Caderno Saúde 1007 / Páginas 2 e 3
Publicado em 10/07/2020

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

Você sabe o que é a doença diverticular?
Os divertículos são pequenas saculações (pequenos sacos) que surgem na parede do intestino grosso. Ocorrem, principalmente, no lado esquerdo em um segmento chamado sigmoide.
De acordo com a médica coloproctologista e cirurgiã geral,  Daiane Sonza Vidart, chama-se “diverticulose” a simples presença dos divertículos no intestino grosso. Segundo ela, estima-se que, aos 50 anos de idade, metade da população, homens e mulheres, tenha divertículos, assim como praticamente todos aos 80 anos. 
A médica esclarece que os portadores de diverticulose são assintomáticos. “Uma pequena parcela destes apresenta algum sintoma, principalmente dor abdominal e mudança no hábito intestinal, passando a apresentar a ‘doença diverticular’, explicita.
Causas 
•    Envelhecimento e a consequente perda de elasticidade da musculatura intestinal;
•    Dieta alimentar pobre em fibras;
•    Aumento da pressão no interior do cólon; 
•    Predisposição genética.
Sintomas
Em grande parte dos casos, diverticulose é uma doença assintomática, que passa despercebida e só é diagnosticada em uma investigação eventual. 
•    Sangue nas fezes;
•    Diarreia;
•    Dor abdominal;
•    Dificuldade para urinar;
•    Febre;
•    Náuseas e vômitos;
•    Sangramentos.
Diagnóstico
Para o diagnóstico, Daiane diz que se avalia a história da pessoa, o exame clínico e os achados da tomografia computadorizada. 
A coloproctologista acredita ser importante ressaltar que o enema opaco e a colonoscopia não devem ser indicados nessa fase inicial porque o trânsito livre das fezes pela perfuração do divertículo pode provocar um quadro de infecção abdominal e peritonite grave.
“Estabelecer o diagnóstico diferencial da diverticulite é indispensável para distingui-la de doenças como apendicite, câncer de cólon e doença de Crohn, entre outras”, afirma.
Complicações
Daiane alerta que os divertículos podem inflamar, sendo a diverticulite aguda, ou podem causar sangramento. A diverticulite é a complicação mais comum, segundo a especialista.
A diverticulite aguda é um sinal de complicação nos divertículos. Os sintomas da diverticulite variam dependendo da gravidade do quadro. A médica enfatiza a hemorragia, que é menos frequente, mas pode ser grave dependendo do volume de sangue perdido. 
Nesses casos, ela diz que as pessoas apresentam saída de grande volume de sangue vivo pelo anus, muitas vezes, acompanhado de taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), hipotensão (queda da pressão arterial), sudorese (suor frio) e desmaio e devem receber atendimento médico imediato.
Tratamento
Conforme a médica, a grande maioria das pessoas com doença diverticular necessita de tratamento clínico baseado, sobretudo, na correção dos hábitos alimentares e eventualmente no uso de analgésicos. “O tratamento é de acordo com a gravidade do quadro. Geralmente, baseado na utilização de antibióticos por via oral nos casos mais simples e por via venosa nos casos mais complicados, necessitando internação hospitalar”, define a profissional. 
“O tratamento cirúrgico é reservado para os casos mais graves que não melhoram com o tratamento clínico e evoluem com a formação de abscesso ou peritonite (infecção grave no abdômen), necessitando de cirurgia de emergência”, frisa.

Segundo a coloproctologista, a maioria das pessoas melhora com o tratamento clínico e evolui satisfatoriamente sem outras crises. Alguns evoluem com novas crises, podendo apresentar estenose (estreitamento do intestino) ou fístula (comunicação interna do intestino grosso com os órgãos vizinhos como bexiga, vagina, útero, intestino delgado, pele, entre outros), que necessitam de tratamento cirúrgico eletivo (programado). 
Ela diz que nos pacientes operados de emergência, eventualmente, é necessária a confecção de uma colostomia (colocação de parte do intestino grosso na parede do abdômen necessitando de uma bolsa coletora) que pode ser temporária, sendo revertida em alguns meses. 
Quanto ao tratamento da hemorragia, Daiane fala que, na maioria dos casos, o sangramento para espontaneamente, sendo que algumas vezes o tratamento endoscópico através da colonoscopia pode ser utilizado com sucesso. O tratamento cirúrgico é necessário apenas quando o sangramento persiste apesar do tratamento clínico e endoscópico.

Cuidados e prevenção

Daiane afirma que as complicações da doença diverticular podem ser evitadas por um estilo de vida saudável com exercícios regulares, dieta balanceada rica em fibras, ingestão farta de líquido e um hábito intestinal regular, evitando a constipação intestinal. “Beba pelo menos dois litros de líquido por dia para facilitar a formação do bolo fecal, não tome laxantes por conta própria para combater as crises de obstipação intestinal e lembre-se de que a atividade física ajuda a acelerar o metabolismo e, consequentemente, o trânsito intestinal”, orienta.

Perguntas

Diverticulite pode ocasionar câncer de intestino?
Não. Segundo Daiane, a diverticulite não tem nenhuma relação com o câncer de intestino nem aumenta o risco de desenvolvê-lo. Uma pessoa pode ter as duas doenças, mas isso não significa que elas estejam relacionadas.

Ingestão de sementes pode causar a doença?
A médica explica que, por vários anos, acreditou-se que pessoas com diverticulose não pudessem alimentar-se com sementes, que poderiam deixar as fezes ásperas. Essa recomendação foi baseada na hipótese que essas partículas poderiam obstruir a luz dos divertículos, ocasionando inflamação e com isso diverticulite.
Porém, de acordo com a especialista, estudos recentes mostram que a ingestão de sementes não está relacionada com aparecimento de complicações.  Ao contrário, a ingestão de sementes tem um efeito protetor. Com isso, o dito que as sementes são prejudiciais, não é uma verdade em relação à doença diverticular.

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