Exercícios fundamentais para um coração saudável
Publicado em 11/06/2013

Folha Saúde

Foto: Divulgação/FS

Doença cardíaca e a fisioterapia
A fisioterapia cardiovascular é um segmento da cardiologia que ajuda na prevenção e na reabilitação de pacientes diagnosticados com doenças cardiovasculares. Os estudos relacionados à fisioterapia cardiovascular são intensos e detectam resultados positivos. Grande parte dos pacientes que sofreram de enfarte do miocárdio, por exemplo, ou que passaram por procedimentos cirúrgicos, fizeram o tratamento com a fisioterapia cardiovascular e os resultados foram um sucesso; o que mostra que há como rebater a doença.
Segundo a fisioterapeuta Ana Flores, o papel da fisioterapia é importantíssimo na reabilitação ou na prevenção de qualquer doença e, quando o assunto é fisioterapia cardiovascular, as doenças cardiovasculares são levadas a um nível baixo de risco. “A fisioterapia tem sido considerada um componente fundamental na reabilitação de pacientes cirúrgicos cardiovasculares com o objetivo de melhorar o condicionamento cardiovascular e evitar ocorrências tromboembólicas e posturas antálgicas (alivio de dor), oferecendo maior independência física e segurança para alta hospitalar e posterior recuperação das atividades de vida diária”, destaca.
Ana destaca que a reabilitação cardíaca é um conjunto de atividades necessárias para garantir aos pacientes, portadores de doenças cardiovasculares, as melhores condições sociais, mentais e físicas possíveis, para que possam alcançar com seu próprio esforço uma vida normal e produtiva. “Recomenda-se que esta reabilitação seja implementada e executada por uma equipe multiprofissional, formada por médico, fisioterapeuta, psicólogo, enfermeiro, nutricionista, educador físico, assistente social e terapeuta ocupacional”, acrescenta.                       
As ações do profissional fisioterapeuta nos programas de reabilitação cardíaca concentram-se, principalmente, nos aspectos físicos da recuperação. “Assim, minimizando os efeitos da perda de condicionamento prejudicado pelo repouso no leito e intensificando o funcionamento cardiovascular e músculo-esquelético”, ressalta.
O Pilates é uma forma de exercício físico muito disciplinado e direcionado, com finalidade de fortalecer os ligamentos e articulações, aumentando a flexibilidade e alongando os músculos.
Ana enumera que com o Pilates vai se obter os seguintes benefícios específicos nas doenças cardiovasculares: diminuição da pressão sanguínea, aumento do nível de proteção do colesterol “bom” (HDL), redução do risco de coágulos sanguíneos, controle de peso, melhora da recuperação cardíaca (diminuindo a reincidência de novos eventos em repouso ou durante exercício físico progressivo), melhora as capacidades funcionais do indivíduo, aumento da capacidade de ejeção sanguínea, reintegração precoce do paciente ao meio social, familiar e profissional.
Ganho de força muscular, alívio das dores, maior disposição e melhora da autoestima, do alongamento muscular, da postura, da simetria e do equilíbrio: esses são alguns dos benefícios relatados por pacientes que sofreram AVC (acidente vascular cerebral) e que buscaram no Pilates uma forma de melhorar sua qualidade de vida.
Promover uma recuperação funcional após o AVC tem sido um ponto importante para os profissionais de reabilitação, buscando melhorar as atividades da vida diária desses pacientes. "Nosso objetivo, diante desses pacientes, é melhorar a qualidade de vida, fazendo com que eles se tornem menos dependentes", afirma a profissional.
O exercício físico regular e moderado reduz o risco de morte por problemas cardíacos de 20% a 25% e diminui substancialmente a gravidade de deficiências associadas a cardiopatias e outras doenças crônicas.

Exercício físico e pressão arterial
O exercício físico caracteriza-se por retirar o organismo de seu equilíbrio, pois realiza um aumento instantâneo de sua demanda energética, principalmente da musculatura exercitada. A resposta cardiovascular depende do tipo, da intensidade, da duração e da massa muscular envolvida.
De acordo com a profissional de Educação Física, Cristiane Rosa de Oliveira, em relação ao tipo de exercício, podem ser relatados dois exemplos, no qual cada um apresenta uma resposta cardiovascular diferente. “Assim, deixando o paciente com maior resistência e também cuidados com a saúde”, explica.
São eles:
• Isotônicos ou dinâmicos: quando há contração muscular, seguida de movimento articular, onde observa-se o aumento do volume sistólico, da frequência cardíaca e do débito cardíaco, o que resulta no aumento da pressão sistólica e diminuição ou redução da diastólica.
• Isométricos ou estáticos: quando observa-se um aumento do volume sistólico, pequeno acréscimo do débito cardíaco  e aumento da resistência vascular periférica, o que resulta no aumento exagerado da pressão arterial.
Cristiane relata que esses valores não se alteram com a duração do exercício e sim com o aumento de sua intensidade e, quanto maior for a massa muscular exercitada de forma dinâmica, maior é o aumento da frequência cardíaca, mas menor o aumento da pressão arterial. “Nesse contexto, os exercícios resistidos ou musculação, possuem bastante importância, pois quando executados em alta intensidade, apesar de serem feitos de forma dinâmica, apresentam componentes estáticos bastante elevados. Fazendo com que haja aumento da frequência cardíaca e, por conseguinte, aumento exagerado da pressão arterial, que aumenta conforme as repetições do exercício. Mas quando executados em baixa intensidade, são benéficos assim como exercícios aeróbios de baixa intensidade, tais como caminhada, corrida e ciclismo”, argumenta.
Além das alterações cardiovasculares que acontecem durante a execução dos exercícios, outras alterações ocorrem após a finalização dos mesmos. Uma delas tem sido alvo de muitas pesquisas: a hipotensão pós-exercício. “Ela caracteriza-se pela redução da pressão durante a recuperação, fazendo com que seus valores permaneçam menores do que aqueles medidos antes do início dos exercícios. Para efeitos clínicos, ela deve se manter estável por até 24 horas após o término dos exercícios”, descreve.
É importante salientar que antes de realizar qualquer tipo de exercício físico, deve-se consultar um cardiologista, questionar se é possível praticar atividades e solicitar um atestado médico, informando suas condições clínicas para que o educador físico tenha embasamento para prescrever os exercícios adequados ao aluno. “É muito importante que seja realizada uma anamnese sobre o histórico patológico do aluno juntamente com uma avaliação física”, encerra.


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