Alzheimer: danos à memória e ao comportamento das pessoas
Publicado em 14/02/2019

Folha Saúde

Foto: Reprodução/FS

O Alzheimer é uma doença evolutiva que se caracteriza pela deterioração cognitiva da memória dos indivíduos. Esse transtorno neurodegenerativo afeta nas atividades diárias, além de apresentar uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Conforme divulgação do Ministério da Saúde, a doença surge quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começam a falhar. Assim, surgem fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Dessa forma, como consequência, ocorre a perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato. Estudos indicam que as mulheres parecem ser mais acometidas pela doença do que os homens. Além disso, há dados que ressaltam que a maior frequência da doença está em pessoas na faixa de 60 a 65 anos. Já cerca de 5% das pessoas com idade entre 65 e 74 anos têm a doença, mas quase a metade dos indivíduos, cuja idade é de cerca de 85 anos ou mais, apresentam a doença. Ainda segundo o Ministério da Saúde, cerca de um caso da doença é identificado a cada três segundos no mundo. 

  Sintomas  Em reportagem publicada na edição de 22 de setembro de 2015, a médica neurologista, Cibele Lucas descreveu os sintomas da doença. Conforme ela, no que se refere ao declínio de funções intelectuais são os esquecimentos caracterizados por repetições e reações de surpresa diante de fatos já citados ou vividos.  Também são características da doença, a falta de atenção e dificuldade de concentração que interfere na compreensão; confusão e desorientação no tempo e espaço; perda de autonomia associada à dificuldade de planejamento, organização e execução das atividades; prejuízos na linguagem, com perda de palavras ou dificuldade para se expressar; perda da capacidade de tomar decisões e de realizar tarefas cotidianas. Outros sintomas divulgados são as mudanças de comportamento e humor, caracterizadas por: agressividade, agitação e insônia; apatia, inatividade, depressão ou isolamento; inadequação social ou desconfiança intensa. “Vale ressaltar que a família tem que estar atenta a pessoa acima de 60 anos com esquecimentos - não se dá conta que esqueceu -, repetitiva (pergunta várias vezes a mesma coisa ou conta várias vezes a mesma história), ou com mudanças no comportamento. Se alguém da família estiver assim, vale a pena fazer uma avaliação para monitorar a memória, pois o diagnóstico precoce e o início também precoce do tratamento são importantes”, ressaltou a médica. 

  Diagnóstico A profissional também salientou, em reportagem ao Folha do Sul, que o diagnóstico da doença de Alzheimer é baseado em aspectos como:  • História clínica: ainda é o principal instrumento utilizado. A partir da forma de início e da progressão dos sintomas. Por ser uma demência de predomínio amnéstico, ou seja, a dificuldade de memória em geral é o sintoma mais predominante no início da doença. • Testes cognitivos: testes simples realizados pelo próprio neurologista (miniexame do estado mental) ou uma bateria de testes neuropsicológicos (feitos por psicóloga) conforme a avaliação da necessidade do médico para o diagnostico. • Exames de neuroimagem: permitem avaliar a estrutura do cérebro e suas alterações. São úteis, também, para descartar outras causas do esquecimento. • Exames laboratoriais: feitos para descartar outras causas de demências.

  Recomendações A doença de Alzheimer ainda não possui uma forma de prevenção específica. No entanto, os médicos acreditam que manter a cabeça ativa e uma boa vida social, regada a bons hábitos e estilos, pode retardar ou até mesmo inibir a manifestação da doença. Com isso, as principais formas de prevenir, não apenas o Alzheimer, mas outras doenças crônicas, como diabetes, câncer e hipertensão, por exemplo, são: Estudar, ler, pensar, manter a mente sempre ativa; fazer exercícios de aritmética; jogos inteligentes; atividades em grupo; não fumar; não consumir bebida alcoólica; ter alimentação saudável e regrada; fazer prática de atividades físicas regulares.   Cuidados e tratamento No Brasil, conforme o Ministério da Saúde, centros de referência do Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem tratamento multidisciplinar integral e gratuito para pacientes com Alzheimer, além de medicamentos que ajudam a retardar a evolução dos sintomas.  Em relação aos cuidados dedicados às pessoas com Alzheimer, o Ministério da Saúde recomenda que estes devem ocorrer em tempo integral. Cuidadores, enfermeiras, outros profissionais e familiares, mesmo fora do ambiente dos centros de referência, hospitais e clínicas, podem encarregar-se de detalhes relativos à alimentação, ambiente e outros aspectos que podem elevar a qualidade de vida dos pacientes.  

Deixe sua opinião