Câncer de boca: prevenção e diagnóstico precoce
Publicado em 14/05/2013

Folha Saúde

O câncer, no Brasil, é um problema de saúde pública. Desde 2003, as neoplasias malignas constituem-se na segunda causa de morte da população. O câncer de boca é uma denominação que inclui os cânceres de lábio e da cavidade oral: mucosa bucal, gengivas, palato (céu da boca), língua e assoalho da boca. Segundo estimativas da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, no ano de 2008, ocorreram cerca de 12,4 milhões de novos casos de câncer e 7,6 milhões de óbitos no mundo. No Brasil, estudos apontam para a ocorrência de 489.270 casos novos de câncer no ano de 2010, sendo 14.120 casos de câncer de boca (10.330 casos entre os homens e 3.790 entre as mulheres), com cerca de 3,8 mil óbitos. É o quinto tumor mais frequente nos homens e o sétimo nas mulheres, o que representa uma elevada taxa, considerando-se o pequeno tamanho da boca em relação ao restante do corpo.

Fatores de risco
Os principais fatores de risco são idade superior a 40 anos, sexo masculino, muito embora tenhamos observado um aumento significativo de casos de câncer bucal em mulheres nas últimas décadas, vício de fumar cachimbo, charuto e cigarros, consumo de bebidas alcoólicas em excesso (associação entre fumo e álcool aumenta em progressão geométrica o risco de câncer de boca), má higiene bucal, exposição excessiva ao sol, trauma crônico (próteses dentárias mal ajustadas ou dentes quebrados). Cerca de 90% das pessoas acometidas por câncer de boca são fumantes e o risco aumenta de acordo com a quantidade de fumo consumido. A fumaça do cigarro, cachimbo ou charuto pode causar câncer em qualquer parte da boca ou garganta, laringe, pulmões, esôfago, rins, bexiga, além de vários outros órgãos. O fumo passivo também é fator de risco.

Sintomas
O principal sintoma é o aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam em uma semana. Outros sintomas são ulcerações superficiais, com menos de dois centímetros de diâmetro, indolores (podendo sangrar ou não), manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal, inchaço nos maxilares, dentes que ficam frouxos repentinamente, mau hálito persistente. Dificuldade de falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de linfadenomegalia cervical (caroço no pescoço) são sinais de câncer em estágio avançado.

Prevenção e diagnóstico precoce
Pessoas com mais de 40 anos de idade, com dentes fraturados, fumantes e portadores de próteses mal adaptadas devem evitar o fumo e o álcool, promover a higiene bucal, ter os dentes tratados, uma alimentação saudável rica em vegetais e frutas. Se possível, evitar exposição ao sol em horários em que ele é mais forte ou só fazê-lo com a proteção de chapéu, filtro solar e protetor labial. Pessoas de pele branca são mais suscetíveis ao câncer de lábio. É importante a realização de um exame clínico anual com o cirurgião-dentista ou estomatologista (especialista em diagnóstico de lesões e doenças que se manifestam na boca) e do autoexame mensal, para o diagnóstico de lesões pré-malignas e cânceres em estágios iniciais. A confirmação diagnóstica é feita através de biópsia. Sendo o resultado positivo, o paciente é encaminhado ao serviço de oncologia para tratamento. Se diagnosticado no início e tratado de forma adequada, teremos um bom prognóstico (cura em 80% dos casos). No Brasil, a metade dos casos é diagnosticada tardiamente. A melhor maneira de reverter essa situação é com a informação e autoexame de boca.

Autoexame
O autoexame deve ser realizado mensalmente e tem como objetivo identificar lesões precursoras do câncer de boca. Deve ser realizado em um local bem iluminado e diante de um espelho. Verifique:
• Lábios
• Língua (principalmente as bordas)
• Assoalho da boca (região embaixo da língua)
• Gengivas
• Mucosa jugal (bochechas)
• Palato (céu da boca)
• Tonsilas ou Amígdalas
• Apalpe delicadamente a pele do rosto e pescoço, procurando sinais e nódulos.

Dr. Pedro Moacir Peres Orabe
Cirurgião Bucomaxilofacial
Estomatologista
CRO 11018

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