando se recorre a exames como a mamografia, segundo Júlia, estamos tratando da detecção precoce da doença. Ela explica que a função principal da mamografia não está relacionada à prevenção. O exame é importante porque é através dele que se identifica uma lesão inicial, com tamanho inferior a um centímetro, o que com a apalpação da mama não seria possível perceber. Com isso, as chances de sucesso no tratamento, caso tenha alguma alteração, são maiores.
A profissional esclarece que a mamografia deve ser realizada anualmente, a partir dos 40 anos, em mulheres que não apresentam histórico familiar de câncer de mama. Para as que têm casos na família, Júlia diz que o período ideal para fazer o exame é de 10 anos antes do caso índice. Ou seja, da idade em que a doença foi detectada no familiar. 
É válido ressaltar a importância de todas as mulheres fazerem a mamografia, visto que, conforme alerta a ginecologista, a grande maioria dos casos de câncer de mama se dá de forma aleatória, sem relação hereditária. 
Além disso, é necessário informar, segundo Júlia, que nenhum exame substitui a mamografia. Ela fala que não há a opção de trocá-lo, por exemplo, por uma ecografia mamária. “A eco é complementar a mamografia e deve vir sempre depois dela, como forma de esclarecer algum ponto duvidoso, principalmente quando as mamas são densas ou pouco sensíveis. Na rotina, o médico acaba sempre solicitando os dois exames, mas sempre se inicia pela mamografia”, afirma.

Exame preventivo
Outra questão essencial para a saúde da mulher é a do exame preventivo, conhecido também como papanicolau. “Diferente da mamografia, quando se faz um exame de colo de útero, estamos focando na prevenção”, declara a ginecologista.
Conforme a médica, o exame citopatológico é realizado para a detecção pré-cancerosa. “Estima-se que uma lesão deste tipo, até virar um câncer, tem uma evolução de quase 10 anos. Nós costumamos dizer que as pessoas que de fato apresentam o câncer de colo de útero, se perderam nos cuidados e que, de alguma forma, deixaram de visitar o ginecologista”, constata Júlia.
A médica fala que existe uma série de lesões precursoras, que podem ser tratadas com diversos procedimentos, como cauterizações e conizações, que evitam a evolução para algo mais grave.
Outra aliada na prevenção do câncer de colo do útero é a vacina contra o HPV (abreviação de papiloma vírus humano). Acredita-se, conforme a especialista, que a maioria dos casos deste tipo da doença venha do HPV, já que a estimativa é que cerca de 80% a 90% da população esteja contaminada com o vírus.
Por isso, se incentiva, através de campanhas como a do Ministério da Saúde, a vacinação de meninas e jovens antes de iniciar a vida sexual. A ideia é que entre a faixa etária de 9 a 14 anos se faça a imunização. No entanto, Júlia elucida que, mesmo quem já tem vida sexual ativa benefícios. “Até os 25, 30 anos se comprova esse benefício. Até quem já teve contato com o vírus deveria se vacinar, porque acreditamos que há uma resposta imune positiva, ajudando nas lesões que possam existir”, explica.

Prevenção ao câncer de vulva e de ovário
Júlia também chama atenção para os casos de câncer de vulva (parte externa dos órgãos genitais femininos), mais comuns entre mulheres com mais de 60 anos. A médica elucida que isso se justifica porque, após certa idade, a mulher acaba achando que não é necessária a visita ao ginecologista. “Com o passar dos anos, começa a baixar a incidência do câncer de colo do útero e aumenta o de vulva. Por isso, é imprescindível ir ao médico e examinar sempre a vulva e a parede vaginal”.
Neste ponto, a médica chama atenção para mudança de coloração, para a presença de alguma ferida que possa ter sido negligenciada, para perda de contorno ou estreitamento, sinais que, certamente, serão observados pelo profissional.
Já o câncer de ovário, conforme a ginecologista, é uma das grandes perdas desta área médica, pois ainda não existe um exame adequado para fazer o rastreamento. “A maior parte dos diagnósticos são tardios porque não há um método de detecção aprovado e confiável”, lamenta.
Segundo a especialista, a realização da ecografia transvaginal pode, às vezes, mostrar algo que merece mais atenção. No entanto, não há comprovação nem indicação da necessidade de se fazer o exame todos os anos, como forma de segurança, como é com o preventivo de colo de útero.
O sinal de alerta é para aquelas mulheres que têm histórico familiar da doença. Esses casos precisam ser monitorados, através do exame, bem como ter mais atenção dentro das rotinas de saúde.

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