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Alerta para a importância do tratamento de Tuberculose
Publicado em 21/03/2019

Folha Saúde

Foto: Ziza Garske da Fontoura/EspecialFS

Dados indicam que são altos os índices de abandono do tratamento e baixa a incidência de cura da doença. Em 2018, o boletim do programa Nacional de Controle da Tuberculose apontou o Rio Grande do Sul em quinto lugar em taxas de incidência em todo o país. Além desse assunto, nesta edição, o Folha Saúde publica uma reportagem sobre o Hospital Moinho de Vento, que lançou o Núcleo de Medicina Robótica. A instituição privada é a primeira do Sul do Brasil a contar com programa de Cirurgia Robótica.


Tuberculose: Secretaria da Saúde alerta para riscos de abandono do tratamento

A data 24 de março é lembrada como o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. A situação da doença no Brasil e no Rio Grande do Sul é desfavorável, com altas taxas de abandono de tratamento e baixa incidência de cura. Em 2018, o Boletim do Programa Nacional de Controle da Tuberculose apontou o Rio Grande do Sul em quinto lugar em taxas de incidência em todo o país.
De acordo com informações do governo do Estado, em solo gaúcho, neste milênio, as taxas têm se mantido entre 40 e 45 casos por 100 mil habitantes. Esses números são maiores do que os apresentados no nível nacional, que giram em torno de 32 a 33 casos por 100 mil habitantes.
A médica pneumologista Carla Jarczewski, coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose e diretora técnica do Hospital Sanatório Partenon, disse que se trata de uma doença negligenciada. Não só pelos pacientes, que acham que não existe, como por profissionais de saúde, principalmente os que não trabalham com saúde pública.
“Muitos acreditam que este é um problema resolvido, o que não é verdade. São cinco mil casos novos por ano no Estado”, ressaltou.
De acordo com a profissional, para baixar as taxas de incidência, ou seja, controlar a doença, é necessário um percentual de cura em casos novos de 85% e um abandono de, no máximo, 5%. Em 2017, o Estado apresentou 61,3% de cura (mais de 20 pontos percentuais abaixo do que é preconizado) e a taxa de abandono ficou em 12,2%.
Segundo ela, isso significa que existem mais pessoas doentes contaminando outras dentro de uma área geográfica. A epidemiologista chama a atenção para um fato fundamental: cura, só no final do tratamento, que dura, no mínimo, seis meses.
Quem abandona o tratamento corre o risco de contrair um germe mais resistente, mais difícil de combater. Aí passa de seis para 18 meses, e o infectado continua transmitindo dentro da sua comunidade.
O Rio Grande do Sul também tem a maior taxa de coinfecção tuberculose/HIV. De todos os pacientes diagnosticados com tuberculose, 18% estão associados ao HIV. Hoje, a maior causa de morte de pacientes HIV positivos por doenças infecciosas é em decorrência da tuberculose.
Carla destacou que “para reduzir a taxa de incidência, é preciso curar mais. Se não curar, haverá gente transmitindo a tuberculose nas comunidades. No momento que aumenta a taxa de cura, há menos bacilo circulante, menos doença. Mas isso não é de forma rápida”.

Dados da doença nos últimos anos
Em 2015, houve 6 630 notificações de casos totais, sendo 4 825 casos novos. Os números vêm se mantendo estáveis. Em 2016, foram 6 374 totais para 4 596 novos e 2017, 6 801 casos totais e 4 935 novos. Os números de 2018 estão teoricamente fechados, com 7 017 totais e 5 106 novos. Mas é preciso verificar se não há casos repetidos por internação.
O Estado trabalha como retaguarda técnica para as regiões e municípios. O Programa Estadual tem como principais atribuições, avaliar indicadores e planejar ações e, a partir daí, promover capacitações. Ações diretas de atendimentos são feitas pelos municípios.
Um trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos é o tratamento diretamente observado (TDO), que consiste no paciente ingerir a medicação de segunda a sexta-feira, pelo menos, na presença de um profissional de saúde.
Carla explicou que, no mundo inteiro, quando instituído, o TDO aumenta as taxas de cura.  Algumas regiões do Brasil atingem cerca de 70% dos pacientes com este acompanhamento, enquanto que em solo gaúcho está em torno de 20%.
De acordo com a médica, um dos principais problemas hoje é conseguir com que os municípios descentralizem as ações de tuberculose. “A maioria não conseguiu passar esta atribuição para a atenção primária em saúde. Isto provoca dificuldade de acesso, ou seja, o paciente precisa se deslocar a uma distância maior para conseguir tratamento. Se conseguirmos chegar mais próximo da pessoa, diagnosticar e acompanhar, haverá, com certeza, indicadores melhores”, acrescentou.
A médica enfatizou que há ainda todo um trabalho de sensibilização junto ao paciente e aos familiares sobre a importância da medicação e do tratamento até o final.

