​​​​​​​De olho nas viroses
Publicado em 20/02/2020

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Viroses gastrointestinais são mais comuns no verão 

Se no inverno estamos mais suscetíveis às viroses respiratórias, no verão é época das gastrointestinais. A infectologista Paula Martinez explica que com as temperaturas mais altas, as pessoas acabam tendo mais interação social o que é um fator contribuinte para facilitar a transmissão. “O verão faz as pessoas saírem mais de casa, comerem mais na rua e conviverem mais, umas com as outras. Isso acaba favorecendo a condição de transmissibilidade dos vírus”, garante a especialista.

Uma gastroenterite pode ser causada por vírus ou bactérias, sendo assim, com os termômetros elevados, ficamos mais expostos à proliferação de microrganismos, o que acelera a deterioração dos alimentos. “O calor traz muita perecibilidade de alimentos, o que nos põe em alerta quanto às gastroenterites bacterianas e parasitárias”, afirma a médica.

O contágio, explica Paula, ocorre por via fecal-oral. Ou seja, se dá, principalmente, através da ingestão de alimentos. “O vírus vive latente por anos, então, se houver o toque em algo contaminado por vírus, a pessoa pode ser infectada ou não. Já a condição bacteriana é diferente, se o indivíduo comer ou ingerir algo contaminado pela bactéria é muito difícil não desenvolver nada”, pontua. 

O primeiro contato do vírus é com o estômago, podendo causar primeiramente náuseas e vômito. Em seguida, em contato com as células intestinais ocasiona uma reação inflamatória intensa. Já as bactérias provocam ulceração e abscessos na mucosa, induzindo a uma resposta inflamatória. Entre os sintomas mais comuns, vômito, diarreia, dor abdominal, mal-estar em geral e até febre são indicadores de uma possível contaminação. De modo geral, todo quadro provoca muito desconforto, levando um grande número de pessoas a procurar um médico na unidade de pronto-atendimento.

O termo “virose” se refere a toda infecção causada por vírus, mas, popularmente é conhecido e relacionado às gastroenterites. Em ambos os casos, seja por contágio viral ou bacteriana, os sintomas se assemelham. O diagnóstico de uma virose se dá através do relato da pessoa e é tratado sintomático. Caso os sintomas tenham sido causados por uma contaminação viral, a médica explica que existe um ciclo e os desconfortos podem durar de três a cinco dias.

Entretanto, se o quadro persistir, alerta a especialista, a pessoas deve retornar ao pronto-socorro. Diarreia com sangue, dor severa e febre alta são sinais de alerta. A partir disso, exames podem ser requisitados para avaliar o quadro, já que uma virose por vírus pode evoluir para uma bacteriana diante da fragilidade que o corpo fica exposto. Então, poderá haver prescrição de antibiótico. Lembrando que, a diarreia excessiva leva a quadros de desidratação, por isso, deve-se ficar atento e tomar alguns cuidados. 

Tratamento inclui dieta especial 

Se hidratar é o principal conselho para quem não conseguiu evitar e foi acometido por uma virose. “Oriento bastante aqueles sais de reidratação. O próprio isotônico, que tem nos mercados, é sempre aconselhado”, indica a infectologista. Não conseguir se alimentar também é uma consequência para quem enfrenta a doença. “É comum a pessoa com virose não ter fome e está tudo bem, não precisa comer, desde que tome bastante líquido e soro de reidratação”, explica a nutróloga Karen Muñoz Obino.

Além disso, alguns alimentos devem ser eliminados da dieta durante os dias em que estiver com diarreia. Evitar laticínios é a primeira dica da nutróloga. “Leites e seus derivados podem aumentar os gases e piorar a diarreia por causa da presença da lactose. Por mais que não seja intolerante a ela, durante um quadro de diarreia aguda, qualquer pessoa fica, sim, intolerante”, esclarece.

Outro erro comum, segundo a especialista, é optar pela ingestão de saladas. “Quando a fome bate, normalmente por serem mais leves, muitas pessoas preferem comer saladas. Porém, algumas saladas contêm fibras, o que deve se evitar completamente durante um período de diarreia”, especifica Karen. As frutas que são conhecidas por soltarem o intestino, como mamão e laranja, por exemplo, também devem ser cortadas.

O último item a deixar de lado em um processo de tratamento de virose são as comidas gordurosas. “Normalmente, quando a pessoa passa por uma virose, ela não sente muita vontade de comer coisas gordurosas. A gordura também pode piorar o quadro de diarreia”, justifica a nutróloga.

Mas, afinal, com tantos itens eliminados do cardápio, o que é indicado ingerir? Legumes cozidos, por exemplo, cenoura e batata são ideais, indica Karen. “Legumes cozidos no geral são superindicados, um purê de batata é uma boa sugestão. Uma sopinha, carnes sem gordura, também são boas possibilidades”, diz. 


Prevenção 

Sim, é possível se prevenir de uma virose gastrointestinal. Uma das formas mais eficientes se dá por meio de uma boa alimentação. “O intestino é o maior órgão de defesa do nosso corpo, então a maioria de células de defesas do nosso organismo estão nele. Por isso, devemos nutrir bem ele, para que ele nos defenda das doenças”, especifica a nutróloga Karen. 
Os cuidados com higiene são enfatizados pela infectologista. “A grande maioria das infecções virais se adquiri pela boca. Então, neste caso, as mãos acabam sendo a grande vilã da história. A higiene delas através do álcool, água e sabão é essencial”, ressalta a especialista, destacando a necessidade de ter esse hábito. 

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