Coisas do coração
Publicado em 11/06/2013

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

Apesar de ser apontado por todos como um sentimento irracional, a ciência está começando a descobrir que há lógica no amor. É o que concluiu uma pesquisa feita por matemáticos da Universidade de Genebra, que analisaram 1.074 casamentos, observando características de cada, e chegaram a uma fórmula do que seria o par ideal, com menor possibilidade de separação e mais probabilidade de ser feliz.
Eis a fórmula: a mulher deve ser cinco anos mais jovem e 27% mais inteligente do que o marido. Ela deve ter diploma universitário, ele não. Para chegar mais perto da estabilidade, a ordem é experimentar: se você se relacionar com 100 pessoas durante a vida, terá 57% a mais de chance de ser feliz com o parceiro escolhido, foi o que mostrou um estudo feito pelos estatísticos John Gilbert e Frederick Mosteller, da Universidade Harvard.
Apesar das dicas, felizmente ou infelizmente, elas não passam de conclusões estatísticas, que não levam em conta o contexto no qual se incluem os amantes ou os que querem amar.

O lugar do amor é no coração?
Para entender um pouco mais sobre o amor, já que amanhã é o Dia dos Namorados, o psicólogo da SOMA – Serviço e Orientação Multidisciplinar da Aprendizagem - Marcelo Motta, desvenda o mito de que o amor acontece no coração. De acordo com o profissional, essa ideia teria surgido com o povo judeu, que acreditava que o coração simbolizava o interior do ser humano e, por extensão, a cultura judaica inferiu que no coração habitavam todos os nossos sentimentos. Motta conta que outra teoria que aceita a origem da junção do amor ao coração é a que propôs Aristóteles. O pensador acreditava que a hipófase era o receptáculo da alma. “Independentemente de onde tenha surgido, realmente, muitas vezes, quando estamos apaixonados ou quando sofremos uma desilusão amorosa, nosso coração parece reagir aos estímulos do meio”, explica. Como exemplo, o profissional usa a situação inesperada de ver a pessoa amada e perceber que o coração acelera, ele diz que esse efeito é causado por um fluxo de substâncias químicas que o corpo fabrica quando se está apaixonado ou se está amando.
Motta lamenta desconstruir a ideia romântica de que o amor e outros sentimentos são sentidos no coração, mas revela que, na verdade, estão todos ligados ao nosso cérebro e aos nossos neurônios.

A paixão
Quando estamos apaixonados o corpo acaba reagindo de diversas formas, com várias reações. Alguns estudos recentes em neurociência têm indicado que as pessoas, quando estão apaixonadas, fazem com que o cérebro sempre libere um determinado conjunto de produtos químicos que atuam de forma semelhante ao das anfetaminas, estimulando o nosso cérebro do centro de prazer e levando a efeitos colaterais como o aumento da frequência cardíaca, perda de apetite e do sono e um intenso sentimento de excitação. Essa fase tida como “boa” pela maioria de nós, dura mais ou menos em torno de dois anos (podendo durar um pouco mais), depois disso a paixão dá espaço ao amor. “O amor em si é algo mais tranquilo, que não faz cometermos tantas loucuras. Na paixão, não vemos defeitos no outro, depois que a paixão passa, começamos a questionar como que não tínhamos visto alguns defeitos antes", aponta. Ele lembra que, popularmente, se diz aos amigos que a paixão cega: “e é quase isso mesmo”, brinca.

Stress e problemas cardíacos
O stress contínuo, ansiedade e tensão do dia a dia podem ocasionar mais risco para o desenvolvimento de problemas vasculares e cardíacos a longo prazo: “os médicos vivem alertando, mas apesar de não ser novidade, as pessoas não conseguem diminuir o ritmo”, afirma. Ele lembra que o risco aumenta para as pessoas que já têm a pré-disposição a ter um problema cardíaco. “É interessante ressaltar que não só o stress é um grande vilão para quem possui problemas no coração. Ansiedade, medo crônico, depressão e o sentir-se sozinho podem agravar o quadro”, explica.
O profissional ressalta que é necessário aprender a levar a vida mais tranquilamente. Para isso, ele recomenda a prática de exercício físico, a presença de amigos, que contribui para diminuir o stress e aumenta a qualidade de vida. “Rir de si mesmo é importante. É preciso não levar a vida tão a sério. Pessoas que nunca riem, que não conseguem relaxar em nenhuma hora do dia, são mais estressadas e irritadas”, pondera.

Tratar para não sofre com o stress
Comprovadamente potencializador de diversas doenças, incluindo as cardíacas, o stress pode ser tratado por um terapeuta, que vai trabalhar os desencadeadores desse problema, que pode ser tanto advindo de fator externo, como uma briga familiar ou um problema financeiro, quanto de fator interno, como dificuldade de aceitar um término de relacionamento. Ele explica que, nesses casos, o profissional  busca técnicas para lidar com os fatos que atormentam o paciente, prevendo momentos em que ele se sente mais angustiado, ansioso e consequentemente estressado. ”Uma técnica que eu gosto de usar é a de relaxamento, fazer com que o paciente esqueça por alguns minutos sua vida e se conecte com o seu interior. Funciona bem”, afirma. 
Para finalizar, Mota aconselha: “é muito importante deixar claro que todos nós necessitamos diminuir o ritmo para que não nos deparemos com problemas mais graves no futuro”.






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