Entenda o que acontece no corpo da mulher com a chegada do climatério
Publicado em 20/11/2012

Folha Saúde

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Enquanto o homem espalha centenas de milhões de espermatozoides a cada ejaculação, a mulher investe toda a energia na produção de um único óvulo por mês. Todos os óvulos que produzirá terão sua origem em células germinativas (ou folículos) dos ovários já presentes no instante do nascimento. As meninas nascem com um a dois milhões dessas células germinativas.
De acordo com o médico ginecologista e membro da Sociedade Brasileira de Climatério, Ricardo Mendes Costa, os folículos que são a unidade funcional do ovário acabarão um dia. “Mulher nenhuma é capaz de formar novos folículos para repor os que se foram. Quando morrem os últimos deles, os ovários entram em falência e as concentrações de estrogênio e progesterona caem irreversivelmente”, destaca.
O médico explica que é muito comum quase todas mulheres experimentarem sintomas desagradáveis no climatério. “As ondas de calor resultantes de sintomas vasomotores são os mais típicos; estão presentes em 60% a 75% das mulheres. Surgem inesperadamente como crises de calor sufocante no tórax, pescoço e face, muitas vezes acompanhadas de rubor no rosto (a temperatura da pele chega a subir cinco graus), sudorese (que pode ser profusa), palpitações e ansiedade”, enfatiza.
Segundo Costa, a queda dos níveis dos hormônios sexuais altera a consistência do revestimento da vagina, da uretra e das fibras do tecido conjuntivo que conferem sustentação à mucosa dessas regiões. “Podem surgir incontinência urinária, ardência à micção, facilidade para adquirir infecções urinárias e corrimentos ginecológicos”, explica.
Costa ainda informa que os músculos que formam o assoalho responsável pela sustentação dos órgãos genitais e bexiga urinária enfraquecem e podem surgir prolapsos (útero e bexiga caídos). Os pêlos pubianos ficam mais ralos, os grandes lábios mais finos, a mucosa vaginal perde elasticidade e flexibilidade podendo sangrar e doer à penetração. Diminuição da resposta à estimulação clitoriana, secura vaginal e redução da libido são queixas frequentes. “Hoje também vemos grandes problemas vasos vasculares e também grande número de tumores de intestino grosso”, salienta.
O ginecologista também descreve que a falta de estrogênio resseca e torna a pele mais fina, enrugada, menos elástica e as unhas frágeis. Os pelos pubianos e axilares se tornam mais ralos. “É o real envelhecimento da mulher, o que é muito frustante e pode muitas vezes causar depressão”, garante.
Além destes sintomas há também problemas com as mamas, ressalta Ricardo Costa. “Ricas em receptores para estrogênio e progesterona, as células das glândulas mamárias se hipotrofiam com a falta desses hormônios. As mamas se tornam mais flácidas, o mamilo fica mais achatado e perde parcialmente capacidade de ereção”, finaliza.

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