Caderno Saúde 1007 / Página 4 e 5
Publicado em 10/07/2020

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

Alice explica benefícios da vacina, bem como quais doses estão disponíveis para pessoas acima de 60 anos

Vacinação dos idosos

Nos últimos anos, tem-se acompanhado um movimento para uma maior promoção de qualidade de vida do idoso, uma vez que a expectativa de vida tem se elevado. É comum surgirem muitas dúvidas sobre, por exemplo, quais os benefícios e os riscos da vacina, quem deve receber, quais são oferecidas, entre outras. 
De acordo com a médica clínica geral e geriatra, responsável pela clínica de vacinação Clinipampa, Alice Cruz, os objetivos da vacinação são a prevenção e a promoção da saúde. Como principais benefícios, Alice enfatiza a diminuição no número de hospitalizações e mortes nos vacinados, com melhoria na qualidade de vida.
A médica aponta que o Programa Nacional de Imunizações e a Sociedade Brasileira de Imunizações disponibilizam, entre várias opções, vacinas contra influenza, tétano e difteria, além de imunização contra pneumococo. Estas vacinas são recomendadas aos idosos porque eles são mais susceptíveis às doenças pulmonares agudas e suas complicações em consequência da gripe. 
Ela explica que a de tétano está entre as imunizações porque muitos idosos nunca foram vacinados contra a infecção, pois a vacinação de rotina só foi inserida na década de 70 (e, mesmo assim, mais direcionada à população infantil). Além disso, Alice acredita ser importante salientar que a proteção contra o tétano e a difteria, mesmo para os vacinados, declina com a idade.
A vacina contra o pneumococo é indicada para pessoas com 60 anos ou mais, em grupos específicos (o médico deve ser consultado para saber se há indicação de receber) e é aplicada em dose única.
 A vacina dupla tipo adulto (dT = difteria e tétano) é aplicada via intramuscular. Se a pessoa já estiver imunizada com três doses, receberá apenas uma de reforço a cada 10 anos. Para os que nunca foram vacinados ou não sabem se receberam a dose, será necessário fazer todo o esquema vacinal conforme orientado pelo médico, com reforços também a cada 10 anos.
A imunização contra o vírus da gripe, de nome influenza, é vista, como afirma a médica, como o meio mais eficaz de realizar a prevenção da doença, com o objetivo de reduzir a severidade e evitar complicações, como a pneumonia e até a morte.
Alice fala que este vírus é transmitido de pessoa para pessoa, através das vias aéreas superiores (tosse, espirros) e pode causar dor de garganta, dor de cabeça, tosse, dor no corpo, secreção nasal, lacrimejamento e febre. Entretanto, esta última pode estar ausente no idoso, fato este de fundamental importância clínica para evitar fatais erros de diagnóstico.
A médica explicita que o nome do vírus da gripe – influenza - tem origem na palavra influência. Ou seja, a influência da estação fria, acreditando-se na contribuição das condições climáticas no surgimento das epidemias da doença. 
O vírus da gripe frequentemente sofre alterações na estrutura, por isso, frisa Alice, que a cada ano a vacina poderá necessitar sofrer alterações na composição para manter a eficácia.
“A vacina funciona no organismo por estimular a produção de anticorpos contra aqueles tipos de partículas do vírus contidos na dose. Caso a pessoa entre em contato com um vírus diferente do da vacina, terá gripe, como se não tivesse sido imunizada. Se a exposição ao agente infeccioso for muito intensa, mesmo que a vacina tenha estimulado a produção de anticorpos contra este, poderemos apresentar gripe. Além disso, os idosos, as pessoas com doenças crônicas graves e aquelas com a imunidade comprometida têm menor resposta à dosagem”, elucida a geriatra.
Acredita-se que a vacina contra a gripe promova uma proteção de 70 a 90% em adultos saudáveis e de 60% em idosos. O alerta da profissional está para o fato de que a proteção não é de 100%, para evitar falsas conclusões como ‘tomei a vacina e me gripei, que absurdo!’. "Na realidade, isso pode, sim, acontecer", deixa claro a médica. 
Além disso, nos idosos, ela reduz em 40% a mortalidade e de 30 a 40% as internações por pneumonia e outras complicações da gripe. “Sabemos, atualmente, que a vacina da gripe é mais eficaz em reduzir os sintomas mais graves da doença do que a infecção propriamente dita”, esclarece Alice.
Conforme a especialista, a resposta imunológica do organismo à vacina ocorre em média duas semanas após a vacinação, atingindo o efeito máximo em quatro a seis semanas, mantendo-se por até quatro meses e caindo após o sexto mês. Entretanto, são mantidos anticorpos na circulação sanguínea até um ano após a vacinação. 
“A revacinação deve ocorrer anualmente e, preferencialmente, nos meses que antecedem o inverno, pois nesta estação ocorre o maior número de casos de gripe e a ação da vacina tem o efeito máximo após um mês da aplicação”, orienta.

Dúvida frequentes

A vacina pode provocar gripe? Não. Porque ela é composta de pequenos pedaços de vírus mortos e, assim, não existe risco de produzir gripe.

Posso ficar gripado mesmo tendo tomado a vacina?
Sim. Por dois motivos: a pessoa já estava contaminada previamente à vacina, ou porque não deu tempo dela produzir anticorpos no organismo contra o vírus, pois a imunização precisa de, pelo menos, duas semanas para ter o efeito desejado.

Qual reações após tomar a dose?
A vacina é muito segura, mas poderá ocorrer vermelhidão no local da aplicação e dor leve. Raramente poderá ocorrer mal-estar, febre baixa e dor no corpo, mas, quando aparecem devem desaparecer em até dois dias.

Quantas vezes terei que receber a imunização?
Uma vez por ano, todos os anos, pois o vírus da gripe se modifica muito rapidamente. Provavelmente, o vírus “da moda” do próximo ano será diferente do vírus deste ano. Assim, a vacina a ser aplicada no próximo ano será baseada nas características do vírus esperado.

“Fica o recado: lembre-se sempre de que curar é caro e doloroso e que prevenir é mais barato e confortável. Vacine-se!”, frisa a médica.                                                                    

 

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