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Caderno Saúde - Diabetes Mellitus
Publicado em 07/11/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

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Doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo, a diabetes é responsável por vivermos uma verdadeira epidemia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional. Nesta edição, conversamos com o médico endocrinologista Edgar Bastos de Braga.

Novembro é azul também para combate a diabetes
O Dia Mundial do Diabetes, definido pela Federação Internacional de Diabetes e Organização Mundial da Saúde como 14 de novembro, faz que com voltemos nossa atenção para outra campanha importante em novembro, para além do câncer de próstata. A cor azul simboliza, assim como na campanha do câncer de próstata, que o período não é comemorativo, mas, sim, de alerta, conscientização e prevenção. 
Segundo o médico endocrinologista, Edgar Bastos de Braga, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo e da American Association Clinical Endocrinologists, a diabetes mellitus consiste em um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente decorrente de deficiência na produção de insulina, ocasionando complicações agudas e crônicas.
A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose (açúcar) transformando-as em energia para manutenção das células do nosso organismo. A diabetes pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a complicações no coração, artérias, olhos, rins e nervos. Em casos mais graves, a diabetes pode levar à morte.
O Ministério da Saúde alerta que a diabetes mellitus pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independentemente do tipo de diabetes, com o aparecimento de qualquer sintoma, é fundamental que a pessoa procure com urgência o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento.
Braga chama a atenção para os números: estima-se que o número seja de 415 milhões de portadores de diabetes mellitus mundialmente. O endocrinologista explicita que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a glicemia elevada é a terceira causa de mortalidade prematura, atrás apenas por pressão arterial aumentada e uso de tabaco. 
O médico fala que, infelizmente, muitos governos, sistemas de saúde pública e profissionais de saúde ainda não se conscientizaram da atual relevância da diabetes e de suas complicações.
Para ele, a hiperglicemia persistente está associada a complicações crônicas micro e macrovasculares, aumento de morbidade, redução da qualidade de vida e elevação da taxa de mortalidade. Por isso, é fundamental rastrear essa enfermidade e tratá-la de forma adequada.

Tipos
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), entre os tipos da doença estão: Tipo 1: Em algumas pessoas, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta. Logo, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o corpo. Como resultado, a glicose fica no sangue, em vez de ser usada como energia. Esse é o processo que caracteriza o tipo 1 de diabetes, que concentra entre cinco e dez por cento do total de pessoas com a doença. Geralmente, aparece na infância ou na adolescência, mas pode ser diagnosticada em adultos. Essa variedade é sempre tratada com insulina, medicamentos, planejamento alimentar e atividades físicas, para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue.
Tipo 2: Aparece quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz; ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia. Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o tipo 2. Manifesta-se mais frequentemente em adultos, contudo, crianças também podem apresentar. Dependendo da gravidade, pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.
Outros: Entre o tipo 1 e 2 foi identificado ainda o Diabetes Latente Autoimune do Adulto (Lada). Algumas pessoas que são diagnosticadas com o tipo 2 desenvolvem um processo autoimune e acabam perdendo células beta do pâncreas. E há também o diabetes gestacional, uma condição temporária que acontece durante a gravidez. Ela afeta entre dois e quatro por cento de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê. 
Como identificar?
Uma das perguntas mais recorrentes para Braga, tanto dos pacientes, quanto de colegas da área da saúde, é quando que se deve iniciar o rastreamento para diabetes mellitus. 
De acordo com o profissional, em pessoas com sobrepeso, obesidade, hipertensão arterial, história familiar de DM2, em uso de medicações contínuas (corticoides, tiazídicos, entre outros), bem como a presença de comorbidades associadas ao diabetes, devem ser investigados em qualquer exame de rotina, independentemente da idade. Em pessoas saudáveis, assintomáticas, a maioria das diretrizes aconselha iniciar o rastreamento aos 45 anos de idade. 

Qual o melhor tratamento?
O médico endocrinologista enfatiza, sem dúvidas, que o melhor tratamento é multidisciplinar. “É fundamental que a pessoa diabética, além de médicos bem capacitados, tenha o acompanhamento, de nutricionistas, educadores físicos, entre outros profissionais da saúde; de preferência, que esses, quando necessário, analisem conjuntamente o paciente”, declara. 
Para Braga, o tratamento não se restringe ao uso de medicações, mas, sim, de rastrear outras complicações associadas ao diabetes (como avaliação com médico oftalmologista para rastrear retinopatia, por exemplo), mudanças do estilo de vida, entre outros.   
Como prevenir?
A melhor forma de prevenir o diabetes e diversas outras doenças é a prática de hábitos saudáveis. Comer diariamente verduras, legumes; pelo menos, três porções de frutas, reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras, parar de fumar, praticar exercícios físicos regularmente, (pelo menos 30 minutos todos os dias) e manter o peso controlado. 

Pré-diabetes
A maioria das pessoas não sabe o que é pré-diabetes. Uma pesquisa feita pela SBD, em parceria com o laboratório farmacêutico Abbott, apontou que apenas 30% das pessoas tinham informações sobre essa condição.
Segundo a Associação, o termo pré-diabetes é usado quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas não o suficiente para um diagnóstico de diabetes tipo 2. Obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos lipídios estão no grupo de alto risco.
A SBD ressalta que 50% das pessoas nesse estágio 'pré' vão desenvolver a doença. O pré-diabetes é especialmente importante por ser a única etapa que ainda pode ser revertida ou mesmo que permite retardar a evolução para o diabetes e outras complicações.
A preocupação da Sociedade Brasileira de Diabetes se dá porque muitas pessoas, ao serem comunicados de que têm pré-diabetes, não enxergam ali uma oportunidade. Deixam para 'cuidar' quando o problema se agravar. Só que o pré-diabetes pode prejudicar nervos e artérias, favorecendo diversos outros males, a exemplo de infarto e derrames.
A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle, segundo a SBD. No entanto, para 60% das pessoas, a dieta é o passo mais difícil a ser incorporado na rotina. Ao todo, 95% têm dificuldades com o controle de peso, dieta saudável e exercícios regulares. Lembre-se: ninguém morre de diabetes, mas, sim, da falta de controle da doença.
Fatores de risco
Assim como o tipo 2, o pré-diabetes pode chegar à sua vida sem que você perceba. Ter consciência dos riscos e buscar o diagnóstico é importante, especialmente se o pré-diabetes for parte do que nós chamamos de 'síndrome metabólica'. Atenção para: Pressão alta; alto nível de LDL ('mau' colesterol) e triglicérides; e/ou baixo nível de HDL ('bom' colesterol); sobrepeso, principalmente se a gordura se concentrar em torno da cintura.

 

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