Cirurgia vaginal
Publicado em 27/11/2012

Folha Saúde

A cirurgia vaginal se constitui em uma via de acesso minimamente invasiva para a realização de cirurgias ginecológicas. Nos tempos modernos, no qual o tempo é precioso, a cirurgia vaginal propicia à mulher que necessita submeter-se a procedimentos ginecológicos, uma recuperação bem mais rápida e mais confortável, em relação aos procedimentos laparotômicos, ou seja, por via abdominal, e ainda com tempo de internação habitualmente de 24 horas – one day clinic. Algumas vezes, os procedimentos por via vaginal necessitam uma complementação por via videolaparoscópica, o que cada vez é menos comum, devido aos avanços da técnica vaginal. A via videolaparoscópica também se constitui em um acesso minimamente invasivo, porém de maior custo, exigindo aparelhagem cara e com curva de aprendizagem para o médico também mais custosa, com tempo cirúrgico mais prolongado. Outros benefícios da cirurgia vaginal são a valorizada estética corporal, pois por esta via não ficam cicatrizes aparentes; menor necessidade de anestésicos; menor manipulação das alças intestinais, o que permite menor tempo de jejum no pós-operatório; menor índice de aderências; menor tempo cirúrgico, e, por conseguinte, menor número de complicações. O menor tempo cirúrgico é um grande benefício para as mulheres mais idosas, frequentemente acometidas por prolapsos genitais, e para aquelas com patologias sistêmicas, como diabéticas, hipertensas, cardiopatas, entre outras.
Dentre as cirurgias vaginais podemos citar a histerectomia vaginal (retirada do útero), que até pouco tempo era limitada a úteros pequenos e a pacientes sem história de cirurgias pélvicas prévias, como cesarianas. Porém, hoje em dia, não são consideradas contra-indicações absolutas, sendo possível a realização de tal cirurgia em pacientes com úteros até maiores que 1 kg e com diversas cesáreas prévias, o que se tornou possível devido ao aprimoramento da técnica e a melhora do instrumental. Além da histerectomia, temos as clássicas cirurgias de correção da incontinência urinária e dos prolapsos genitais, chamadas perineoplastias (bexiga caída, retocele, prolapso uterino e de cúpula vaginal), entretanto, modernamente, está em vigência o uso de telas sintéticas para a correção de tais patologias. São telas como a utilizada na correção das hérnias abdominais, com algumas características singulares, e o seu uso permite cirurgias bem menos agressivas, com menos incisões na mucosa vaginal e recuperação mais rápida. As telas são introduzidas com agulhas especiais em espaços anatômicos específicos, e servem como substitutas para os ligamentos de sustentação do assoalho pélvico que estão frouxos, restabelecendo os órgãos às suas posições naturais. Tais telas podem ser usadas inclusive para o prolapso uterino, permitindo a manutenção do órgão, adequado àquelas pacientes em idade fértil com prole não constituída. A seleção das pacientes que podem se beneficiar de um tipo ou outro de técnica cirúrgica é de fundamental importância.
As complicações da cirurgia vaginal são pouco frequentes, mas como em todo procedimento, são passíveis de ocorrência. Entre elas destacamos o sangramento, a lesão de bexiga e de reto, a ligadura de ureter, a infecção, o hematoma, a incontinência ou retenção urinária, e o granuloma de cúpula, todas passíveis de sucesso na correção, desde que diagnosticadas precocemente. Com relação ao uso das telas, a complicação mais temida é sua rejeição, o que tem sido menos freqüente devido à melhora na qualidade do material de que são feitas, situação também passível de solução seja por conduta expectante, ou por ressecção da parte rejeitada, o que normalmente não prejudica no resultado anatômico da cirurgia.
Hoje em dia, as cirurgias transvaginais são um acesso minimamente invasivo essencial à ginecologia cirúrgica. Quando bem indicadas são uma técnica segura, desde que para um cirurgião bem treinado e habituado com a anatomia pélvica, sendo que a pequena área operatória produz um trauma mínimo, com cicatriz invisível, baixa morbidade e hospitalização rápida.


Dr. Leonardo Souza Fernandez
CRM 23310 - Clinipampa

Deixe sua opinião