A música como terapia
Publicado em 18/06/2013

Folha Saúde

Foto: Divulgação/FS

A atividade musical pode ser considerada uma terapia, pois estabelece e fortalece vínculos entre as pessoas, através de uma atividade agradável. As atividades musicais são benéficas, influenciando sobre as suas relações sociais e familiares, pois melhoram o vínculo entre as pessoas e o meio social, como cantar em um coro. Vemos que não se trata simplesmente de aprender a cantar, mas também de se desenvolver novas relações sociais dentro do contexto da atividade. A atividade musical pode desenvolver, melhorar e restabelecer as relações sociais. A música pode ser utilizada para tratar problemas emocionais associados a relações afetivas, auxiliando na resolução de conflitos, e ser responsável por mudanças comportamentais.
Já dizia um velho dito popular: “quem canta seus males espanta”, mas será que a prática do canto é capaz de trazer benefícios ao idoso, diminuindo, por exemplo, os males ocasionados pela depressão (doença psiquiátrica mais comum em idosos)? Pesquisas mostram que, após um determinado período de atividades musicais, os idosos passaram a ter maior satisfação com a vida, diminuindo os sentimentos de aborrecimento, temores sobre o futuro, sensação de abandono e desamparo, assim como sentimentos de vergonha e inferioridade. Relataram sentirem-se mais dispostos, cheios de energia e felizes com a vida, priorizando suas atividades e interesses. Houve também melhora na saúde física e mental em relação à memória.
A música, sendo um símbolo consciente e inconsciente, é facilitadora da relação, porque, além do verbal, ela manipula e lida com a expressão não-verbal. O princípio do “fazer musical”, tocar, cantar, dançar, ouvir é, muitas vezes, o começo do prazer, sendo este o elo forte que se estabelece, e vai além da comunicação através da palavra, atingindo a mensagem do sentir e da expressão individual. Uma das grandes contribuições de Freud à filosofia da mente está na compreensão de que o comportamento humano não é apenas uma estratégia para obter alimentos, mas também uma linguagem; que todo movimento é, ao mesmo tempo, gesto. Freud levou suas teorias
bastante longe para efetuar, à luz delas, um relevante e promissor estudo psicológico das ações “impráticas” – ritos, formalidades, dramatizações e, sobretudo, artes. Sendo uma das artes, a música é vital para o ser humano.
Brown (1729) considera a música indicada para problemas nervosos, tais como afecções hipocondríacas, melancólicas e histéricas, e acha que “o canto deve ser muito eficaz para a cura, pois estas enfermidades da mente nos enchem de ideias negativas e lúgubres e nos sobrecarregam o corpo por falta de espírito; e cantando, podemos traduzir ao ouvido, tão agradavelmente que afete a mente e distraia nossos pensamentos ansiosos, mediante à sucessão de ideias alegres e vivazes da canção”.

Alice Weykamp da Cruz Fernandes
Clínica Geral – Geriatria
CLINIPAMPA – Clínica Médica e Clínica de Vacinação

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