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Doenças de pele mais comuns entre as crianças durante verão
Publicado em 06/02/2020

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Atenção redobrada à pele dos pequenos

A pele da criança é sensível e precisa de cuidados durante todo o ano. Mas, nos meses mais quentes, a maior exposição ao sol, umidade, areia, piscina e ambientes de grande circulação de pessoas, favorece o surgimento de várias doenças. O pediatra Rodrigo Prado apresenta algumas das principais doenças de pele nesta época e dicas de como prevenir. Para outras orientações ou em caso de problemas, é imprescindível a visita a um pediatra ou dermatologista para o correto diagnóstico e tratamento. 

Queimadura solar: causada pela radiação ultravioleta, devido à exposição prolongada ou repetida à luz solar. Envelhece a pele e aumenta o risco de câncer e infecção. As crianças de pele clara são mais vulneráveis. Os sintomas costumam surgir em uma hora, mas podem levar mais de 12 horas para se intensificarem.
Entre os sintomas, o pediatra destaca a pele quente, vermelha, dolorida e, às vezes, pruriginosa. “Queimaduras mais sérias podem produzir bolhas e descamação, dor de cabeça, febre e desmaio”, enfatiza.
Para prevenir, o médico recomenda usar filtro solar, mesmo nos dias nublados, assim como o uso de bonés e roupas protetoras. Não confiar apenas no guarda-sol, pois muitos não protegem. Evitar sol entre as 10h e 16h.

Prurigo estrófulo: também conhecida como urticária papular, é uma reação de hipersensibilidade a antígenos da saliva de insetos. Costuma se tornar crônica ou repetitiva.
A apresentação mais comum são pápulas eritematosas (avermelhadas) com distribuição linear e aos pares, com número variável - podendo ser disseminadas e pruriginosas.
Para evitar as picadas de insetos, o pediatra indica a escolha por roupas mais longas, telas nas janelas, mosquiteiro, repelentes elétricos, repelentes químicos por curtos períodos; dedetização da casa e terreno, evitar água parada (procriação de mosquitos).

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Brotoeja: ou miliária, é uma inflamação causada pela obstrução das glândulas sudoríparas. Pode ser causada por excesso de roupa, febre alta, substâncias químicas (bronzeadores, óleos) ou mesmo ambientes muito quentes e úmidos.
De acordo com Prado, as lesões variam conforme profundidade da glândula afetada: as superficiais causam miliária cristalina - vesículas muito pequenas de conteúdo hialino (transparente), sem inflamação da pele e assintomáticas. As glândulas mais profundas produzem a brotoeja rubra - pápulas vermelhas e inflamadas, podendo ser pruriginosas. “Pus indica, provavelmente, infecção secundária”, afirma.
A prevenção, segundo o médico, na maioria das vezes, resolve-se espontaneamente ao se resfriar o corpo (roupas leves, ambiente mais fresco). É recomendado evitar excesso de roupas - comum nos bebês que apresentam extremidades naturalmente mais frias.

Impetigo: infecção bacteriana superficial da pele, muito contagiosa. Causada por pequenos traumas da pele, picadas de inseto ou como complicação de outras doenças, como dermatite atópica.
O pediatra explica que o impetigo comum é mais frequente na face ou extremidades, forma pápulas e pústulas (lesões de conteúdo purulento) e crostas melicéricas (cor de mel). Não causa sintomas locais e se dissemina para áreas próximas. O impetigo bolhoso não costuma surgir na face; inicia semelhante ao comum, mas evolui com bolhas amareladas. O ectima é a forma mais grave, atinge camadas mais profundas da pele e forma úlceras que evoluem para crostas grossas amareladas.
Para prevenir, Rodrigo Prado recomenda manter unhas cortadas, lavar feridas com água e sabão, lavar roupas, lençóis e toalhas todos os dias e não compartilhá-las, lavar as mãos com frequência.

Molusco: ou molusco contagioso é uma infecção causada por um vírus parente da varíola, muitas vezes, confundida com verruga vulgar, principalmente adquirido por contato direto, é mais frequente em crianças de pele seca e alérgicas.
Trata-se, segundo Prado, de pequenas pápulas de coloração semelhante à da pele, mais brilhosas e translúcidas e com umbilicação central. Mais frequentes no tronco. Podem ser pruriginosas, o que ajuda a se espalharem (autoinoculação).  
A prevenção é evitar contato direto ou compartilhamento de itens como roupa ou toalha.

Micoses: infecções fúngicas da pele, unha ou cabelos, favorecidas pelo calor e umidade. Esses fungos podem ser adquiridos da terra, de animais ou de outras pessoas, inclusive, de forma indireta através de materiais contaminados (roupas e toalhas). Têm apresentações variadas:
Pitiríase versicolor: micose da praia ou pano branco - manchas brancas, descamativas, normalmente no rosto, pescoço, ombros e parte superior dos braços. Podem também ser escuras ou avermelhadas.
Tineas (tinhas): manchas vermelhas, de superfície escamosa e bordas bem delimitadas, que crescem de dentro para fora e coçam.
Candidíase: placas esbranquiçadas na boca (“sapinho”); ou lesões fissuradas no canto da boca (queilite angular); ou placas vermelhas e descamativas, com fissuras, em regiões de dobras.
O importante, para prevenir a doença, conforme orientação do pediatra, é se secar bem após o banho; evitar andar descalço em locais sempre úmidos (vestiários); não ficar com roupas molhadas muito tempo; não compartilhar roupa, toalha, boné, escova de cabelo; não usar calçado fechado muito tempo e evitar roupas sintéticas. 

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