Alegria de viver
Publicado em 21/05/2013

Folha Saúde

Foto: Divulgação/FS

Há cerca de cinco anos, a telefonista Flora Terezinha da Silva, de 54 anos, se deparou com o câncer de mama.
Ela conta que fazia um ano e meio que havia perdido sua mãe e, com o dia a dia, passou algum tempo sem fazer o autoexame. “Tinha o costume de fazer o autoexame sempre no banho, mas com tanto problema, fiquei relapsa com a minha saúde”, fala a telefonista.
Flora comenta que, um certo dia, realizou o exame no banho e foi quando sentiu um pequeno nódulo. “Para a minha surpresa, eu senti uma sementinha, era do tamanho de um grão de feijão. Como trabalhava com médicos, resolvi perguntar para um ginecologista que estava de plantão comigo no SAMU e, no mesmo momento, ele mandou eu fazer uma mamografia de urgência. Ele me adiantou que, pela sua experiência, acreditava se tratar de um câncer”, lembra.
Ela conta que após esse dia procurou o seu ginecologista, o médico Ricardo Mendes Costa, quando foi examinada e diagnosticada com câncer de mama maligno. “Eu estava com 49 anos na época, fui para o tratamento fora de Bagé, em Pelotas. O médico José Pedro e a médica Flávia começaram os primeiros trabalhos. O que me ajudou muito foi que trabalhava com médicos e agiram muito rápido”, relata.
Flora diz que fez cinco quimioterapias, 35 radioterapias e três cirurgias de mama. Ela fez também uma Histerectomia, que é a retirada de útero, e também extraiu os ovários. “Tenho duas filhas e sempre oriento sobre a doença. A Márbia, de 34, e a Tainá, com 15 anos, sabem dos riscos e do fator de hereditariedade. A mais velha já vai fazer a mamografia desde agora”, destaca.
O caso da atriz dos EUA, Angelina Jolie, é alvo de admiração para a telefonista. “A admiro mais ainda, tem que ter muita coragem e uma fé muito grande para passar por uma mutação dessa, não é fácil”, pontua.
Ainda sobre a atriz, Flora acrescenta que, se as filhas quiserem fazer a cirurgia de redução de risco, ela dá total apoio. “Acredito que temos sempre que prezar pela saúde, elas têm meu total apoio”, argumenta.
A telefonista fará tratamento para o câncer até o ano de 2014 e conta que já tirou parte de uma mama, porém o médico deixou a pele para fazer a reconstrução. “Não coloquei prótese, talvez depois que terminar meu tratamento e, não houver nenhum risco, eu faça, por enquanto ainda não”, ressalta.
Finalizando, ela afirma que há muita gente que sente vergonha por perder o cabelo ou por ficar sem a mama. “Reclamam mais disso do que da falta de condições para o tratamento O SUS tem uma grande carência de condições no atendimento ao portador de câncer, há uma grande falta de respeito. O que me ajudou muito é que nunca perdi o ânimo e a alegria de viver, estou sempre brincando, falando bobagem, independente do que tive”, encerra a telefonista que lutou e luta, ainda, contra essa doença.

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