Campanha alerta para uso de preservativos
Publicado em 28/02/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

Páginas 2 e 3

"Pare, pense e use camisinha”. Esse é o slogan da campanha de carnaval lançada pelo Ministro da Saúde, na semana passada. A ação, segundo divulgação, visa conscientizar os foliões em todo país. A novidade é que a ideia é estimular o uso do preservativo, principalmente, entre os homens na faixa etária de 15 a 39 anos.
Os jovens têm sido foco de campanhas de prevenção nos últimos anos. O Ministério da Saúde desenvolve, em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de Saúde. Pesquisas apontam que o uso do preservativo não é consistente entre os mais jovens, embora o nível de informação seja elevado em relação à forma de prevenção ao HIV.
Por isso, o esforço para atingir esse público. A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP 2013), de 2013, aponta que 45% dos entrevistados disseram não ter recorrido ao preservativo naquele ano. A mesma pesquisa mostra que 94% dos brasileiros sabem que a camisinha é a melhor forma de evitar as infecções sexualmente transmissíveis.

O que é Aids?
A Aids é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV é a sigla em inglês). Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.
Os pacientes soropositivos, que têm ou não Aids, podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.

No país
Estima-se que 866 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids, divulgado no final do ano passado, a epidemia está estabilizada, com taxa de detecção de casos de Aids em torno de 18,3 casos a cada 100 mil habitantes, em 2017. Isso representa 40,9 mil casos novos, em média, nos últimos cinco anos.
Nos últimos quatro anos, a taxa de mortalidade pela doença passou de 5,7 óbitos/100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos/100 mil habitantes em 2017.  A redução é resultado da garantia do tratamento para todos - lançada em 2013 -, aliada à melhoria do diagnóstico, além da ampliação do acesso à testagem e redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, como ressalta o Ministério da Saúde.
Até dezembro de 2018, 593 mil pessoas com HIV/Aids estavam em tratamento no país. A maioria (87%) faz uso do dolutegravir, um dos melhores medicamentos do mundo, que está disponível gratuitamente no SUS. O medicamento aumenta em 42% a chance de supressão viral (que é diminuição da carga viral do HIV no sangue) entre adultos, quando comparado ao tratamento anterior, usando o efavirenz.

Teste rápido
De acordo com informações do Serviço de Atenção Integral à Sexualidade (Sais), do final do ano passado, testes rápidos são oferecidos em todas as unidades da Saúde. O teste é essencial para o diagnóstico precoce e tratamento. Em dezembro, 500 bageenses retiravam os medicamentos no Sais. O teste também abrange hepatite B, C e sífilis; o diagnóstico fica pronto após 30 minutos.

HIV e o sistema imunológico
O HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae e é uma infecção sexualmente transmissível. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns, como, por exemplo, período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença; infecção das células do sangue e do sistema nervoso; e supressão do sistema imune.
É importante explicar o que é o sistema imunológico. Como elucida o Ministério da Saúde, o corpo reage diariamente aos ataques de bactérias, vírus e outros micróbios, por meio do sistema imunológico. "Muito complexa, essa barreira é composta por milhões de células de diferentes tipos e com diferentes funções, responsáveis por garantir a defesa do organismo e por manter o corpo funcionando livre de doenças", detalha a página, no MS, com todas as informações sobre doenças sexualmente transmissíveis.
Entre as células de defesa estão os linfócitos T-CD4+, principais alvos do HIV, vírus causador da Aids, e do HTLV, vírus causador de outro tipo de doença sexualmente transmissível. São esses glóbulos brancos que organizam e comandam a resposta diante dos agressores. Produzidos na glândula timo, eles aprendem a memorizar, reconhecer e destruir os microrganismos estranhos que entram no corpo humano, como acrescenta a publicação. Que ainda detalha que o HIV liga-se a um componente da membrana dessa célula, o CD4, penetrando no seu interior para se multiplicar. "Com isso, o sistema de defesa vai pouco a pouco perdendo a capacidade de responder adequadamente, tornando o corpo mais vulnerável a doenças. Quando o organismo não tem mais forças para combater esses agentes externos, a pessoa começar a ficar doente mais facilmente e então se diz que tem Aids", explica a publicação.

Como ocorre a transmissão da Aids / HIV
A transmissão do HIV e, por consequência da Aids, acontece das seguintes formas:
Sexo vaginal sem camisinha
Sexo anal sem camisinha
Sexo oral sem camisinha
Uso de seringa por mais de uma pessoa
Transfusão de sangue contaminado
Da mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto e na amamentação
Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados

Condutas que não transmitem a Aids
É importante quebrar mitos e tabus, esclarecendo que a pessoa infectada com HIV ou que já tenha manifestado a Aids não transmitem a doença das seguintes formas:

Sexo, desde que se use corretamente a camisinha
Masturbação a dois
Beijo no rosto ou na boca
Suor e lágrima
Picada de insetos
Aperto de mão ou abraço
Sabonete/toalha/lençóis
Talheres/copos
Assento de ônibus
Piscina
Banheiro
Doação de sangue
Pelo ar

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