Contaminação
Tuberculose é uma doença de notificação compulsória, de transmissão não consentida e por intermédio do ar. Quando a pessoa tosse ou fala alto, passa o bacilo que poderá ser inalado por quem está em volta, que ficará infectado e vai adoecer, dependendo da imunidade. Por isso cada paciente precisa ser acompanhado. Não é uma doença de cunho estritamente pessoal. Tem uma cadeia epidemiológica em seu entorno.

Hospital Moinhos de Vento lança Núcleo de Medicina Robótica
Com objetivo de expandir o programa de Cirurgia Robótica, o Hospital Moinhos de Vento – primeira instituição privada do Sul do Brasil a contar com um programa deste tipo – lançou no sábado passado, o  Núcleo de Medicina Robótica da instituição. A iniciativa vai qualificar mais profissionais e ampliar as especialidades atendidas.
O evento, realizado no Anfiteatro Schwester Hilda Sturm, também foi uma celebração dos resultados positivos do primeiro ano de cirurgias robóticas realizadas no hospital. Neste período foram realizadas 107 intervenções com a utilização de robô, sendo 95% delas na área da urologia. Agora, o projeto será expandido para as áreas de cirurgia geral, torácica, ginecologia, proctologia, cabeça e pescoço.
 Dentre os principais benefícios da cirurgia robótica estão a precisão no procedimento e a diminuição do tempo de recuperação, o que resulta em menor risco de infecções e, ainda, diminuição de custos com internação.
 O superintendente médico do Hospital Moinhos de Vento, Luiz Antonio Nasi, informou durante sua participação que mais 25 médicos deverão ser treinados este ano dentro da expansão do programa – atualmente são 17 profissionais capacitados para operar com o auxílio do robô. “Esse é um projeto estratégico do hospital. O foco é promover a cirurgia minimamente invasiva, que busca maior precisão, rápida recuperação e redução do tempo de hospitalização. É um projeto de sucesso pelos excelentes resultados clínicos e pela animadora dedicação dos nossos cirurgiões”, afirmou Nasi.
O superintendente administrativo do Moinhos de Vento, Evandro Luís Moraes, aproveitou a oportunidade para compartilhar a informação do início das negociações para a aquisição do robô Da Vinci Modelo XI, a nova geração do Da Vinci SI utilizado atualmente na instituição. Também nas próximas semanas deverá ser recebido um moderno simulador para o treinamento dos médicos do programa.
Conforme o chefe do Serviço de Urologia do Hospital Moinhos de Vento,  Eduardo Carvalhal, há ganhos reais já comprovados nos pacientes submetidos à cirurgia robótica. “Ela facilita muito o acesso a regiões mais complexas do corpo e reduz o desconforto do paciente. O índice de continência imediata – não vazamento de urina após retirada da sonda – foi de cerca de 70%. E muitos recuperaram a função sexual em menos de um mês”, apontou Carvalhal, que ressaltou, também, que do ponto de vista do cirurgião, o cansaço é reduzido.
Uma pesquisa que está sendo feita com pacientes atesta os  resultados do trabalho neste primeiro ano e a boa aceitação por parte de quem foi atendido pelo serviço. De acordo com os dados iniciais, 98% dos pacientes contatados recomendariam a cirurgia robótica a outro paciente.
Para o líder do programa de Cirurgia Robótica, André Berger, os resultados obtidos são até mesmo superiores aos de grandes centros que trabalham com robótica no mundo. “Esse lançamento do Núcleo legitima o programa de Cirurgia Robótica do Hospital Moinhos de Vento como referência nacional e até mesmo internacional. Além de oferecer um tratamento com qualidade e segurança aos pacientes e da capacitação dos profissionais associados ao corpo clínico do hospital, o Núcleo irá dar suporte e promover cursos para médicos, estudantes de Medicina e profissionais da área da Saúde que não estão vinculados ao programa”, destacou Berger.

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